27 de junho de 2011

Lançamentos Editora Baraúna

Trago aqui para vocês dois lançamentos nacionais (mais literatura brasileira para a gente conhecer!) da Editora Baraúna:




PERDIDA - Um amor que ultrapassa as barreiras do tempo
Carina Rissi

Sofia vive em uma metrópole e está habituada com a modernidade e as facilidades que isso lhe proporciona. Ela é independente e tem pavor à menção da palavra casamento. Os únicos romances em sua vida são os que os livros lhe proporcionam. Mas tudo isso muda depois que ela se vê em uma complicada condição.







MAJDANEK - O caminho sem volta
Paulo de Tarso

O romance se passa entre a Polônia e a Alemanha nos primeiros anos da Segunda Guerra Mundial. Um encontro transformou a vida de dois jovens europeus que tinham tudo pela frente. Tudo menos o que eles não imaginavam que acontecesse. Viva com eles essa aventura forçada, inesperada, dolorosa e desesperada. Num mundo que não queremos mais. Um mundo que não poderia ou deveria mais existir.

22 de junho de 2011

FERIADO = Livro + Filme

Não vai viajar e ainda não tem planos para rechear os dias desse feriado?
Deixo aqui 3 sugestões de livro + filme que vão dar um gostinho mais especial para os dias caseiros!


O ILUMINADO



Danny Torrance não é um menino comum. Danny é capaz de ouvir pensamentos. Ele pode transportar-se no tempo e olhar o passado e o futuro. Danny é um iluminado. Maldição ou benção? A resposta pode estar guardada na imponência assustadora do hotel Overlook.
Quando Jack Torrance consegue o emprego de zelador do velho hotel, todos os problemas da família parecem estar solucionados. Não mais o desemprego e as noites de bebedeiras. Não mais o sofrimento da esposa, Wendy. Tranquilidade e ar puro para o pequeno Danny livrar-se de vez das convulsões que assustam a família. Só que Overlook não é um hotel comum. O tempo esqueceu de enterrar velhos ódios, cicatrizar antigas feridas. O Overlook é uma chaga aberta de ressentimento e desejo de vingança. O Overlook é uma sentença de morte e precisa dos poderes de Danny para chegar ao fim.
A luta assustadora entre dois mundos. Um menino e a ânsia assassina de poderosas forças malignas. Uma família refém do mal. Nesta guerra sem testemunhas, vencerá o mais forte.

Livro: O Iluminado (de Stephen King, Editora Objetiva)
Filme: O Iluminado (The Shining, de Stanley Kubrick, EUA, 1980)


BONEQUINHA DE LUXO




Em Bonequinha de Luxo, novela de 1958, escrita com mão levíssima, o escritor norte-americano Truman Capote acompanha as estripulias de Holly Golightly, a jovem que escapa da vida do interior para tentar a sorte na Nova York dos anos da Segunda Guerra. Moça de hábitos e horários nada ortodoxos, Holly põe em polvorosa uma galeria de personagens que vai de um mafioso preso a um escritor inédito, passando por um fotógrafo japonês, uma modelo gagá e uma cantora rouca – para não falar de um certo diplomata brasileiro. Tudo isso sem abandonar a visão de uma vida de luxo, calma e volúpia, se possível bem longe do Texas e bem perto da joalheria Tiffany’s. Celebrizada nas telas de cinema por Audrey Hepburn no filme homônimo de Blake Edwards, Holly é uma das criações mais felizes de Capote, mistura inextricável de ninfa diáfana e moça "roçuda", tão viva e sedutora hoje como quase meio século atrás.

Livro: Bonequinha de Luxo (de Truman Capote, Companhia das Letras)
Filme: Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany's, de Blake Edwards, EUA, 1961)


Lançamento A GUARDIÃ DA MINHA IRMÃ / UMA PROVA DE AMOR
(O livro é um super lançamento previsto para os próximos dias, mas já disponível em pré-venda em várias livrarias online. Fica a dica!)




Concebida por meio de uma fertilização in vitro, Anna foi trazida ao mundo para ser uma combinação genética para a sua irmã mais velha, Kate, que sofre de leucemia promielocítica aguda. Aos 15 anos, Kate passa a sofrer de insuficiência renal. Anna sabe que se doar seu rim, ela terá uma vida limitada. Ciente de que terá de doar um de seus rins para sua irmã, Anna processa os pais para obter emancipação médica e direito sobre seu próprio corpo.

Livro: A Guardiã da Minha Irmã (de Jodi Picoult, Verus Editora)
Filme: Uma Prova de Amor (My Sister's Keeper, de Nick Cassavetes, EUA, 2009)


Agora é só preparar aquele bolo de chocolate caseirinho, uma xícara (ou várias!) de cappuccino e se jogar no sofá! Um ótimo feriado!

15 de junho de 2011

Um Dia [David Nicholls]


Tudo começa em uma sexta-feira, 15 de julho de 1988. Emma Morley e Dexter Mayhew mal se conheceram e a chegada da vida “pós-universidade” parece se encarregar de separá-los. Eis o ponto de partida para uma forte e complicada relação de amizade cheia de altos e baixos, em que os acontecimentos são narrados durante o período de 20 anos, sempre no mesmo dia – 15 de julho – de cada ano.

Devo começar dizendo que estamos diante de um livro magnífico. Um Dia nos presenteia com personagens construídos com excelência, diálogos sagazes e um enredo com o qual é impossível não se envolver. Cada capítulo refere-se ao dia 15 de julho de cada ano (uma estrutura que considerei genial) e isso contribui para que sempre haja “movimento” na história, além de mostrar a ação do tempo sobre a vida e os próprios personagens. Simplesmente não há passagens cansativas, não há marasmo; o livro consegue prender do começo ao fim.

Em primeiro plano temos o relacionamento entre duas pessoas e, de forma paralela, somos mergulhados nas expectativas dos personagens em relação à própria vida. Sucessos, fracassos, desilusões, projetos, motivações, tudo isso permeia cada acontecimento narrado, e como na vida real, esse conjunto torna-se crucial na determinação dos caminhos de cada personagem. Aliás, considero o enredo bastante realista, um retrato de algumas fases da vida em que imagino que todos compartilham muitos dos sentimentos (e frustrações, e convicções,...) narrados. Durante a leitura, enxerguei a mim mesma em muitas partes, sob vários aspectos.

Os personagens são, a meu ver, o ponto mais alto do livro. Dexter é o tipo que demora a amadurecer, que leva a vida no imediatismo, e para quem o que é tangível tem mais valor. Muitas vezes deixa-se dominar pela arrogância e pelo desejo por status. Emma é geniosa, intelectual e de opiniões fortes, e não é exatamente uma pessoa muito fácil de lidar. Pessoalmente, acho o personagem de Emma fascinante em todos os seus aspectos; mesmo quando quer ser chata (e consegue perfeitamente!), ela revela traços de uma personalidade marcante, ainda que a falta de autoconfiança se mostre muito presente e acabe por prejudicá-la em vários momentos.

Um Dia me emocionou bastante (e veja bem, não sou do tipo que se emociona facilmente com livros). Também me “assustou” um pouco ao mostrar como a vida passa tão rápido sem que percebamos – uma verdade à qual normalmente não damos muita atenção no dia-a-dia. Se o que você procura é uma fofa e delicada história de amor e amizade, esse não é o livro mais indicado (ainda que a capa o sugira de maneira irresistível). Mas se você quer algo mais real – tanto para o bem como para o mal –, mas nem por isso menos surpreendente, Um Dia tem tudo para ser aquele livro que vai ficar na sua memória por um bom tempo (e provavelmente vai te fazer pensar e questionar algumas coisas na sua própria vida).

E como todo mundo já deve saber, a versão cinematográfica de Um Dia, dirigido por Lone Scherfig e com Anne Hathaway (adoro ela!) e Jim Sturgess nos papéis principais, tem estreia prevista para julho nos EUA. Não preciso nem comentar que aguardo ansiosamente para conferir essa história na telona!

Título: Um Dia
Autor(a): David Nicholls
Editora: Intrínseca
Edição: 2011
Copyright: 2009

9 de junho de 2011

Vi na Livraria: A Descoberta das Bruxas


A DESCOBERTA DAS BRUXAS - Deborah Harkness - Ed. Rocco

A respeitada pesquisadora Diana Bishop passou a vida tentando negar a sua verdadeira identidade. Filha única de pais bruxos, ela se torna órfã aos sete anos e passa a rejeitar as suas habilidades mágicas, determinada a se parecer o máximo possível com os humanos. Quando descobre acidentalmente um misterioso manuscrito escondido há séculos, Diana traz à tona um mundo sobrenatural aterrador, com uma horda de demônios, vampiros e bruxas. A partir daí, a aventura de Diana por 1500 anos de histórias está apenas começando. Diana Bishop, é tragada contra a vontade para um turbilhão de conspirações e disputas de poder em torno do exemplar perdido Ashmole 782. O manuscrito, redigido pelo alquimista Elias Ashmole, é encontrado por Diana na biblioteca em que pesquisa. Ao tocar o livro, ela sente uma atração irresistível por ele, algo poderosamente mágico, que a faz levá-lo para casa. O que ela não imagina é que o manuscrito é procurado há anos, e cobiçado por seres que ultrapassam a esfera humana, como demônios e vampiros. Um dos interessados na obra do alquimista é Matthew Clairmont, um geneticista com paixão por Darwin. Charmoso e misterioso, apesar da aparência jovem, Matthew vaga pela Terra há mais de 1500 anos. O vampiro se aproxima de Diana, despertando nela uma forte desconfiança de que, por trás de todo o seu galanteio, se esconda apenas o interesse em obter o livro. Os motivos de sua busca pelo exemplar não são revelados, mas o afeto dele pela poderosa bruxa não demora muito a ficar claro. Diana, relutante em assumir sua natureza de bruxa, também resiste a admitir seus sentimentos pelo vampiro. O casal, no entanto, não demora a se formar.

Apesar de ser um livro já bem conhecido de todos, achei interessante colocar a sinopse dele aqui no Vi na Livraria. Motivos, existem de sobra: recém-lançado no Brasil, o romance alcançou os primeiros lugares nas listas dos mais vendidos nos EUA e foi bastante disputado na Feira de Frankfurt em 2009. Além disso, o livro chama a atenção, seja pela capa ou por suas 640 páginas.
A autora, Deborah Harkness, tem participação confirmada na Bienal do Livro do Rio, que acontecerá de 1º a 11 de setembro no Riocentro.

Sobre a autora: Deborah Harkness é especializada em história da ciência, magia e medicina. Além de escrever e lecionar em uma universidade da Califórnia, é apaixonada por vinhos e mantém um premiado blog sobre o assunto, Good Wine Under $20. A Descoberta das Bruxas é seu romance de estreia.

3 de junho de 2011

Frida Kahlo [Rauda Jamis]

Mais que uma simples biografia romanceada, Frida Kahlo (de Rauda Jamis) é uma verdadeira preciosidade.

Frida Kahlo (1907-1954) foi uma consagrada pintora mexicana que revolucionou a arte em seu país e no mundo. Esposa do grande pintor mexicano Diego Rivera, a obra de Frida é caracterizada principalmente por seus famosos autorretratos. Admirada por artistas e intelectuais da época (Picasso foi um deles), Frida teve uma vida singular, na qual arte, dor, amor e política se mesclaram com uma intensidade brutal.

Contraiu poliomielite durante a infância e, aos 16 anos, foi vítima de um terrível acidente que mudou o rumo dos seus dias, fazendo de sua vida uma alternância de torturas causadas pelas inúmeras lesões na coluna vertebral. Passou grande parte da vida prostrada em uma cama e sofrendo o martírio imposto pelos dolorosos corpetes de gesso que era obrigada a usar. A pintura surgiu da dor e suas obras retratavam seu mundo. Ainda que alguns aproximassem sua arte do Surrealismo, ela o negava e, decididamente, reforçava que pintava a própria realidade.

Sinto que sou totalmente suspeita para resenhar esse livro. Primeiro porque tenho uma incansável admiração por Frida Kahlo. E, em segundo lugar, porque há tempos e tempos eu vinha nutrindo uma vontade imensa de ler uma biografia da pintora. Então, como não podia deixar de ser, devorei o livro com uma avidez sem igual. Não houve uma página da qual eu não gostasse (parece exagero, mas garanto que não é!).

Biógrafa e biografada, por vezes, tornam-se uma só durante o texto, conferindo beleza e força à obra. Durante a leitura nos deparamos com extratos de cartas e citações (tão famosas) de Frida, o que torna o livro ainda mais enriquecedor. Um livro especial; disso não tenho dúvidas. Descobrir a vida de Frida Kahlo foi uma experiência envolvente: as dores tão intensas, o amor conturbado com Diego Rivera, o reconhecimento como artista, o trauma de não conseguir ter filhos, o envolvimento com o Partido Comunista,... Leitura mais que obrigatória para os admiradores da pintora mexicana, e para todos os leitores que desejam deixar-se envolver pelo relato de uma trajetória sem igual. A personalidade, a inteligência, a profundidade, o talento e a fibra de Frida surpreendem de verdade.

Li uma edição espanhola e penso que foi uma ótima escolha, já que fazia muito tempo (muito mesmo!) que não lia em espanhol. Porém a recomendaria apenas para quem já tem certo domínio do idioma. Esta edição traz algumas páginas contendo fotos e imagens de algumas das obras de Frida. Achei legal, mas insuficiente (esperava imagens de mais obras), e considero um verdadeiro pecado colocarem em preto-e-branco as imagens das obras. Este foi o único pedacinho do livro que deixou a desejar; porém é sempre bom lembrar que se trata de uma biografia e não de um livro de arte (o foco é a vida da pintora).

Título: Frida Kahlo
Autor(a): Rauda Jamis
Editora: Circe - Grupo Océano
Edição: 2005 (20ª edição)

Um pequeno parêntese: esse livro chegou a mim em um momento muito adequado, perfeito, eu diria. Encontrei-o em março desse ano na lojinha do Museo Thyssen-Bornemiszna, em Madri; entrei no museu para ver a exposição Heroínas, especialmente com o objetivo de ver de perto uma das obras de Frida que fazia parte da exposição. Ao retornar a Dublin (ainda estava lendo o livro), para minha surpresa - e sorte! -, houve uma exposição de Frida Kahlo e Diego Rivera e exibição de dois documentários sobre eles no IMMA - Irish Museum of Modern Art. Ou seja, um complemento valiosíssimo para minha leitura! Foi emocionante ver de perto todas aquelas obras! (A overdose de Frida Kahlo não para por aí... ainda tenho um outro livrinho esperando para ser lido: Frida Kahlo 'I Paint My Reality'.)

Para quem se interessar, existe um conhecido filme sobre a vida da pintora. Frida foi lançado em 2002, dirigido por Julie Taymor e traz Salma Hayek como Frida Kahlo. O figurino chama a atenção (e não podia ser diferente, já que as roupas de Frida eram sua marca registrada) e a trilha sonora é excelente. Gosto bastante do trailer:


(Aliás, fiquei sabendo da existência de um primeiro filme sobre Frida Kahlo, de 1983, chamado Frida, Naturaleza Viva. Confesso que deu vontade de ir atrás dele!)

Voltando ao livro, Frida Kahlo foi publicado no Brasil com o mesmo título pela editora Martins Fontes (mas dei uma rápida pesquisada e parece que não se encontra mais disponível). Conselho: se por acaso der de cara com esse livro em algum sebo, leve-o sem pensar duas vezes!!

- Frida Kahlo - site oficial: www.fkahlo.com

Título: Frida Kahlo
Autor(a): Rauda Jamis
Publicação original: 1985

23 de maio de 2011

Charlie et la Chocolaterie / A Fantástica Fábrica de Chocolate

O post de hoje traz um livro com uma história MUITO conhecida por todos, seja pelo próprio livro ou pelas 2 versões cinematográficas dele. Trata-se de A Fantástica Fábrica de Chocolate, de Roald Dahl. Mas a leitura na qual me baseio ao escrever a resenha é a versão francesa do livro – Charlie et la Chocolaterie – que revela-se também um ótimo material para estudantes de língua francesa.

Mr. Willy Wonka est le plus incroyable inventeur de chocolat de tous les temps. Son usine, la chocolaterie Wonka, doit être un endroit vraiment magique !
L’extraordinaire histoire du jeune Charlie Bucket commence le jour où il gagne l’un des cinq tickets d’or permettant de visiter la mystérieuse fabrique du confiseur. Mais il est bien loin d’imaginer les folles aventures qui l’attendent...

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Ninguém sabia o que acontecia dentro daquela fábrica de chocolate. Tinha gente trabalhando nela, claro, mas ninguém entrava e ninguém saía. Só saiam os doces e os chocolates, bem embrulhadinhos, prontos para serem vendidos. Um dia, os portões da fábrica se abriram para cinco felizardos ganhadores do Cupom Dourado - e o mistério se desvendou.
O leitor é convidado a conhecer o rio de chocolate, a grama de açúcar mentolado, os caramelos de cabelo e mil outras delícias - tudo isso na companhia do incrível Sr. Wonka, o dono da Fantástica Fábrica de Chocolate.


Apesar de ser um livro claramente voltado ao público infanto-juvenil, ele tem tudo para agradar aos adultos também – em especial os que consideram o primeiro filme parte essencial de sua infância.

O livro fala sobre valores e comportamento, tudo muito bem encaixado nas características das personagens infantis que, de tão caricatas, chegam a ser hilárias. Aliás, todas as personagens do livro possuem essa característica caricata (também por tratar-se de um livro infanto-juvenil) e sempre fica muito claro quem é mocinho e quem é vilão. Willy Wonka é uma atração à parte; assim como nos filmes, no livro ele tem algo de levemente sarcástico, alguma malícia não óbvia, mas claro que em nível muito menor do que vemos nas versões cinematográficas. É difícil de saber se o colocamos na coluna dos bonzinhos ou na dos malvados, já que ele tem características de ambas. Eu diria até que ele é o único personagem verdadeiramente adulto (e real) do livro; mesmo os outros adultos (os pais e avós de Charlie e os pais das demais crianças) mostram sinais de uma personalidade mais simplificada, mais simples de ser compreendida.

O texto fácil e claro faz com que o livro possa ser lido em um único dia (pelos mais ávidos e com tempo). Além disso, a edição francesa que li (da Gallimard Jeunesse) traz as ilustrações de Quentin Blake, que ilustrou também outras obras de Roald Dahl. Seus traços simples ganham a simpatia do leitor e proporcionam um aspecto ainda mais lúdico à obra. Um super ponto positivo!

Algo que me surpreendeu um pouco foi perceber que o segundo filme (a formidável versão de Tim Burton, de 2005) é mais fiel ao livro que o primeiro filme, dirigido por Mel Stuart em 1971. Apesar disso, eu sempre preferi o filme antigão, que nos mostra um Willy Wonka muito mais irônico, e por vezes até cruel. Sem falar que os Oompa Loompas da primeira versão e suas musiquinhas são muito mais “cool”.  ;-)

Por falar nas musiquinhas... SIM, elas aparecem no livro!! Achei particularmente genial e, com certeza, é um dos pontos altos do livro.

Em suma, é um livro encantador, divertido e que traz importantes mensagens. Um livro mágico, como só Roald Dahl pode conceber. Penso que todo mundo deveria lê-lo em algum momento da vida.

Sobre a leitura do livro em francês, devo dizer que é excelente para a prática do idioma. Eu o recomendaria principalmente aos estudantes de nível intermediário, que já possuem algum conhecimento dos tempos verbais, para uma leitura mais rica (no site da editora, o livro é indicado à faixa etária dos 9 aos 13 anos). A leitura é simples, e é possível de ser feita mesmo sem o auxílio do dicionário (muitas palavras podem ser perfeitamente compreendidas pelo contexto). Para quem tiver interesse, acredito que o livro possa ser encomendado na Livraria Cultura ou na Saraiva.

Título: Charlie et la Chocolaterie
Autor: Roald Dahl
Editora: Gallimard Jeunesse (www.gallimard-jeunesse.fr)
Edição: 2007


Para alimentar um pouquinho a nostalgia...


Apesar de preferir a versão mais antiga, também gosto bastante da versão de Tim Burton (que, aliás, está entre meus diretores preferidos).


Título: A Fantástica Fábrica de Chocolate
Autor(a): Roald Dahl
Publicação original: 1964

6 de maio de 2011

Ninguém Me Verá Chorar

Joaquín Buitrago, ex-fotógrafo de prostitutas e retratista no sanatório de La Castañeda nos anos 1920, acredita ter identificado numa das pacientes, Matilda Burgos, uma prostituta que ele encontrara anos atrás num dos prostíbulos da capital mexicana, La Modernidad.
Sua obsessão em confirmar a identidade de Matilda faz com que ele tenha acesso às fichas médicas dela. Joaquín, então, descobre as origens da paciente, assim como fatos e experiências determinantes na vida dela. Quanto mais o fotógrafo vai conhecendo a vida de Matilda, mais se convence que eles devem tentar viver juntos.
Estamos num México convulsionado por revoluções, no qual o velho e o novo lutam por seu espaço, e no qual a injustiça brilha sobre quem quer mudar o mundo para melhor. Este entorno é o cenário no qual os personagens desgraçados, perfeitamente perfilados pela autora, vêem evaporar seus sonhos, um atrás do outro, numa tragédia íntima que molda a realidade cultural, não somente do México, mas de grande parte da América Latina.
 
Quando achei esse livro, novinho, em um sebo, fui atraída primeiramente pela capa (que considero bela e singular). Nunca havia ouvido falar nele e tampouco conhecia a autora, mexicana. Mas ao ler a sinopse foi inevitável não levá-lo comigo! Por motivos diversos, mas principalmente por falar sobre o México unindo ficção e realidade, história. Não me arrependi, e considero este livro um pequeno tesouro que jamais sairá da minha prateleira!

Devo começar dizendo que Ninguém Me Verá Chorar não é um livro de leitura muito fácil. Não há tantos diálogos e os capítulos são bastante extensos. Apesar disso, me agradou bastante a linguagem, a forma como a autora nos faz descobrir as etapas da vida de Matilda Burgos. No livro, passado e presente intercalam-se o tempo todo, e algumas vezes fica difícil se situar durante a leitura. Mas isso definitivamente não chega a ser um ponto negativo, uma vez que está ligado intrinsecamente ao jeito como a história nos é mostrada, e não consigo imaginar o livro escrito de outra forma senão essa.

Cada personagem possui personalidade e desenvolvimento excepcionais. É difícil não se envolver. Merecem destaque as fichas médicas ao longo da história (mais precisamente no capítulo 3) que nos contam um pouco de alguns internos do La Castañeda, inclusive com passagens em primeira pessoa, relatos.

Outro ponto que merece ser mencionado é a forma como se mesclam as histórias individuais dos personagens e o momento histórico do México de então, os conflitos políticos, as perseguições. Somos levados para dentro do livro e quase podemos ver diante de nós o que nos é descrito com maestria pela autora. Apesar da história da protagonista ser fictícia – segundo a autora, uma reconstrução livre, fruto da imaginação – a obra é baseada em relatórios clínicos, documentos oficiais, cartas de internos do Manicômio Geral (conhecido como La Castañeda). A autora explica nas notas finais do livro: “Os dados históricos sobre o mundo das ruas, do manicômio e outras instituições de controle social no México porfiriano e na alvorada da pós-revolução provêm da minha tese de doutorado em história latino-americana.”

Achei particularmente interessante a relação entre Joaquín Buitrago e o médico Eduardo Oligochea (que foi cúmplice ao fazer com que Joaquín tivesse acesso à ficha médica de Matilda). Joaquín, durante todo o tempo, sabia que uma relação de amizade seria necessária para chegar ao seu objetivo; Eduardo, hermético e sistemático, se resguardava tão bem quanto ouvia tudo com paciência. Acho este trecho abaixo um bom exemplo para ilustrar tudo isso:
O médico residente não o interrompe. “Sou todo ouvidos.” Dentro dele, alinhadas numa ordem rigorosa, suas próprias emoções estão a salvo. Mudas. Não quer despertá-las. Não tem interesse em compartilhá-las. Se algo aprender nos manuais de anatomia, com as camas imundas dos hospitais, diante do pus e da peçonha da morte, é guardar sob a pele, bem escondido, o pronome eu. Os encontros com Joaquín lhe agradam porque podem transcorrer na terceira pessoa.

Esse outro trecho abaixo, acho-o ótimo para termos uma ideia do La Castañeda. 
O manicômio tem vinte e cinto blocos espalhados em 141.662 metros quadrados. Dentro, protegidos por altos muros e grades de ferro, os loucos e as castanheiras projetam suas sombras sobre lugares afastados do tempo. O manicômio é uma cidade de brinquedo. Tem guaritas, ruas, enfermarias, cárceres, moradias. Há tumulto, rixas, tráfico de cigarros e narcóticos, tentativas de suicídio. Há oficinas onde os homens fabricam esquifes e tapetes sem ferir as mãos com pregos e sem cortar as veias. Não recebem salário. As mulheres lavam os uniformes azuis até deixá-los desbotados e, nas oficinas de costura, fazem mantas e ponchos, remendam camisas e lençóis puídos. Há poetas escrevendo cartas a Deus; mecânicos, farmacêuticos, policiais, ladrões, anarquistas que renunciaram à violência. Acontecem histórias de amor. Melancolia calada. Classes sociais. Desespero que se expressa com gritos. A dor não acaba nunca.

Matilda Burgos é um enigma a ser decifrado ao longo do livro. Incompreensível em meio ao labirinto de sua própria vida, mas ao mesmo tempo de uma vulnerabilidade não óbvia. Chego até mesmo a pensar (mesmo não me sentindo no direito de tirar tais conclusões), que se Matilda tivesse aprendido a enfrentar e compartilhar suas perdas, sua dor, seu caminho teria sido outro, talvez nunca tivesse ido parar em um manicômio.
Colecionou suas lembranças e, uma a uma, as guardou em um lugar oculto. Depois, fechou a porta e colocou-lhe o cadeado do silêncio. “Ninguém me verá chorar. Nunca.” Mais que a própria dor, Matilda temia a compaixão alheia. Desde muito antes e sem saber havia decidido viver todas as suas perdas sozinha, sem a intromissão de ninguém, às vezes nem de si mesma.

Nem preciso dizer que adorei o livro, inclusive fiquei bastante interessada em ler outras obras de Cristina Rivera Garza. E com certeza o farei!

Por fim, durante toda a leitura, fui surpreendida e deleitei-me com belas frases, cheias de significados não escancarados, mas que fazem pensar e concordar. Deixo algumas dessas frases aqui: 
Nos edifícios da linguagem sempre há corredores sem luz, escadas imprevistas, sótãos ocultos atrás das portas fechadas, cujas chaves se perdem nos bolsos furados do único dono, o soberano rei dos significados.

Há certas conversas que só podem se realizar em silêncio.

O abraço que antecede o amor, no qual o amor culmina, é tépido como uma brisa, escuro como uma mina. Uma fotografia.

Título: Ninguém Me Verá Chorar
Autor(a): Cristina Rivera Garza
Publicação original: 1999

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