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24 de agosto de 2012

Vi na Livraria: Borralheiro (minha viagem pela casa), de Fabrício Carpinejar



Há alguns anos li, assim por acaso e de um só fôlego, os textos de Canalha!. E foi uma deliciosa descoberta, já que não conhecia nada do autor. Nele, Carpinejar me cativou com o humor de suas crônicas, com a figura do homem dos dias atuais, seu comportamento e seu papel – ambos em constante transformação.
Por isso escolhi Borralheiro para o Vi na Livraria. Uma outra faceta do homem contemporâneo. Um livro que me atrai e que quero, um dia, ler.

BORRALHEIRO (minha viagem pela casa), de Fabrício Carpinejar, Ed. Bertrand Brasil, 2011.

O homem é o novo dono do lar. O novo romântico. O novo casamenteiro. Não tem vergonha de chorar, lembra a data do primeiro beijo e conhece de cor e salteado onde ficam as toalhas e quais estão secas.

Em 100 crônicas, o escritor confidencia as estratégias divertidas de sedução e faz advertências saborosas, como nunca mexer no umbigo da namorada ou apertar suas bochechas. Em altas doses de lirismo e humor, Carpinejar embarca em uma viagem sem volta pela residência. Passeia por cada cômodo, brincando com as diferenças do comportamento entre marido e mulher e destruindo condicionamentos do sexo e do amor. O escritor não foge de uma boa discussão de relacionamento, tanto que acha que a briga deveria ser profissionalizada com O Dia da DR.

Depois dos sucessos de Canalha! e Mulher Perdigueira, Carpinejar retrata a mudança do comportamento masculino. Descobre agora o Borralheiro, personagem que não se sente menosprezado por cuidar das tarefas domésticas. O autor convida cada um a repensar a rotina e se apaixonar novamente pelo casamento. Se em Canalha!, ele indicava a importância dos bicos da caixa de leite, aqui divide com a mulher copos de requeijão e iogurte.

Para ler algumas das crônicas de Borralheiro, acessem a página do livro.

7 de agosto de 2012

5 motivos para ler Nelson Rodrigues


Nelson Falcão Rodrigues, ou simplesmente Nelson Rodrigues, nasceu na cidade de Recife, em 23 de agosto de 1912. Reconhecido como um grande escritor, dramaturgo e cronista, está imortalizado na literatura brasileira. Foi repórter policial, escreveu crônicas, contos, correio sentimental, folhetins, comentário esportivo (era apaixonado por futebol) e artigos opinativos. O teatro entrou em sua vida por acaso, devido a dificuldades financeiras, e aí se consagrou, apesar de suas peças serem constantemente consideradas como obscenas e imorais.
Faleceu no Rio de Janeiro, em 21 de dezembro de 1980.

Nelson Rodrigues completaria 100 anos em 2012. Por ocasião do centenário do autor, vários eventos estão rolando em todo o país. Exposições, peças, leituras, debates... Vale a pena conferir.

E vamos aos 5 motivos...

1. Nelson Rodrigues foi um importante representante da literatura teatral do seu tempo e a peça “Vestido de Noiva” foi um marco no teatro brasileiro moderno por seu caráter inédito. Tendo escrito dezessete peças teatrais, o autor enfrentou problemas com a censura e a polêmica em torno de suas obras, já que o erotismo esteve muito presente. O crítico Sábato Magaldi editou as obras de Nelson Rodrigues em quatro volumes, dividindo-as em três grupos: Peças psicológicas, Peças míticas e Tragédias cariocas. O autor assinava algumas de suas obras sob o pseudônimo Suzana Flag.

2. A originalidade foi um aspecto marcante do autor. Realista em pleno Modernismo, chegou a ser considerado um novo Eça de Queirós. Nelson Rodrigues criticou sordidamente a sociedade e suas instituições, principalmente o casamento, transpondo a tragédia grega (e suas regras) para a sociedade carioca do início do século XX, dando surgimento à contemporânea “tragédia carioca”. O aspecto erótico foi sempre bastante marcante em sua obra.

3. Em vida, acompanhou a adaptação cinematográfica de sua obra, tendo colaborado com o roteiro de “A Dama do Lotação”, “Bonitinha, mas ordinária” e “Álbum de Família”. Foi responsável, também, por escrever os diálogos para os filmes: “Somos Dois”, de Milton Rodrigues, e “Como ganhar na loteria sem perder a esportiva”, de J. B. Tanko.
Ainda, Nelson Rodrigues foi pioneiro na teledramaturgia brasileira com a autoria da novela “A Morta Sem Espelho” para a extinta TV Rio. Outras novelas foram baseadas na obra do autor, como “O Homem Proibido” e “Meu Destino é Pecar”, entre outras, e também a conhecida minissérie “Engraçadinha: seus amores e seus pecados”.

4. A série televisiva “A vida como ela é...” foi baseada nas obras de Nelson Rodrigues (com adaptação de Euclides Marinho e dirigida por Daniel Filho). Fruto de uma apurada observação sobre o mundo, “A vida como ela é...” trazia temas do universo passional. A série foi exibida no programa Fantástico, da Rede Globo, em 1996, com reprise em 1997 e em 2001.

5. Nelson Rodrigues foi autor de inúmeras frases – as “pérolas rodrigueanas”. Suas “mil melhores frases” foram organizadas pelo jornalista e escritor Ruy Castro e publicadas pela editora Companhia das Letras sob o título de Flor de Obsessão.

“Só o rosto é indecente. Do pescoço para baixo, podia-se andar nu.” [Nelson Rodrigues]


PRINCIPAIS OBRAS:

Peças:
Mulher sem Pecado (1941)
Vestido de Noiva (1943)
A Falecida (1953)
Os Sete Gatinhos (1958)
Boca de Ouro (1959)
Beijo no Asfalto (1960)
Toda Nudez Será Castigada (1965)
Teatro Completo (1981-89) – Organização de Sábato Magaldi, 4 volumes

Romances:
Meu Destino é Pecar (1944) – como Suzana Flag
O Homem Proibido (1951) – como Suzana Flag
O Casamento (1966)

Contos:
Cem Contos Escolhidos – A vida como ela é... (1961) – 2 volumes
Elas Gostam de Apanhar (1974)
A vida como ela é... – O homem fiel e outros contos (1992) - Seleção de Ruy Castro

Crônicas:
Memórias de Nelson Rodrigues (1967)
O óbvio ululante (1968)
A cabra vadia (1970)
O reacionário (1977)

Frases / Depoimentos:
Flor de Obsessão: as 1000 melhores frases de Nelson Rodrigues (1997) – Organização de Ruy Castro
Nelson Rodrigues – por ele mesmo (2012) – Organização de Sônia Rodrigues, filha do autor


PARA SABER MAIS:

Nelson Rodrigues: 100 anos – site comemorativo do centenário do autor, da Editora Nova Fronteira
Nelson Rodrigues, o Eterno – matéria da revista Bravo! (edição 173, jan/2012)

30 de julho de 2012

Vi na Livraria: Triângulo das Águas, de Caio Fernando Abreu



Para o Vi na Livraria de hoje decidi escolher uma das obras de um autor que há tempos quero descobrir. Triângulo das Águas atraiu bastante minha atenção e me deixou curiosa, assim como alguns outros livros do autor (por exemplo, Morangos Mofados e Pequenas Epifanias, entre outros).


TRIÂNGULO DAS ÁGUAS, de Caio Fernando Abreu, ed. Agir

A janela escancarada abre-se para a noite enorme lá fora, onde ruge uma cidade estufada de rumores e procuras. Nesse ambiente, cinza e chuvoso, movem-se as personagens-zumbis de Caio Fernando Abreu.

Reconhecido com o Prêmio Jabuti – a naior honraria literária brasileira –, Triângulo é também um título exemplar do ponto de vista do estilo do autor: nas linhas das novelas que o compõem – Dodecaedro, O marinheiro e Pela noite – encontram-se cristalizadas algumas constantes na obra de Caio. A alma perdida em busca de alguma coisa (às vezes afeto), a verborragia e as referências que, longe de afetadas, exalam sinceridade e aproximam os leitores, a vida sob o signo da madrugada, as boas-vindas aos mistérios da existência, concretizados, neste livro, pela presença da astrologia (inclusive no título), e o tom confessional-desesperado.

Ao leitor destas novelas (ou noturnos, como o autor as chamou) não restará dúvidas quanto às razões por que Caio Fernando Abreu é considerado um dos escritores mais criativos e inovadores surgidos no Brasil nas últimas três décadas do século 20.

30 de maio de 2012

Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios [Marçal Aquino]

Aos que foram leitores vorazes da série Vaga-Lume, o nome Marçal Aquino provavelmente fará lembrar A Turma da Rua Quinze. Fora os títulos infanto-juvenis, o autor escreveu poesia, roteiros de cinema e romances para o público adulto; isso além de atuar no campo do jornalismo. Mas este post é justamente para falar sobre o livro cuja adaptação estreou nos cinemas recentemente: Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios.

O fotógrafo Cauby se recupera de um trauma numa pensão barata, numa cidade do Pará prestes a ser palco de uma nova corrida do ouro. Sua voz é impregnada da experiência de quem aprendeu todas as regras de sobrevivência no submundo – mas não é do ambiente hostil ao seu redor que ele está falando. O motivo de sua descida ao inferno é Lavínia, a misteriosa e sedutora mulher de Ernani, um pastor evangélico.

A trajetória do fotógrafo, dado a premonições e a um humor desencantado, vai sendo explicada por meio de pistas: a história do fotógrafo Chang; o mistério do jornalista local Viktor Laurence,... Mesmo diante de todos os riscos, Cauby decide cumprir seu destino com o fatalismo dos personagens trágicos.

"Nunca acreditei no diabo", diz ele. "Apenas em pessoas seduzidas pelo mal."


Se o título e a capa – linda, por sinal – já atraem atenções, esperem até devorar esta história, página por página, até o último ponto final. Uma história de amor avassaladora e cheia de particularidades nos é contada em primeira pessoa por Cauby. Outras histórias são contadas em paralelo, como por exemplo, a que une o pastor Ernani e Lavínia – esta, o objeto de amor e desejo de Cauby. Ainda, o relato da história do amor platônico vivido pelo careca, hóspede da pensão, entremeia-se muitas vezes com a história de Cauby, mostrando as dimensões e facetas do amor, e as loucuras que só os que o sentem são capazes de cometer.

Mas a cereja do bolo é Lavínia. Misteriosa e sedutora, ela se desdobra em duas: uma mais recatada e, oposta a esta, uma Lavínia selvagem e cheia de volúpia. Revelou-se uma personagem como poucas vezes presenciei nos livros. Ainda que o texto navegue pelo psicológico de Lavínia, uma aura de mistério permanece intocada – o principal atrativo do livro. Em minha modesta opinião de leitora, vejo em Lavínia traços da Capitu machadiana – no que se refere ao aspecto sedutor e à bruma de segredo que as envolve. Livros e mais livros poderiam ser escritos, ainda assim, admitamos, seria impossível penetrar certos cantos da mente, da alma e do coração de Capitu. E foi de forma semelhante que enxerguei a Lavínia de Marçal Aquino.

Palavras sábias são adicionadas através das citações de um tal professor e psiquiatra Benjamim Schianberg. Este “teórico do amor”, que só existe na ficção, expressa verdades de forma tão direta quanto crua em seus livros, cujos trechos Cauby divide com o leitor:
O professor Benjamim Schianberg, o homem que dizia ocupar-se das “fezes da alma”, escreveu que nos alimentamos tanto do bem quanto do mórbido. No meio disso, ele assunta, existe a poesia.
(Curiosidade: o personagem foi objeto de inspiração para o filme “O Amor Segundo B. Schianberg” - direção de Beto Brant, Brasil, 2009.)

Página de abertura da primeira parte da história
(Imagem: blog prascucuias.com.br)
Outros personagens enriquecem a trama. Em todos eles existe um quê de mistério, como se fossem parte de um intrincado jogo de palitinhos – aquele em que ao tocar um palito erroneamente, acabamos por mover todos os restantes. Ainda, e permeando todo o contexto da trama, há o conflito entre uma companhia mineradora e os garimpeiros, fazendo com que o clima de tensão esteja sempre presente na narrativa. Uma tensão geral, que abala a cidade, caminhando em paralelo com as tensões individuais de cada personagem.

Sem mais, seria injusto não concluir de forma imperativa: leiam Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios o quanto antes!

Trailer do filme Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios (direção de Beto Brant e Renato Ciasca, 2011), cujo roteiro é do próprio Marçal Aquino:



Título / Título original: Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios
Autor(a): Marçal Aquino
Editora: Companhia das Letras
Edição: 2011
Ano da obra: 2005
Páginas: 232

16 de abril de 2012

Lançamento 03/05: Equinócios de Amor

Hoje vim trazer para vocês um release (mais fresquinho, impossível!) de um lançamento da Editora Alcantis. Trata-se de Equinócios de Amor, do qual participo com o conto "Rambla de Mar".

Confiram abaixo mais detalhes sobre o livro e sobre o lançamento, que será no dia 03 de maio!
(Apesar da empolgação, estou tão triste por não poder ir ao lançamento...)

SINOPSE:
Antologia que traz para o universo literário uma série de contos românticos inspirados no relacionamento humano romântico e apaixonado, produzidos por novos talentos da literatura nacional que demonstram, nesta linda obra, bastante personalidade com narrativas que encantam e emocionam o leitor. O livro reúne contos que abordam questões como relacionamentos proibidos, paixão arrebatadora, destinos cruzados, entrega incondicional, mas também traz contos que discorrem sobre as oportunidades perdidas e os desdobramentos de um amor que não foi correspondido.

“Observá-la pela primeira vez, para Alessandro, foi como olhar um arco-íris de tons pastéis... Começou pelos cabelos, muito lisos, que caíam na altura do pescoço, sem tocar-lhe os ombros. Eram de um azul-turquesa a princípio duvidoso, porém deliciosamente excêntrico quando observado com calma.”

“Ao fechar a porta do carro, ainda encarando os castanhos melancólicos, a jovem suspirou em derrota. Durante meses ela desejou reencontrá-lo para dizer que fizera falta, que o admirava, que aprendera a vê-lo mais do que um amigo. No entanto, agora, suas palavras em nada resultariam.”

SOBRE A ANTOLOGIA:
Equinócios de Amor é a materialização de uma iniciativa que nasceu com uma proposta audaciosa, de exortar novos autores à criação de contos que permeassem a sensibilidade existente no relacionamento apaixonado entre duas pessoas, e que reuniu, após duas fases eliminatórias, considerando as regras de utilização da língua portuguesa e os seus aspectos técnicos, 14 encantadoras histórias criadas pelos autores eleitos:
Agatha - Alamanda - Alaor Rocha - Aline T.K.M. =P - Augustos Reis - Denise Smith - Francine Porfirio Ortiz - Maggie King - R. Artur Freire - Ren Deville - Ricardo Biazotto - Wellington S.O.

FICHA TÉCNICA:
Gênero: Contos/Crônicas
Editora: Alcantis/APED
Ano: 2012/1ª Edição
Nº de páginas: 144
ISBN: 978-85-98792-35-4
Preço: R$ 19,90

LANÇAMENTO:
Quando? 03/05/2012
Que horas? A partir das 17h
Onde? Livraria da Travessa - Rua Sete de Setembro, nº 54 - Centro - Rio de Janeiro, RJ

10 de abril de 2012

A Arte da Invisibilidade [Allan Pitz]

“A arte da invisibilidade visa condicionar o homem moderno ao intelectualismo de avanço real e lógico, natural, em acordo com sua época. E, ousadia das ousadias, visa trazer de volta o homem pensador, que vagaria pelas prisões hipnóticas sem se deter a nenhuma delas. Apenas isso.”


Em A Arte da Invisibilidade, um tema que não é de todo novo nos é trazido acompanhado de metáforas interessantes e um humor característico. Um punhado de teoria da conspiração, a sociedade como órgão manipulador e objeto manipulado, e a plena consciência de tudo isso são abordados no livro. A diferença fica por conta de uma roupagem mais “pop” e bem-humorada – o sarcasmo é bastante utilizado aqui – que faz o assunto parecer menos complexo e mais atraente, principalmente aos olhos dos leitores mais jovens. Deparamo-nos com a ideia da existência de uma “matrix” capaz de controlar a sociedade e decidir seus rumos – inclusive, o livro faz referência à filosofia que permeia o filme Matrix. Escapar desta espécie de “ilusão” à qual somos todos submetidos e alcançar, portanto, a invisibilidade, é a principal proposta do livro.

O texto se desenrola na forma de um verdadeiro monólogo – como já avisa o subtítulo –, um desabafo do autor para com quem o lê. Não associem, porém, a palavra “monólogo” a um significado próximo de “entediante”, pois isso não seria verdadeiro. A leitura se faz de forma fluida e o livro é supercurtinho (132 páginas), daqueles que a gente até consegue ler na pausa do cafezinho (forcei, mas até que nem tanto!). Uma característica interessante foi que o autor bolou uma série de termos metafóricos para ilustrar suas ideias. Um glossário pode ser encontrado ao fim do livro com breves explicações dos termos.

Além disso, outro aspecto legal é a inclusão de frases de pensadores/escritores/filósofos intercalando os capítulos. O autor fez algo semelhante em Estação Jugular, e eu considero tal artifício realmente interessante.

Apesar do humor presente e do tema que, por si só, já é bastante interessante, fiquei com a impressão de que o autor esbarrou um pouco na repetição de ideias, além do texto adotar notável tom pretensioso em certos momentos. Enquanto algumas ideias aparecem e reaparecem, outros conceitos foram abordados apenas superficialmente – o que é, no caso, totalmente compreensível, já que entendo que o objetivo não tenha sido conceber uma “enciclopédia” sobre o assunto. O livro representa ótimo convite à reflexão aberta e sincera e, para aqueles que se interessarem, um incentivo à descoberta de todo o lado filosófico, sociológico (e etc) contido no tema.

Acho válido mencionar que o último capítulo faz um apanhado geral das ideias e conceitos apresentados no livro – aliás, tais ideias poderiam ser relativamente bem compreendidas com a leitura do referido capítulo apenas. Este é um ponto positivo, já que sintetiza toda a informação e ideias expostas, colocando um “pequeno kit para reflexão” pronto nas mãos do leitor.

Achei que esta foi uma leitura bastante válida, apesar de certamente não estar entre as minhas favoritas – ainda que o tema me seja fascinante. Incluindo um último comentário, pessoalmente, não gostei da sinopse da contracapa: achei-a “marketeira” demais e não totalmente condizente com a obra. O trecho na orelha do livro me pareceu bem mais apropriado, mas é só uma opinião pessoal. ;-)

Título / Título original: A Arte da Invisibilidade
Autor(a): Allan Pitz
Editora: Dracaena
Edição: 2011
Ano da obra: 2011
Páginas: 132

5 de janeiro de 2012

5 motivos para ler Clarice Lispector

CLARICE LISPECTOR nasceu a 10 de dezembro de 1920 em Tchetchelnik, na Ucrânia. Seu nome de batismo era Haia Pinkhasovna Lispector; foi chamada Clarice ao mudar-se com sua família para o Brasil (mais precisamente para Maceió), em 1922. Naturalizada brasileira, Clarice sempre considerou o Brasil como sua verdadeira pátria. Faleceu no Rio de Janeiro, a 9 de dezembro de 1977.

Vamos aos 5 motivos?!

1. Seu primeiro romance, Perto do coração selvagem, surpreendeu a crítica e ganhou o prêmio da Fundação Graça Aranha de melhor romance de estreia, em 1944.

2. Devido ao caráter introspectivo e existencial de sua literatura, Clarice teve seu estilo associado a escritores clássicos e consagrados, como Virginia Woolf e James Joyce – porém ela mesma afirmou nunca tê-los lido antes de escrever seu primeiro romance. Além disso, foi chamada de “Kafka da América Latina” pelo jornal New York Times.

3. Apesar de ser considerada pela crítica brasileira e estrangeira como uma das maiores escritoras do século XX, Clarice Lispector curiosamente se autodenominava amadora. Além de dizer que não escrevia por profissão, ela também recusava o título de intelectual – a autora utilizava da intuição e do instinto, e afirmava que não era uma pessoa de muita cultura.

A Hora da Estrela (capa)
4. A Hora da Estrela. Isso mesmo; provavelmente todo mundo aqui já ouviu falar da história de Macabéa, uma datilógrafa nordestina que migra para o Rio de Janeiro em busca de melhores condições de vida. Este é, talvez, o romance mais famoso da autora, e foi o último publicado antes de sua morte. Livro sensacional, figura com frequência nas listas de obras obrigatórias dos vestibulares – sem mencionar que, em algum momento do ensino fundamental ou médio, fomos apresentados a esta obra no colégio (felizmente!). Para reforçar ainda mais o quão especial é o livro A Hora da Estrela, sugiro que vejam o filme. Ele ilustra muito bem o livro, vale a pena. (A Hora da Estrela, dirigido por Suzana Amaral, 1985, Brasil.)

5. Além de escritora, Clarice Lispector foi colunista do Jornal do Brasil, do Correio da Manhã e do Diário da Noite. Utilizando-se de pseudônimos, a autora escrevia sobre beleza, moda e comportamento. Também, Clarice escreveu algumas obras destinadas ao público infantil.


PRINCIPAIS OBRAS:

Perto do Coração Selvagem (1943)
Laços de Família (1960) - contos
A Paixão Segundo G.H. (1964)
Água Viva (1973)
A Via Crucis do Corpo (1974) - contos
A Hora da Estrela (1977)


Existem, certamente, bem mais de 5 motivos para ler Clarice. Escolhi-a para este post em função da minha vontade imensa de descobrir mais e mais de suas obras. Eis uma autora que me encantou desde a primeira frase sua que li!

19 de dezembro de 2011

Cadê a literatura?

Para quem não sabe, no momento estou morando na cidade de Clermont-Ferrand (departamento de Puy-de-Dome), na França. E foi na edição de dezembro da revistinha do departamento que li uma notícia sobre o incentivo à leitura desde cedo – bem cedo. Trata-se de uma iniciativa muito legal: cada bebê nascido ou adotado no departamento recebe gratuitamente seu primeiro livro, no endereço de domicílio, entre o 3º e o 4º mês após o nascimento. Não é nem mesmo necessário que a família solicite. Cada ano, uma obra diferente é escolhida. A ação visa combater as desigualdades em relação ao acesso aos livros e à cultura literária, além de reforçar o fato de que, ao abrir um livro, os bebês dão os primeiros passos para um melhor desenvolvimento da linguagem. Além desta iniciativa, digna de ser tomada como exemplo, a midiateca departamental organiza desde 2010 uma programação especial para crianças de 6 meses a 6 anos de idade, que inclui espetáculos, encontros literários, exposições, leituras de contos e jogos para familiarizá-los com o universo da literatura.

Comecei o post compartilhando com vocês essa notícia porque ela me trouxe várias lembranças em relação a minha infância – mais precisamente à parte literária dos meus dias de criança –, e também para engatar um tópico sobre a disseminação da literatura entre as crianças.

Não me lembro de ter participado de eventos literários quando criança, mas é fato que desde cedo a literatura me encantava. Alguns livros continuam na minha memória e foram peça fundamental no desenvolvimento da minha paixão por literatura. São eles:


Os três continuam à venda, e acredito que também continuem a ser adotados pelas escolas. Li outros tantos livros também, mas estes foram os que mais me marcaram na infância (acho que li umas 20 vezes cada um!).

E a literatura não estava só nos livros! Quem foi criança em meados dos anos 90 certamente se divertia à beça com Castelo Rá-Tim-Bum. Quem não adorava quando as crianças entravam na biblioteca do castelo, habitada pelo Gato?! Lembro vivamente da Biba lendo poemas de Cecília Meireles – enquanto animações encantadoramente simples passavam na tela. Quer coisa mais linda que mostrar Cecília Meireles para as crianças de um jeito lúdico?

Grande parte do universo que embalou a infância de muitos durante os anos 90 foi perdida. Nostálgica demais? Talvez. Ainda assim, imagino que muitos concordem que a infância da geração nascida entre o início e o fim dos anos 80 teve um quê de mais especial, algo de mágico que hoje em dia – infelizmente – não existe mais. E a literatura – principalmente a brasileira – na TV infantil? Não sei aonde ela foi parar; se alguém souber, fique à vontade para se manifestar!

Apesar de tudo, é inegável que o cinema, através das adaptações, vem contribuindo bastante para a disseminação da literatura juvenil – ainda que a ênfase esteja nos jovens e não nos mais novinhos, e que a maioria massiva desse conteúdo venha de outros países. É incrível ver como personagens saem dos livros e ganham um espaço incrível em outros meios. Harry Potter com certeza foi divisor de águas em tal quesito.

Ainda que a literatura infanto-juvenil contemporânea tenha ótimas ferramentas para atrair as crianças e os livros para bebês se superem cada vez mais em criatividade, sou da opinião de que falta familiarizar os mais novos com alguns nomes consagrados da literatura nacional. Além do fator conhecimento, acredito que seria importante também no sentido de aprender a valorizar mais a literatura brasileira.

Inserir a literatura no dia-a-dia dos bebês; criar mais pontos de contato entre os grandes nomes da literatura nacional e as crianças; enraizar o gosto pela leitura e a importância de conhecer e reconhecer o que nosso país produziu e produz... Valorização da literatura brasileira = valorização da identidade e cultura nacionais. Meio utópico ainda? Espero realmente que, um dia, não mais o seja.

14 de dezembro de 2011

Ainda Não Te Disse Nada [Maurício Gomyde]


“Ninguém mais escreve cartas hoje em dia”, ela pensava. Até que um dia uma caiu em suas mãos e mudou o rumo de sua vida. Levou-a ao lugar que sempre sonhou. E a conhecer o amor do jeito que nunca imaginou, da forma mais improvável do mundo...

Ainda Não Te Disse Nada traz como protagonista Marina, 25 anos, garota do interior que estuda moda em São Paulo. Seu dia-a-dia começa no trabalho em uma agência dos Correios, seguido de uma parada no café de uma livraria (onde ela busca inspiração em revistas de moda e copia seus modelos favoritos), para então ir às aulas na faculdade (e colocar os assuntos em dia com as amigas Francesca e Thaís). Os finais de semana, Marina geralmente passa com os pais e os irmãos em São Pedro da Serra. A rotina segue seu ritmo, até que uma pequena grande “missão” surge na vida de Marina e traz consigo um turbilhão de mudanças, questionamentos e sentimentos inesperados.

Antes de mais nada, um aviso: ponham de lado sua faceta mais racional, suas rabugices e descrenças, e só então comecem a leitura. Este é um livro para as(os) românticas(os)!
Assim como em O Mundo de Vidro, a história é leve e apaixonante. Há pitadas de humor e muita descontração, mas também nos deparamos com belas frases que nos tiram o fôlego.

Ainda que narrado em terceira pessoa, vemos tudo através da perspectiva da protagonista. Marina é divertida e é a típica garota certinha, romântica, cheia de convicções – uma espécie de heroína romântica contemporânea. Os personagens são todos bastante divertidos e apresentam forte aspecto real – temos a sensação de que cada um se parece a alguém que conhecemos.

Se por um lado os personagens são bem humanos e “reais” (tal como o ambiente no qual estão inseridos), o enredo em si não é muito pé no chão. É justamente esta característica que o torna especial. O livro nos mostra uma protagonista “perfeita” em busca de seus sonhos, estes também carregados de boa dose de perfeição. A leitura flui com enorme facilidade e o enredo envolve o leitor a ponto de fazê-lo deixar-se levar completamente pela história. Os trechinhos de músicas transcritos dão um toque especial à leitura. (Vocês podem ouvir a trilha sonora do livro no blog do autor)

Finalizei a leitura com certa curiosidade em relação a alguns detalhes sobre os acontecimentos finais. Gostaria de ter lido em detalhe a sucessão de alguns fatos responsáveis pelo final do livro. Esta curiosidade foi bem particular, não sei se os demais leitores compartilhariam da mesma opinião. Apesar desse pequeno “porém”, o encanto da história é preservado; se não temos todos os detalhes que ansiamos, o livro certamente nos dá ferramentas para criar tais cenas em nossas mentes.

Uma leitura deliciosa, para se envolver e se perder completamente na delicadeza de uma singular história de amor!

Título: Ainda Não Te Disse Nada
Autor(a): Maurício Gomyde
Editora: Porto71
Edição: 1ª (2011)
Ano da obra: 2011

Não deixem de participar do sorteio valendo 1 exemplar autografado de Ainda Não Te Disse Nada, e ainda concorra a 1 iPad 2. Só até 19/12! Saiba mais.

Se tiver interesse em comprar o livro, ele está disponível aqui.

12 de novembro de 2011

Lucíola [José de Alencar]


Independente e altiva, Lúcia, a mais rica cortesã do Rio de Janeiro, não se deixava prender a nenhum homem. Até conhecer Paulo. A partir daí, ela se vê totalmente entregue; tudo o que quer é permanecer junto dele. Esse romance passa a ser o assunto mais comentado na Corte. Os comentários chegam aos ouvidos de Paulo e o incomodam profundamente. Valeria a pena romper seu relacionamento só para manter a boa imagem diante das pessoas?

Clássico do Romantismo brasileiro, Lucíola retrata o amor entre Lúcia, cortesã de luxo, e Paulo no Rio de Janeiro do século XIX. No decorrer do livro acompanhamos a transformação (“purificação”) de Lúcia. O livro faz parte dos “perfis de mulheres” de Alencar (junto com as obras Diva, A Pata da Gazela e Senhora).
Na época, o romance foi bastante criticado por mostrar o problema social da prostituição, que era conhecido porém tratado com indiferença. Houve críticas também devido ao não uso do Português clássico.

Lucíola é narrado em primeira pessoa por Paulo, sendo um relato de seu relacionamento com Lúcia que ele escreve a uma suposta senhora. Com isso, ele tem por objetivo mostrar que mesmo levando uma vida leviana é possível manter a nobreza da alma.

Esse é um livro que não li quando devia (lá no ensino médio); na época julguei a leitura desnecessária devido a uma super aula explicativa a respeito do mesmo (apesar de ser uma leitora ávida desde a infância, claro que eu torcia o nariz para alguns livros de leitura obrigatória, como todo adolescente, imagino eu). Mas o interessante disso é que não me arrependo de não tê-lo lido então: essa leitura, hoje, me proporcionou um prazer que na época acredito que não teria sido igual.

Adianto que não é um livro difícil ou enfadonho. A narrativa é gostosa e flui com facilidade, os personagens são envolventes (ainda que, muitas vezes, incompreensíveis em seus atos) e a história de amor entre os protagonistas é particularmente bela.

Edição que li: traz um bom
material de apoio didático
O mais interessante neste romance urbano é notar as particularidades comportamentais da sociedade da época, além da hipocrisia e falso moralismo retratados. A preocupação com a reputação e a boa imagem perante a sociedade faz com que Paulo aja de forma contraditória, causando complicações e sofrimento à relação com Lúcia. Interiormente, Paulo mostra-se mesmo bem frágil no que diz respeito ao amor. Apesar de ser narrado por Paulo, percebemos que Lúcia demonstra ter consciência de seus atos e um constante sentimento de culpa que a atormenta. Nela, anjo e demônio vivem e dividem o mesmo espaço. O amor, através de Paulo, resgata sua pureza, sendo o agente de sua redenção.

Apesar da maioria de nós conhecermos já o enredo e o final de Lucíola devido a certa familiaridade com a obra no período escolar, recomendo fortemente a leitura. Se você ignorou essa leitura na escola (como eu fiz), leia-a agora: considero um desperdício não ler algo de tamanha qualidade. E se você já leu a obra há alguns anos atrás, no ensino médio, leia-a novamente: certamente a leitura será feita sob um novo e mais prazeroso olhar.

(Destaco em especial a edição que li – esta da capa logo acima, à direita – que, mesmo sendo meio velhinha, traz uma introdução bastante didática a respeito do momento histórico e do Romantismo, além de informações biográficas do autor. Também conta com notas de rodapé muito úteis durante a leitura.)

Título / Título original: Lucíola
Autor(a): José de Alencar
Editora: Moderna
Edição: 1993 (Coleção Travessias)
Ano da obra / Copyright: 1862

24 de outubro de 2011

Lançamento: O Dono da Lua, de Ronize Aline

Quem aqui já passou dos 20 mas ainda para na livraria para espiar algum livro infantil? Eu! Quem ainda se encanta com ilustrações e detalhes lúdicos dos livrinhos para os pequenos? Euuu!

Não tem nada mais gostoso que aquele sentimentozinho nostálgico que experimentamos ao nos depararmos com algo que remeta à infância. Pode ser um filme, um brinquedo, um livro... E não posso esconder que fiquei encantadinha com o lançamento do livro infantil O Dono da Lua, da escritora carioca Ronize Aline. O livro tem lançamento previsto para novembro pela Escrita Fina Edições, mas desde já a autora vem fazendo campanhas recheadas de novidades, brincadeiras e promoções nas mídias sociais.

Confiram o vídeo do livro:



O Dono da Lua tem um blog (destaque especial para os posts acerca das ilustrações do livro) e está no Facebook também.

E para quem tem criança na família (infelizmente não é o meu caso...), o livro pode ser uma excelente opção para o Natal.

10 de outubro de 2011

O Voo da Estirpe [Adriana Vargas Aguiar]

O review de hoje traz uma obra participante do Clube dos Novos Autores. Para quem não conhece a iniciativa, vale a pena visitar o blog. =)

Uma história de amor que ultrapassa barreiras. Clarice vive seus dias sem realmente se dar conta de que está viva, sem aproveitar cada instante e cada sopro de vida em seus poros. Até conhecer Klaus, portador de uma doença terminal. O amor é inevitável e vem acompanhado do medo da perda. Através de Klaus, Clarice descobre o que significa viver e, a partir de então, liberta-se de antigos padrões para finalmente encontrar-se com ela mesma, em um importante ciclo de autoconhecimento.

O Voo da Estirpe – primeiro livro da trilogia de mesmo nome – traz uma leitura rica em conteúdo. Repleto de sentimento, o enredo emociona e incentiva a reflexão. Diria até que é praticamente impossível ler o livro e não ser tocada(o )por ele em nenhum momento.

Clarice, a personagem central, nos narra em primeira pessoa toda a transformação pela qual sua vida é submetida. E essa característica da narração é, a meu ver, mesmo fundamental para que a história tenha certo tom pessoal, aspecto que envolve o leitor como se este recebesse confidências com o coração aberto.

Ainda mais que os acontecimentos em si, o que realmente cativa o leitor são os personagens, Clarice e Klaus, tão humanos em suas qualidades e defeitos, erros e acertos. Inclusive arrisco dizer que todo mundo tem um pouco de Clarice em si. Através da jornada ao encontro de sua essência como ser humano, somos levados a olhar para o interior de nós mesmos e, nem que seja por um instante, passamos a ver a vida portando outras lentes. Já Klaus, por sua vez, lida com sua condição de maneira admirável – chega a ser meio surreal, confesso, mas ainda assim, carrega grandiosa beleza em seus atos.

Durante a leitura, alguns aspectos da narrativa me incomodaram um pouquinho (em relação à pontuação, no geral), mas friso que se trata de uma opinião realmente pessoal. No mais, a leitura flui com naturalidade, sendo bem possível devorar o livro em poucas horas.

Para finalizar, O Voo da Estirpe nos brinda com uma leitura que nos torna incapazes de encarar com indiferença. O livro é tocante e acredito que, após lê-lo, ninguém sairá ileso.

Título / Título original: O Voo da Estirpe
Autor(a): Adriana Vargas Aguiar
Clube dos Novos Autores
Ano: 2011

4 de setembro de 2011

O Mundo de Vidro [Maurício Gomyde]


Até onde pode ir a paixão de uma pessoa por outra? Como, quando e por que começa?
Até que ponto pode-se cometer alguma loucura para fazer parte da vida de alguém?
Quais as consequências da paixão avassaladora incompreendida? E quando não se admite a óbvia paixão por outra pessoa?


Em O Mundo de Vidro, Maurício Gomyde conta a história de duas pessoas, Ele e Ela. Ele é um cara tímido e sem muita experiência no amor, que a conhece por acaso e logo se vê tomado por uma paixão inexplicável e incontrolável. Linda e inteligente (e arrasada pelo término de um relacionamento), Ela tem inúmeros pretendentes que tentam tê-la a todo custo. E é neste cenário que Ele fará de tudo (ou quase) para conquistá-la.

Primeiramente, confesso que no início não botei muita fé. Até cheguei a achar as pitadas de humor um pouco irritantes, às vezes. Mas foi só uma impressão precipitada e equivocada; a cada capítulo, O Mundo de Vidro certamente ganhou minha simpatia.

Os personagens centrais, Ele e Ela, são bem reais, podem ser qualquer um ou todos nós. No começo, Ele me irritava consideravelmente. Achava-o realmente estranho, e queria mesmo dar uns tapas nele a cada vez que soltava o tal de “Er... Aham... Cof... Cof...” antes de cada frase falada. Porém, ao longo da história, já não o via mais como um ser tão estranho e comecei a me divertir com os acontecimentos em torno dele. Acho legal destacar os “personagens de estimação”: Ela com um basset chamado Paul Macartney, tarado por grudar nas pernas alheias; Ele com uma papagaia chamada Horácio (mas é fêmea mesmo!) que não era nada convencional em suas falas.

Uma característica que merece atenção é que, embora narrado em terceira pessoa, o livro parece mostrar tudo em um ponto de vista mais masculino. A meu ver, é um aspecto bastante positivo e confere um tipo de humor e comentários que, talvez, não rolassem se a perspectiva dos fatos pendesse para o lado feminino.

A leitura é super leve e o livro é do tipo que a gente devora rapidamente, dada a curiosidade para saber o desfecho. É divertido e tem algumas doses de romantismo e frases bonitas, conforme a leitura avança.

Em O Mundo de Vidro, basicamente, vemos o processo da conquista e percebemos a maneira em que tantas vezes o ser humano complica o que não deveria ser complicado. Trata-se de uma leitura que, para mim, valeu a pena; certamente a recomendaria aos que tenham interesse em temas acerca de relacionamentos com um toque descontraído.

(Ah, para quem ficou curioso do porquê do título – eu, pelo menos, estava bem curiosa antes da leitura –, ele é revelado ao longo do livro e de uma forma bastante bela!)

Título / Título original: O Mundo de Vidro
Autor(a): Maurício Gomyde
Editora: Porto 71
Edição: 3ª - 2011
Ano da obra / Copyright: 2011

21 de julho de 2011

Estação Jugular [Allan Pitz]

Graças à parceria com o autor Allan Pitz, o post de hoje traz o review do livro Estação Jugular. Agradeço MUITO ao Allan pelo livro e marcador (autografados!!!). =D

Não posso começar a falar do livro sem antes dizer uma coisa: Estação Jugular me surpreendeu de maneira muito positiva. Os motivos foram vários, principalmente a abordagem do tema e a veracidade que os personagens transmitem ao leitor.

Estação Jugular nos coloca a bordo de um ônibus dirigido por um motorista bastante peculiar, que conduz um único passageiro – Franz – a um destino que nem ele próprio sabe qual é. Franz, a princípio, foge de um sol castigante, sem saber exatamente onde se encontra e para onde vai. Aos poucos, e mesclando-se à confusão e às imprevisíveis visões de sua jornada a bordo do ônibus, a memória de Franz nos revela (e revela a si mesmo) os acontecimentos anteriores que culminaram no presente momento.

O livro, de fato, nos leva nessa viagem junto a Franz. Enxergamos através dos seus olhos cada etapa, cada “absurdo” e, por fim, cada descoberta. As pitadas nonsense me foram deliciosas, e as referências a obras de Van Gogh doam uma “loucura visual” que enriquece todo o cenário em nossas mentes. Através de associações e metáforas, cada capítulo nos coloca a refletir e é muitas vezes concluído com uma frase de alguma personalidade célebre, o que incentiva o pensamento a percorrer caminhos mais profundos. Achei super pertinente a inclusão de tais frases – um ponto mais que positivo do livro, em minha opinião.

Deixo aqui um trecho que possui um significado bastante verdadeiro acerca da existência humana:
Nesse tempo mudo vivi a infância outra vez; e mais doce e tenro do que antes eram os deleites de não saber nada sobre tudo. E correr atrás de qualquer sonho, qualquer esperança... Depois da infância tudo o que vi foi o amanhecer de um lobotomizado comum, fanático pela manutenção íntegra de si mesmo, fanático de si.

A leitura acontece de forma muito fluida e mantém o leitor suspenso em uma curiosidade constante. Mesmo quando o leitor já palpita sobre o que está realmente acontecendo com o personagem central, e quando as revelações começam a se desdobrar, a avidez por saber o que ocorrerá com Franz não deixa de estar presente em nenhum momento. Fiz a leitura em um único dia, e não foi só devido às pouco menos de 100 páginas (é, o livro é curtinho), mas sim pela curiosidade de saber como tudo iria terminar. Soma-se a isso o fato de que gostei da forma como o tema é apresentado e desenvolvido. Não dá para dar detalhes do tema em si porque seria um baita de um spoiler (e não é essa a minha intenção ao escrever os reviews).

No mais, o livro merece ser saboreado, mas não com calma, já que o leitor provavelmente vai ver que este não é o tipo de leitura que dá para ser feita em doses homeopáticas. O livro tem um ritmo próprio, aceleradinho, e não tem como lê-lo de outra forma. Estação Jugular, a meu ver, é um livro que tem personalidade e sabe ser original.

Título / Título original: Estação Jugular – Uma estrada para Van Gogh
Autor(a): Allan Pitz
Editora: Multifoco (selo Desfecho Romances)
Edição: 2011 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2011

27 de junho de 2011

Lançamentos Editora Baraúna

Trago aqui para vocês dois lançamentos nacionais (mais literatura brasileira para a gente conhecer!) da Editora Baraúna:




PERDIDA - Um amor que ultrapassa as barreiras do tempo
Carina Rissi

Sofia vive em uma metrópole e está habituada com a modernidade e as facilidades que isso lhe proporciona. Ela é independente e tem pavor à menção da palavra casamento. Os únicos romances em sua vida são os que os livros lhe proporcionam. Mas tudo isso muda depois que ela se vê em uma complicada condição.







MAJDANEK - O caminho sem volta
Paulo de Tarso

O romance se passa entre a Polônia e a Alemanha nos primeiros anos da Segunda Guerra Mundial. Um encontro transformou a vida de dois jovens europeus que tinham tudo pela frente. Tudo menos o que eles não imaginavam que acontecesse. Viva com eles essa aventura forçada, inesperada, dolorosa e desesperada. Num mundo que não queremos mais. Um mundo que não poderia ou deveria mais existir.

18 de abril de 2011

Vi na Livraria: A Mulher de Vermelho e Branco


A MULHER DE VERMELHO E BRANCO – Contardo Calligaris
Carlo Antonini recebe uma nova paciente em seu consultório, em Nova York. O que parece uma consulta trivial, pouco antes de uma viagem que o terapeuta fará a São Paulo para uma palestra e alguns dias de férias, desencadeia uma trama envolvendo um casamento conturbado, uma organização suspeita de terrorismo, um assassinato e uma história familiar de vingança. O livro traça o paralelo aparentemente improvável entre o que Antonini desconfia se esconder sob as palavras de sua paciente - a descrição de uma festa com seus dois filhos na qual tudo será "vermelho e branco" - e o encontro fortuito, num restaurante do bairro da Liberdade, com uma namorada vietnamita dos tempos em que morou em Paris.

A Mulher de Vermelho e Branco no SKOOB


Livro fresquinho - 1ª edição lançada agora em 2011 -, e mesmo na página do Skoob não há nada sobre ele, apenas a sinopse. Não pude esconder a curiosidade e é por isso que ele foi a escolha para este Vi na Livraria.

Sobre o autor: Contardo Calligaris, psicanalista e ensaísta, nasceu na Itália e se formou na França, onde viveu 20 anos. Casado com uma brasileira, radicou-se no Brasil, onde atende e assina uma coluna na Folha de S. Paulo. Foi professor da New School for Social Research, em Nova York, e da Universidade de Berkeley.

27 de fevereiro de 2011

Relações de Sangue

Maria Clara Baumgarten levava uma vida bem normal até conhecer a vampira Lucila, cujos olhos castanhos grandes e inocentes enganariam até o mais desconfiado dos humados, quanto mais a pobre Clarinha.
Um vampiro traz o outro, e logo ela está às voltas com Daniel, um inescrupuloso vampiro de programa. Moreno, alto, bonito e sensual, ele precisa da ajuda da humana e da vampira para encontrar o assassino em série que está atacando suas "clientes".
Mas... e se o assassino encontrar Clara primeiro?

A sinopse acima é a original da contracapa de Relações de Sangue (de Martha Argel), do qual postei o release editorial anteriormente. De uns tempos para cá, mistério e vampiros têm sido dois ingredientes que parecem mais que certeiros para cair no gosto dos leitores. Relações de Sangue une essas duas características, mas não de um jeito tão óbvio como vemos aos montes por aí. A ideia principal do livro é original e a capa também me atraiu bastante. Antes de iniciar a leitura, já achava que provavelmente iria gostar do livro, mas não foi exatamente assim. Sendo simples e direta: o livro não me agradou.

Não gostei das personagens, achei-as insossas. Os acontecimentos são narrados em primeira pessoa por Clara, protagonista da história, que é a personagem que mais me irritou no decorrer do livro. Todo o tempo Clara utiliza-se do sarcasmo e de tiradas que tentam ser engraçadas; em vão, devo completar. E é assim em todo e cada comentário da personagem, o que faz com que o sarcasmo fique batido e óbvio demais; Clara me pareceu uma adolescente querendo ser a palhaça da turma, o que não condiz com a personagem em si.

Podemos olhar pelo ângulo de que o real objetivo é que os acontecimentos sanguinolentos, unidos ao mistério e medo, tenham uma pegada cômica. Ok, faz sentido. Mas ao final do livro, temos reflexões um tanto melancólicas por parte da protagonista, referindo-se a todo o ocorrido como algo que ela jamais poderá apagar da memória, como se tudo tivesse sido um grande ferimento cujas cicatrizes permaneceriam eternas. Tudo isso para depois finalizar com mais um super comentário cômico de Clara. Ou seja, como Clara realmente encarou os fatos vividos? Foram trágicos, porém cômicos? Ou foram traumatizantes de verdade? Terminei o livro sem saber ao certo o que verdadeiramente sentiu a protagonista acerca de tudo aquilo que viveu. Prefiro concluir que nem ela mesma sabia o que pensava e o que desejava, mesmo depois, ao final da história.

A segunda edição, da Giz Editorial, traz um bônus no final. Trata-se de um conto que nos revela como Clara e a vampira Lucila se conheceram. Achei-o interessante, nada além disso.

Apesar de minha opinião negativa, o livro é de fácil leitura, nada cansativo. Além disso, o fato de toda a história se passar em São Paulo foi algo que me pareceu atrativo. Como disse antes, a ideia toda do livro é interessante, mas acredito que poderia ter sido melhor explorada. Para mim, a história permaneceu em um nível bastante superficial, e as personagens em nada ajudaram para fazer com que eu me envolvesse. Este, decididamente, não é um livro que eu recomendaria; exceto no caso de leitores aficionados por vampiros que procuram e têm curiosidade por tudo relacionado ao tema.

Título: Relações de Sangue
Autor(a): Martha Argel
Publicação original: 2010

15 de fevereiro de 2011

Estrela Píer - O tempo, a chuva, o outro

Depois de longos meses, estou de volta aqui no blog! Abaixo escrevo sobre um livro que li há meses e que é queridinho de todas as blogueiras literárias por aí. Trata-se de Estrela Píer, de Kamila Denlescki.

Em meio à onda Crepúsculo, devo confessar que, de início, o livro não me chamou atenção; parecia só mais uma história de amor proibido, vilão que é mocinho (ou mocinho que é vilão, como preferirem), e algo de macabro permeando os acontecimentos. De fato, Estrela Píer tem todas estas características, mas a obra não é tão previsível, e segue caminhos que chegam a surpreender e deixar um gostinho de “quero mais”.

O livro narra, em primeira pessoa, a história de Lucia Píer Eli, garota amante de literatura e que trabalha na biblioteca de uma escola. Sua vida com a avó e a irmãzinha parece normal e insossa, até que vence um concurso para conhecer o astro juvenil Richard Clevehouse em Londres.

O desenrolar da paixão entre Lucia e Richard é algo gostoso de ler, divertido, e é impossível não torcer por eles. O clima de tensão e perseguição se mostra presente durante todo o tempo, dando ao livro certo ritmo e fazendo com que não se torne entediante. Além disso, Londres e Santorini como background dos acontecimentos dá um colorido a mais e, ao mesmo tempo, uma sensação etérea, como se tudo estivesse perdido em algum lugar entre sonho e realidade.

É interessante ver como a autora dá um toque de ficção científica à história, o que vi como positivo mesmo que, em vários momentos, sentisse falta de algo mais aprofundado sobre o tema. Finalizei o livro com muitas perguntas que não foram respondidas e, de fato, o livro termina de uma forma que sugere que a história ainda não chegou ao final. A percepção que tive é a de que o livro foi concebido já com planos de uma possível continuação. É inevitável não ficar curioso quanto ao futuro de Lucia e Richard e, se me perguntarem, diria que tenho vontade/curiosidade de ler uma “parte II” disso tudo; porém gostaria que mais detalhes tivessem sido esclarecidos e que mais respostas tivessem sido dadas.

Recomendo o livro, acho que está super dentro do molde para o público pré-adolescente e adolescente. A linguagem é simples e a leitura flui de forma nada cansativa, além do livro possuir diversas características que, em minha opinião, fazem com que o público se identifique facilmente.

Não posso deixar de comentar que a Kamila é uma fofa (recebi o livro autografado por correio há muitos meses atrás e peço sinceras desculpas por publicar a resenha somente agora). Aliás, o breve texto sobre a autora na aba do livro ganha a simpatia de quem o lê no mesmo instante.

Finalizo o post dizendo que torço pela carreira da Kamila. E tenho certeza de que não são poucos os leitores que aguardam ansiosamente por uma continuação de Estrela Píer!

Título: Estrela Píer
Autor(a): Kamila Denlescki
Publicação original: 2009

29 de maio de 2010

Lançamento - Zumbis: Quem disse que eles estão mortos?

No dia 06/06/2010 (domingo) acontecerá o lançamento do livro Zumbis: Quem disse que eles estão mortos?, uma coletânea com a participação de vários autores e com Ademir Pascale como organizador.

Local: Ludus Luderia, Bar e Café - Rua Treze de Maio, 972, Bela Vista, São Paulo
Horário: das 17h às 21h.
Entrada franca
Clique no convite ao lado para vê-lo ampliado.

Compareça para um bate-papo, aproveite e pegue o seu autógrafo!

Em pleno século XXI eles foram quase esquecidos, mas nos espreitam constantemente pelas sombras. Sabe aquele friozinho na espinha que sentimos quando parece que alguém está escondido nos espiando? Pode acreditar, são eles: criaturas cadavéricas, mortos-vivos, seres infernais e catatônicos, ou popularmente chamados de “zumbis”. Afinal, quem disse que eles estão mortos?

Fuja das sombras. Passe longe das tumbas. Corra o máximo que puder. Conheça a trajetória desses horríveis canibais em contos contundentes com heróis, mocinhas e cidades infestadas pelos malignos servos dos rituais necromânticos.

SKOOB: Zumbis: Quem disse que eles estão mortos?
VÍDEO: Zumbis: Quem disse que eles estão mortos?

12 de abril de 2010

Draculea - O Livro Secreto dos Vampiros

“Quais mistérios eles escondem por gerações? (...) Mas, antes de abrir estas páginas, um aviso: após lê-las, você nunca mais será o mesmo. O conhecimento tem seu preço, e eles ficarão furiosos com a sua descoberta.”

Draculea – O Livro Secreto dos Vampiros é uma antologia de 27 contos vampirescos, todos escritos por autores nacionais. Particularmente, gosto muito de contos. Ter várias historietas diferentes em um só livro geralmente faz com que a leitura nunca se torne cansativa. E ser um livro de autoria nacional é um aspecto que o torna mais interessante; acho animador que cada vez mais brasileiros tenham interesse em escrever literatura fantástica.

Apesar de todo o livro tratar-se de vampiros, a atmosfera de cada conto é, de alguma forma, singular. Alguns são mais dramáticos, outros são temperados com boa dose de agressividade, e alguns ainda revelam uma faceta curiosamente cotidiana dos fantásticos seres sobrenaturais. Um ponto bastante positivo é que existe no livro uma mistura entre passado e presente. Enquanto alguns contos retratam séculos passados, outros nos mostram um mundo contemporâneo, tal como o conhecemos hoje. Um vampiro em plena Avenida Paulista é algo interessante de se imaginar.

Os contos são breves, de leitura agradável e fácil. Draculea – O Livro Secreto dos Vampiros é uma boa pedida para ser lido de uma só vez, ou para ser saboreado aos poucos, conto por conto, durante alguns dias.

Para finalizar, uma verdade deve ser dita: vampiros são – e sempre serão – seres instigantes e de grande poder de fascínio!

Título: Draculea – O Livro Secreto dos Vampiros
Autor(a): vários, Ademir Pascale (organizador)
Publicação original: 2009

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