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15 de fevereiro de 2010

Moulin Rouge, amores doloridos e boemia latejante

Desfiles das escolas de samba, carros alegóricos, aquele som infernal (perdoem-me os apreciadores) vindo da televisão e de onde quer que seja; ao invés de tudo isso, amores não correspondidos, “French Cancan”, as ruas de Montmartre e o famoso Moulin Rouge. Com vocês, uma ótima opção para os que não morrem de amores pelas festividades do Carnaval, mas ainda assim querem preencher o feriado com algo de qualidade: Moulin Rouge!

Ao contrário do que muitos podem pensar de início, o livro Moulin Rouge não relata aquela linda história de amor entre Christian e Satine do filme de Baz Luhrmann, mas sim a trajetória (mais como uma biografia romanceada) do pintor francês pós-impressionista e litógrafo Henri-Marie-Raymonde de Toulouse-Lautrec-Monfa, ou apenas Henri de Toulouse-Lautrec; e devo dizer: é um livro que figura entre os meus favoritos.

Toulouse-Lautrec nasceu na nobreza francesa, mas foi a vida boêmia parisiense de fins do século XIX que ele adotou como sua (ou teria sido a boemia que o adotou?). Essa vida, inclusive, era o tema principal de suas pinturas; seu estilo mostrava linhas livres e cores intensas, transmitindo expressividade e movimento. Dançarinas como La Goulue e Jane Avril apareciam retratadas em seus cartazes para o cabaré Moulin Rouge, onde exercia papel de frequentador assíduo.

Contudo, a vida de Toulouse-Lautrec esteve longe da felicidade e glória, estas se mostrando apenas como leves e efêmeros (por vezes falsos) sopros em sua trajetória. Sua doença – que fez dele um homem adulto com pernas de menino –, o sabor amargo dos amores não correspondidos e o alcoolismo desempenharam importantes papeis em sua curta vida e conferem uma dose extra (e realmente emocionante) de drama na história. Outra característica que torna o livro ainda mais cativante são as interações – reais – entre Toulouse-Lautrec e nomes célebres como Vincent Van Gogh, entre outros.

Moulin Rouge é um livro para ser saboreado em todas e cada uma de suas palavras. Moulin Rouge é atrevido ao tocar-nos o fundo da alma. Moulin Rouge é um livro de amor, ainda que em sua mais triste faceta.

Curiosidades:
- Este livro deu origem a um filme de mesmo nome, Moulin Rouge (1952), dirigido por John Houston e ganhador de 2 estatuetas do Oscar.
- No filme Moulin Rouge de Baz Luhrmann (2001), Toulouse-Lautrec aparece como um personagem secundário, envolvido e sofrendo com as tragédias do casal protagonista.

    
Pequenos exemplos da arte de Toulouse-Lautrec

Título: Moulin Rouge
Autor(a): Pierre La Mure
Publicação original: 1950

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