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26 de setembro de 2012

Starters [Lissa Price]


Callie perdeu os pais quando a Guerra dos Esporos varreu todas as pessoas entre 20 e 60 anos. Ela e seu irmão mais novo, Tyler, estão se virando, vivendo como desabrigados com seu amigo Michael e lutando contra rebeldes que os matariam por uma bolacha.
A única esperança de Callie é Prime Destinations, um lugar perturbador em Berverly Hills que abriga uma misteriosa figura conhecida como Velho. Ele contrata adolescentes para alugar seus corpos aos Enders — idosos que desejam ser jovens novamente. Callie, desesperada pelo dinheiro que os ajudará a sobreviver, concorda em ser uma doadora. Mas o que parecia ser a solução é apenas o começo de grandes descobertas... E Callie terá que lutar para tentar sobreviver.


Encontrando a ficção científica, Starters apenas simpatiza com a tão comentada distopia. O caos em que vivem os personagens é fator-chave para todos os acontecimentos na trama, mas não ganha tanta profundidade quanto deseja o leitor ao mergulhar na história.

O tema não alcança todo o seu potencial, apesar de ser interessante e servir de gancho para reflexões e comparações com o mundo (e valores) contemporâneos. A ideia do aluguel de corpos, enaltecendo a juventude apenas em sua estética, sugere forte relação com a atual inversão de valores, estes tão baseados na aparência e no poder aquisitivo. O corpo, tão valorizado na vida real, na trama é descartável, propriedade de ninguém - ou melhor, de quem tem grana para comprá-lo, literalmente.

O sentimentalismo aparece, muitas vezes, em excesso e desorientado, como que meio deslocado na festa de elementos que compõem a trama. Entendo a questão do irmão doente e o fato de ser o gatilho para os (maiores) problemas da protagonista, Cally. Mas não foram raras as vezes em que não me senti totalmente convencida pela narrativa. Senti certa carência de explicações. O envolvimento romântico entre Cally e Blake, além do ciúme e da sugestão de um possível triângulo amoroso com Michael, foi tão óbvio quanto supérfluo.

Apesar de nenhum dos personagens ter realmente chamado minha atenção, o Velho tem ares de vilão intrigante. Imaginei muito forte um teor psicológico pesado ligado a ele - e secretamente desejo que seja assim na continuação da série.

Apesar das críticas, o livro diverte e, como disse lá no início, o tema pode render momentos produtivos de "exercício tico e teco". O final levanta os ânimos, já relativamente desgastados com o decorrer da história; sendo assim, a probabilidade de terminar a leitura curioso(a) e querendo ler a continuação é grandinha. Ainda, há sempre a esperança de que as continuações "resolvam" os deslizes do primeiro volume (superficialidade, falta de explicações,…), embora eu pense que uma trama coerente e que se justifique é como o "acabamento" da história - indispensável e fator determinante de sua qualidade.

Título: Starters
Título original: Starters
Autor(a): Lissa Price
Editora: Novo Conceito
Edição: 2012
Ano da obra: 2012
Páginas: 368

17 de setembro de 2012

Vi na Livraria: O Museu do Peixe Morto, de Charles D'Ambrosio



Basicamente, o motivo pelo qual O Museu do Peixe Morto me atraiu em meio a tantos outros títulos, todos misturados em um display na livraria, foi justamente o próprio título. Através da sinopse, percebi que o livro é notável e merece atenção. Digam se não estou certa:

O MUSEU DO PEIXE MORTO, de Charles D'Ambrosio, Ed. Grua, 2010.

Os oito contos de O Museu do Peixe Morto apareceram originalmente em importantes publicações americanas como The New Yorker e fizeram parte de coletâneas como The Best American Short Stories (2004 e 2005). No Brasil, o conto "Roteirista" foi publicado pela Serrote (número 3, dezembro de 2009), que apresentou o autor como “um dos mais hábeis e envolventes narradores norte-americanos da atualidade”.

No conto "O esquema geral das coisas", um casal de picaretas sai pelo interior, em meio a fazendas de milho e caipiras, tentando conseguir dinheiro à custa de pequenos golpes. Um casal de velhos os acolhe, e essa é uma boa medida do trabalho de D'Ambrosio, que se equilibra com maestria no falso paradoxo entre vidas à margem e lirismo. As personagens são acolhidas. Os tipos esquisitões, tão comuns no imaginário da sociedade americana, ganham aqui um novo e desassombrado olhar. O menino que mora no orfanato de freiras e cujo pai ficou incapaz num acidente que matou a mãe; o roteirista bem-sucedido que é internado com diagnóstico de suicida em uma clínica psiquiátrica; o homem que conserta máquinas de escrever, ofício que herdou do pai e que não poderá passar ao filho, esquizofrênico; o rapaz que sai em direção ao mar com a urna de cinzas do avô, dando carona a estranhos.

Charles D’Ambrosio escreve sobre os Estados Unidos dos pequenos dramas, e é do país oculto na grande e heróica nação que ele extrai a matéria-prima para sua literatura, que tem conquistado crítica e público.

29 de agosto de 2012

Branca de Neve e o Caçador [Lily Blake / Evan Daugherty / John Lee Hancock / Hossein Amini]


Quem você será quando for confrontado
com o fim?
O fim de um reino.
O fim dos bons homens.
Você correrá?
Você se esconderá?
Ou perseguirá o mal com um orgulho venenoso?


Há dez anos, a vingativa Rainha Ravenna assassinou o rei na mesma noite em que se casara com ele. No entanto, dominar o reino tornou-se um sofrimento para a Rainha. Para salvar seus poderes e manter-se jovem e bela para sempre, ela deve devorar um coração puro, e Branca de Neve é a única pessoa com esse coração. A fim de capturá-la, Ravenna recorre ao Caçador, o único homem que já se aventurou pela Floresta Sombria e sobreviveu. Branca de Neve será morta pelo Caçador? Ou será treinada por ele e se tornará a melhor guerreira que o reino já conheceu?



Diferentemente da maioria das adaptações, nesta aqui, o livro foi baseado no filme, e não o contrário. Talvez isto tenha contribuído para a falta de identidade da narrativa.

Branca de Neve e o Caçador tinha potencial para ser um ótimo romance. A proposta de uma adaptação um tanto sombria do conhecido conto de fadas, com uma protagonista que luta pelo que acredita, é deveras válida, atraente até. No entanto, uma narrativa pobre e descrições insossas puseram tudo a perder. A trama carece de detalhes e de personalidade, fazendo com que o leitor não encontre o encanto que o faria mergulhar na história. Até os momentos de ação parecem foscos e acontecem de maneira breve, quase despercebida.

A superficialidade atinge também os personagens. Todos, sem exceção, são fracamente desenvolvidos e, assim como o próprio texto, não surpreendem em momento algum. Se fisicamente a obviedade do clássico perpetua (a loirice da Rainha Ravenna e o porte másculo e cabelo desalinhado do Caçador que o digam!), seriam esperadas algumas peculiaridades e certo aprofundamento de caráter. Ao invés disso, nos são entregues figuras ocas que repetem frases prontas. E só.

Para algo (bem) descompromissado, o livro pode até entreter. Mas, francamente, essa releitura de Branca de Neve poderia ter feito bem melhor. A impressão que ficou é a de que a adaptação – que ganhou roupagem mais teen, com ares “girl power” – parece ter sido concebida com o único objetivo de incrementar a marca Snow White and the Huntsman.

Em tempo: apesar de tudo, a edição é caprichadinha. A divisão dos capítulos e das partes do livro é estilizada seguindo o aspecto medieval da história.

Título: Branca de Neve e o Caçador
Título original: Snow White and the Huntsman
Autor(a): Lily Blake; Evan Daugherty; John Lee Hancock; Hossein Amini
Editora: Novo Conceito
Edição: 2012
Ano da obra: 2012
Páginas: 208

1 de agosto de 2012

O Espião [Clive Cussler / Justin Scott]


O ano é 1908 e a iminência da Primeira Guerra Mundial se faz sentir através de tensões internacionais.
Nos EUA, o aparente suicídio de um talentoso projetista de canhões de couraçados faz com que sua filha busque a Agência Van Dorn para investigar o caso e limpar o nome do pai. O detetive Isaac Bell é escalado para a investigação e percebe se tratar de um caso de assassinato, e não de suicídio como se acreditava até então. A morte de outros profissionais de destaque da área naval revela a existência de um ardiloso espião envolvido em tudo isso...
O Espião é o terceiro de uma série de cinco livros – independentes entre si – com as aventuras de Isaac Bell.

O ritmo frenético do livro é sentido desde o início, ao mergulhar o leitor logo de cara no assassinato de Arthur Langner, um projetista de canhões da Marinha dos Estados Unidos. Nomes e acontecimentos que parecem surgidos do nada não demoram a tomar forma e a delinear com precisão a história a ser contada – e que história!

A riqueza de detalhes e um aspecto histórico que marca presença são dois grandes trunfos do livro. A narrativa corre pelas ruas do Hell’s Kitchen, em Nova Iorque, mostrando o universo dos gângsteres e suas práticas. Detalhes e descrições mais técnicas dos couraçados e canhões podem desanimar alguns, mas pessoalmente não achei que estiveram em excesso; ao invés de entediar, criam certa curiosidade e não chegam a fazer com que o leitor se perca (mesmo que sejamos leigos no tema, o colega Google está aí para essas coisas). Ou seja, a ação é constante e Cussler soube manter o ritmo que histórias de mistério e espionagem normalmente pedem.

Além dos personagens atraentemente intrigantes (o detetive Isaac Bell, sagaz e divertido, faz com que o leitor queira acompanhá-lo em suas empreitadas), o livro retrata o charme da época na medida certa e sem sair do contexto da trama.

Aos apreciadores de histórias de mistério e aventura: O Espião merece sua atenção na próxima visita à livraria. A ótima elaboração em termos de momento histórico é um plus que faz toda a diferença. Sim, porque livros do gênero precisam convencer, e este aqui certamente o faz.

Título: O Espião
Título original: The Spy
Autor(a): Clive Cussler / Justin Scott
Editora: Novo Conceito
Edição: 2012
Ano da obra: 2010
Páginas: 416

25 de julho de 2012

Dia Nacional do Escritor = Livro + Filme


Dia Nacional do Escritor... que tal uma história que traz a figura do escritor como personagem?

Esta é especialmente para os fãs de suspense/terror! O livro é do Stephen King que, como todo mundo sabe, é um mestre do gênero. Como a edição é velhinha, quem quiser ler Angústia terá que vasculhar sebos ou procurá-lo para troca. Porém, sempre existe a opção de ler em inglês (o título original é Misery e pode ser encontrado para encomenda nas grandes livrarias).

Sobre o filme, digo que se trata de um dos melhores suspenses a que já assisti – e não é exagero. Louca Obsessão é de 1990 e traz James Caan e a brilhante Kathy Bates nos papéis principais.



Paul Sheldon é um escritor famoso que sofre um acidente de carro, sendo socorrido por uma enfermeira que se autodenomina sua fã número um. Ela o leva para sua casa e passa a cuidá-lo. Mas, ao ler os originais do novo livro do escritor, percebe que sua personagem predileta será morta, fazendo com que sua personalidade doentia se revele. Sem poder se locomover, Sheldon se vê à mercê das loucuras da "fã", que o coloca em cárcere até que ele escreva um final feliz para a personagem Misery.

LIVRO: Angústia, de Stephen King, ed. Francisco Alves, 1987
FILME: Louca Obsessão (Misery, de Rob Reiner, EUA, 1990)

4 de julho de 2012

Um Amor Para Recordar [Nicholas Sparks]

Cada mês de abril, quando o vento sopra do mar e se mistura com o perfume de violetas, Landon Carter recorda seu último ano na High Beaufort. Isso era 1958, e Landon já tinha namorado uma ou duas meninas. Ele sempre jurou que já tinha se apaixonado antes. Certamente a última pessoa na cidade que pensava em se apaixonar era Jamie Sullivan, a filha do pastor da Igreja Batista da cidade. A menina quieta que carregava sempre uma Bíblia com seus materiais escolares. Jamie parecia contente em viver num mundo diferente dos outros adolescentes. Ela cuidava de seu pai viúvo, salvava os animais machucados, e auxiliava o orfanato local. Nenhum garoto jamais a havia convidado para sair. Landon nem sequer sonhara com isso. Em seguida, uma reviravolta do destino fez de Jamie sua parceira para o baile, e a vida de Landon Carter nunca mais foi a mesma.

Serei bem direta. Sei que o Nicholas Sparks está cheio de fãs e seus livros são bastante adorados mundo afora, mas Um Amor Para Recordar não me causou surpresa e tampouco mexeu com meu lado emotivo.

Não se pode negar que o livro traz uma história bonita. A ideia de que o amor move muitas barreiras e transforma existências também é muito válida. Contudo, a trama cai na obviedade e não demonstra esforço algum para trabalhar melhor os clichês – tudo é entregue muito mastigado para o leitor, que engole e digere sem quase nem perceber.

Um Amor Para Recordar é um livro mela-cueca, sim. Mas não entendam tal característica como sendo necessariamente negativa. Nós, leitores, bem sabemos que existem momentos que pedem leituras do tipo; sendo assim, o livro pode se revelar uma boa pedida dependendo do período ou estado de espírito. Como dizem, cada caso é um caso, e aqui esta afirmativa é bastante adequada.

Ainda, os personagens não são exatamente cativantes, e possuem algo de bastante forçado, até. São “simplificados” em demasia, fazendo com que pareçam carecer da complexidade inerente ao ser humano. Jamie – e os “planos de Deus” – provavelmente irritará nos dias em que nem tudo estiver tão cor-de-rosa na vida do leitor.

Eis um livro cuja adaptação cinematográfica me agradou bem mais que o próprio livro. Um Amor Para Recordar não é uma leitura que eu normalmente recomendaria, salvo em ocasiões e para pessoas bem específicas.

Título: Um Amor Para Recordar
Título original: A Walk to Remember
Autor(a): Nicholas Sparks
Editora: Novo Conceito
Edição: 2011
Ano da obra: 1999
Páginas: 184

10 de junho de 2012

Extras [Scott Westerfeld]



No quarto livro da série, A Era da Perfeição ficou no passado. A libertação promovida graças aos esforços de Tally Youngblood deu fim a uma cultura onde a beleza e as modificações cerebrais eram a base do sistema. Nesse novo mundo onde Aya Fuse tenta sobreviver, existe uma coisa muito mais importante e poderosa do que a beleza: a fama.

Ocupando o 451.611º lugar em um ranking que mede a popularidade das pessoas, Aya é só uma Extra nesse complexo sistema social. Mas a descoberta de um grupo de misteriosas meninas que se arriscam a surfar em trens magnéticos pode ser a oportunidade perfeita para alcançar o seu lugar no topo. Uma matéria tão boa que irá despertar o interesse de todo mundo, incluindo alguém há muito desaparecido.


Por não se tratar exatamente de uma continuação dos três volumes anteriores da Série Feios, o leitor pode levar algum tempo para se acostumar com o universo de Extras. Em uma cidade* regida pela “economia de reputação”, é a fama que dita as regras e a colocação no ranking de reputação determina e move a existência da população.
* No início, só percebemos que a tal cidade situa-se no Japão pelos nomes claramente japoneses dos personagens. O fato é confirmado só mais adiante, ao ser mencionado que o japonês é a língua falada pelos protagonistas.

Passadas as estranhezas iniciais e uma vez familiarizados com os novos personagens, é tarefa árdua não se deixar envolver pela narrativa irresistível de Westerfeld. Quem leu os livros anteriores sabe do que estou falando. O autor sempre convence, por mais inimagináveis que sejam os elementos de suas histórias. E o leitor, por sua vez, pode aguardar surpresas no desenrolar da trama, elas são uma constante nos livros da série!

O tema, aliás, foi uma grande sacada do autor. Pessoas com câmeras flutuantes a tiracolo, vidas expostas em canais para quem quiser assistir, a necessidade de registrar absolutamente tudo em imagens e divulgá-las em seguida. A vida, por si só, já não é suficiente, é preciso que seja “testemunhada”. Os acontecimentos só adquirem status de “verdade” a partir do momento em que são divulgados, quando há gente falando sobre. Isso tudo nada mais é do que um retrato – caricato e futurista – do mundo “real-virtual” em que vivemos hoje. Facilmente podemos traçar paralelos e fazer comparações com estes tempos de Facebook, em que é possível conhecer tudo da vida de uma pessoa através das redes sociais – mesmo sem nunca tê-la visto pessoalmente.

Questões derivadas ao tema são abordadas de maneira interessante no livro. Distorção de fatos, bullying virtual, obsoletismo das informações, falta de privacidade (e, ainda, a impossibilidade de realmente optar por uma vida privada), e valores (como lealdade e honestidade) na era virtual. Tecnologia é sinônimo de progresso, certo? Nem sempre. Extras nos mostra uma população que parece retomar padrões e hábitos de seus ancestrais em uma espécie de ciclo contínuo e circular, ainda que esteja inserida em um mundo bem mais avançado. Muitas vezes, o lidar com tais avanços é mais relevante do que a simples disponibilidade deles.

Quando uma pessoa conta a mesma história várias vezes, fica mais fácil continuar acreditando nela.


Apesar de bem retratados e adequados ao contexto, os personagens não possuem a força dos protagonistas dos três volumes anteriores da série. Ainda, alguns elementos da trama são bastante dispensáveis, como a historinha Aya-Frizz, por exemplo. Para os mais nostálgicos, Tally, Shay e companhia aparecem na trama, algo do tipo “participação especial”, mas adianto que não é nada que vá matar as saudades das aventuras encerradas com Especiais.

Recomendo a leitura pelo tema e pela narrativa incansável de Scott Westerfeld. Apesar de não ser imperativo ter lido os volumes anteriores da série, alguns conceitos abordados nos outros livros podem acabar parecendo superficiais em Extras. Logo, é sempre mais interessante ler toda a série - e garanto que não se arrependerão!

Título: Extras
Título original: Extras
Autor(a): Scott Westerfeld
Editora: Galera Record
Edição: 2012
Ano da obra: 2007
Páginas: 416

16 de maio de 2012

Vi na Livraria: especial "Mães"



Ainda em clima de Dia das Mães, venho mostrar para vocês alguns livros que vi na livraria que trazem a figura da mãe como tema central. O legal é que são leituras que certamente agradarão em dose dupla – tanto às mães quanto às filhas. E tem para todos os gostos: crônicas bem-humoradas, enredos comoventes, e até chick-lit.



A FILHA DA MINHA MÃE E EU, de Maria Fernanda Guerreiro, ed. Novo Conceito
Sensível e tão real a ponto de fazer você se sentir parte da família, A filha da minha mãe e eu conta a história do difícil relacionamento entre Helena e sua filha, Mariana. A história começa quando Mariana descobre que está grávida e se dá conta de que, antes de se tornar mãe, é preciso rever seu papel como filha, tentar compreender o de Helena e, principalmente, perdoar a ambas. Inicia-se, então, uma revisão do passado – processo doloroso, mas imensamente revelador, pautado por situações comoventes, personagens complexos e pequenas verdades que contêm a história de cada um.







MINHA VIDA COM MAMÃE E OUTRAS HISTÓRIAS DE FAMÍLIA, de Bety Orsini, ed. Rocco
Autora de Cartas do coração – Uma antologia do amor, a jornalista Bety Orsini se volta agora para a sempre tumultuada relação entre mãe e filha. As crônicas mostram o zelo, a implicância, a cumplicidade, o desejo de aprovação e, acima de tudo, o amor incondicional que permeia toda relação mãe e filha, em textos comoventes e muitas vezes hilariantes.
Bety adora implicar com dona Amélia, mas basta abrir a boca com mais uma reclamaçãozinha para receber na hora uma resposta espirituosa da mãe. O pensamento perspicaz e a rapidez das respostas da senhora de 80 e poucos anos – algumas delas funcionando como verdadeiras alfinetadas na pose da filha – provocam o riso não apenas de Bety, mas de quem toma conhecimento das histórias narradas por ela. Dona Amélia já foi tema de inúmeros textos da jornalista e agora algumas dezenas deles foram reunidos no lançamento Minha vida com mamãe e outras histórias de família.




MÃES EM GUERRA, de Jill Kargman, ed. Planeta
Um retrato maldosamente divertido de mães indiscutivelmente exageradas. Toda mãe é capaz de cometer loucuras pelo bem de seu filho. Mas o que fazer quando a loucura vira o normal? Ao mudar-se para um dos bairros mais elegantes de Nova York com o marido Josh e a filha Violet, de dois anos, Hannah Allen se vê não só diante de um estilo de vida totalmente diferente do seu como no meio de uma verdadeira guerra de mães. Por trás da aparência de bonequinhas de luxo, suas novas vizinhas revelam-se beeem cruéis, prontas para destruir qualquer uma que represente a ameaça de ser uma mãe “melhor” do que elas.
Neste livro, Jill Kargman aposta em um novo gênero que vem conquistando fãs no mundo inteiro – o "mom-lit". Seguindo o ritmo de Sex and the City e Bridget Jones, só que com protagonistas-mães, o romance teve seus direitos vendidos para oito países, além do Brasil.

11 de maio de 2012

Um Mundo Brilhante [T. Greenwood]





O que fazer quando o mundo em que você vive não é o lugar a que você pertence?

Quando o professor Ben Bailey sai de casa para pegar o jornal e apreciar a primeira neve do ano, ele encontra um jovem caído e testemunha os últimos instantes de sua vida. Ao conhecer a irmã do rapaz, Ben se convence de que ele foi vítima de um crime de ódio e se propõe a ajudá-la a provar que se tratou de um assassinato.

Sem perceber, Ben inicia uma jornada que o leva a descobrir quem realmente é, e o que deseja da vida. Seu futuro, cuidadosamente traçado, torna-se incerto, pois ele passa a questionar tudo à sua volta. Descobre-se insatisfeito em uma posição que vinha mantendo por responsabilidade – mas também por passividade. Enquanto busca a felicidade, consciente de que escolhas precisam ser feitas e atitudes precisam ser tomadas, Ben se envolve em uma rede de mentiras da qual fica cada vez mais complicado sair.

Um Mundo Brilhante proporciona uma visão de camarote de quão frágeis são os aspectos que compõem a vida de uma pessoa – acontecimentos no meio familiar, emprego, relacionamentos. A pessoa em questão é Ben Bailey, mas poderia ser qualquer ser humano na face da Terra.

Fragmentos dolorosos da infância representam uma pesada carga que o personagem leva e, a partir deles, o leitor compreende que o maior problema de Ben tem apenas quatro letras: medo. E talvez seja ele, o medo, o grande responsável por fazê-lo esconder-se em mentiras que só fazem sabotar a si mesmo.

A característica que torna esta uma leitura interessante é a perspectiva bastante realista da vida. O amor é visto de maneira até pessimista, mas sem fugir da realidade. Quando o encanto termina, sempre ficam restos com os quais nem sempre é fácil lidar.
Hoje, o anel de noivado havia se tornado um lembrete constante da maior promessa que ele havia quebrado.

O preconceito e o descaso com a população indígena são abordados – de leve. A questão do crime contra o jovem indígena apenas permeia a história. O foco está mesmo nos conflitos pessoais do protagonista.

A narrativa é bastante envolvente. No entanto, o aspecto introspectivo se faz bem presente, a ação nem sempre é óbvia, o que pode não agradar alguns leitores. Além disso, não estamos diante de uma história de amor e muito menos de um suspense policial. Os dois aspectos apenas acompanham um protagonista que transita na desordem em que se tornou sua vida.

O leitor não deve esperar um final surpreendente, pois, assim como na vida real, nem tudo é feito de surpresas e acontecimentos mirabolantes. Mas pode – e certamente irá – pensar nos rumos tomados pelo protagonista. Este, ironicamente, tem plena consciência do caminho que deve seguir, embora seja ele mesmo o elemento que dificulta a concretização de suas verdadeiras escolhas.

Leitura recomendada aos que gostam de narrativas mais voltadas para um aspecto psicológico, para as questões internas dos personagens. Já aos que se entediam facilmente na falta de grandes reviravoltas ou de um ritmo mais intenso, não aconselharia.

Título: Um Mundo Brilhante
Título original: This Glittering World
Autor(a): T. Greenwood
Editora: Novo Conceito
Edição: 2012
Ano da obra: 2011
Páginas: 336

5 de maio de 2012

5 motivos para ler Anne Rice

Anne Rice – ou Howard Allen O’Brien – nasceu no dia 4 de outubro de 1941. O nome “Anne” foi escolhido pela própria ao ingressar na escola. É viúva do poeta e pintor Stan Rice, seu amor de infância. Anne Rice é muito conhecida e apreciada principalmente por suas séries de livros acerca do universo vampírico e das bruxas, embora a autora também tenha publicado romances “avulsos”, alguns sob pseudônimos. Após o falecimento de seu marido, em 2002, Anne anuncia o abandono do universo fantástico e passa a dedicar sua escrita a temas religiosos.

Leiam Anne Rice porque...

1. Anne Rice é simplesmente uma das escritoras americanas mais lidas e reconhecidas. Suas obras dosam aspectos históricos e filosóficos de maneira singular e seus personagens realmente têm vida própria.

"O Vampiro Lestat", capa do livro
2. Os vampiros de Anne Rice são, de fato, vampiros! Vampiros que gostam de sangue humano, de matar. E estes vampiros vêm carregados de muita história, são seres que estão entre nós há séculos ou milênios, e que trazem consigo boa parte do que vivenciaram.

3. Lestat. Preciso dizer mais? Creio mesmo que nunca houve um único leitor(a) que não tenha se deixado seduzir por este vampiro, tão cruel e ameaçador, porém humano em suas qualidades e defeitos, e arrebatador em sentimentos. Um personagem único, que aparece nas obras da série Crônicas Vampirescas e que virou musical da Broadway.

4. O filme Entrevista com o Vampiro (de Neil Jordan, 1994) foi baseado em seu livro de maior sucesso. O roteiro foi escrito pela própria Anne. Curiosidade: Anne decepcionou-se com a escolha de Tom Cruise para o papel de Lestat, mas ao ver o filme pronto, a escritora voltou atrás e desculpou-se pelo prejulgamento.

5. Ainda que tenha se tornado cristã, a escritora declarou ser contra a posição ultrapassada (anti-isso, antiaquilo) do cristianismo e seus seguidores em relação a assuntos diversos, entre eles a homossexualidade.

PRINCIPAIS OBRAS:
Entrevista com o Vampiro (1976)
O Vampiro Lestat (1985)
A Rainha dos Condenados (1988)
A Hora das Bruxas I e II (1990)
Violino (1997)
O Vampiro Armand (1998)
Vittorio, o Vampiro (1999)
Cântico de Sangue (2003)
Cristo Senhor: A Saída do Egito (2005)

2 de maio de 2012

Para Sempre [Kim e Krickitt Carpenter]

Para Sempre fala, acima de tudo, de superação. Por se tratar de uma história real, o livro traz certa carga sentimental e nos faz refletir sobre a importância da motivação perante situações difíceis.

A vida que Kim e Krickitt Carpenter conheciam mudou completamente no dia 24 de novembro de 1993, dois meses após o seu casamento, quando a traseira do seu carro foi atingida por uma caminhonete que transitava em alta velocidade. Um ferimento sério na cabeça deixou Krickitt em coma por várias semanas. Quando finalmente despertou, parte da sua memória estava comprometida e ela não conseguia se lembrar de seu marido. Ela não fazia a menor ideia de quem ele era. Essencialmente, a "Krickitt" com quem Kim havia se casado morreu no acidente, e naquele momento ele precisava reconquistar a mulher que amava.

Como narrador, Kim Carpenter conta sua história de amor com Krickitt, como se conheceram, o casamento, e o acidente que mudou a vida de ambos e suas consequências. Ele descreve suas angústias – derivadas do acidente – e faz com que o leitor perceba a grandiosidade de seu amor pela esposa.

Uma característica da obra que não me agradou foi a ênfase que é dada, constantemente, na religião e na fé em deus. Ainda que estes tenham sido aspectos fortes na história de Kim e Krickitt (e lembrando que tudo é narrado por Kim), a impressão é a de que o texto tenta convencer o leitor de que a fé cristã foi a principal responsável pela sobrevivência e recuperação de Krickitt, e ainda, pela reestruturação da vida do casal. Ou seja, as pessoas que cruzaram o caminho do casal, os ótimos profissionais envolvidos, etc, tudo teria sido “colocado” na vida deles por obra da fé. Um pouco demais, não?

Abri o review falando que esta é uma história de superação. E prefiro continuar nesta perspectiva, digamos, mais realista – ou racional, se preferirem. Acredito que, no lugar das palavras “fé” ou “deus”, caberiam muito bem estas outras palavrinhas mágicas: “determinação”, “força de vontade”, “amor”.

Permitam-me abrir um parêntese:
Ao “julgar” o livro pela capa, o leitor espera encontrar “a história que inspirou o filme” – conforme lemos na própria capa. Não vi o filme, portanto não sei apontar as semelhanças e diferenças em relação ao livro e à história real. O que não se imagina, no entanto, é a abordagem através da qual é contada essa história. Somente ao olhar os dados de catalogação no interior do livro, é que vemos como item número 1: “Biografia cristã”. Informação que a capa e a sinopse não transmitem. Se, por um lado, isto pode servir para “aumentar” o público abrangente, no final, a quantidade de leitores decepcionados também é maior. Leitores que, muito provavelmente, não fazem parte do real público do livro. (Um consumidor insatisfeito sempre tem boa memória.)

Para Sempre não foi uma leitura muito marcante em termos positivos. Mas o texto também não é horrível. Tirando todo o aspecto em torno da religião, é interessante observar a reconstrução da vida do casal. O livro ainda reúne características capazes de fazer com que alguns leitores se emocionem. Contudo, e particularmente falando, Para Sempre não conseguiu me causar grande comoção.
Título: Para Sempre
Título original: The Vow
Autor(a): Kim e Krickitt Carpenter
Editora: Novo Conceito
Edição: 2012
Ano da obra: 2012
Páginas: 144

20 de março de 2012

Zodíaco [Robert Graysmith]



Aterrorizando a cidade de San Francisco desde 1968, o serial killer Zodíaco, em cartas cheias de escárnio enviadas aos jornais, escondia pistas sobre sua identidade e usava astuciosas mensagens criptografadas que desafiavam as maiores mentes decifradoras de código da CIA, do FBI e da NSA. Nessa época, o autor, Robert Graysmith, era o cartunista de política do maior jornal do norte da Califórnia, o San Francisco Chronicle, de forma que estava lá quando cada uma das cartas criptografadas, cada mensagem codificada, cada farrapo de roupa ensanguentada das vítimas chegou à redação. Esta é a história real de uma caçada que se estende por mais de duas décadas e que ainda persiste.

Zodíaco é o tipo de livro indicado para quem, como eu, curte o gênero policial. Não se trata, porém, de um romance policial; o livro relata fatos verídicos, o que certamente proporciona doses extras de emoção. Por mostrar uma história real e ser considerada uma obra de não ficção, a narrativa não mergulha em um “tom” muito literário, digamos que ela apenas esbarra aí, mas o aspecto de relato termina por dominar a maior parte das 416 páginas do livro.

Considerei – opinião bastante pessoal – o início meio “fraquinho”. No entanto, do terceiro capítulo em diante, o livro adquire um ritmo que eu chamaria mesmo de alucinante. A partir do momento em que o assassino Zodíaco começa a enviar cartas aos jornais de San Francisco, é impossível largar o livro. Os capítulos são nomeados de acordo com os crimes e, ainda, estes são subdivididos por datas, o que faz com que realmente acompanhemos a cronologia do caso.

Uma das cartas enviadas pelo
assassino Zodíaco
Detalhes dos crimes e das investigações fazem toda a diferença. Passagens peculiarmente interessantes como, por exemplo, a que explica o procedimento de autópsia e também as buscas por impressões digitais, aproximam ainda mais o leitor dos fatos que estão sendo relatados acerca do caso do tão conhecido (e enigmático) serial killer. Mas, a cereja do bolo aqui é, com certeza, a reprodução das cartas – na íntegra – que o assassino enviou à imprensa, além da inclusão de mapas e retratos falados. Também vale a pena mencionar que o caso tem um teor psicológico importante – o que achei sensacional.

Justamente por se tratar de um caso real, nem tudo o que é relatado apresenta um “sentido perfeito”, não é aquele quebra-cabeça em que as peças se encaixam pouco a pouco e progressivamente. Pistas confusas, suspeitos incertos, além de questões que surgem na cabeça ao longo do livro... Não é difícil surpreender a si mesmo tentando desvendar o caso com base no que é fornecido no livro.

Leitura fortemente recomendada! Esta edição inclui ainda um capítulo falando sobre o filme homônimo, de 2007, dirigido por David Fincher.

Título: Zodíaco
Título original: Zodiac
Autor(a): Robert Graysmith
Editora: Novo Conceito
Edição: 2007
Ano da obra: 1986
Páginas: 416

25 de janeiro de 2012

Anna e o Beijo Francês [Stephanie Perkins]







“Isto é tudo o que sei sobre a França: Madeline, Amélie e Moulin Rouge. A Torre Eiffel e o Arco do Triunfo também, embora eu não saiba qual a verdadeira função de nenhum dos dois.”

Anna Oliphant muda-se para Paris, resultado unicamente da decisão de seu pai, um famoso escritor norte-americano, que deseja que a filha estude durante um ano em um colégio interno de elite na Cidade Luz. Mas Anna não gostou nada da ideia, já que sua vida está toda em Atlanta: um emprego, sua melhor amiga e um rolo prestes a virar namoro. Mas em Paris há Étienne St. Clair: bonitão, inteligente, muito carismático e... comprometido. Anna e Étienne acabam se tornando amigos muito próximos e aí tudo fica MUITO complicado.

O que eu posso falar de Anna e o Beijo Francês?!?! Com certeza devo mencionar que é aquele tipo de livro que você lê muito rápido, que te faz adorar e odiar os personagens – ao mesmo tempo! – e que traz momentos de friozinho na barriga.

Ok, vamos ser sérios. O enredo não traz nada de verdadeiramente inovador, além de reunir elementos bastante óbvios: garota encontra garoto em Paris. E, se considerarmos que o garoto em questão é praticamente “perfeito” aos olhos femininos e que temos Paris como pano de fundo (acho que nem preciso comentar nada sobre Paris, né!)... Porém, neste caso, os clichês foram aplicados de maneira positiva, ao invés de simplesmente afundar o livro em uma historinha boba – o que não raro acontece por aí. A autora juntou ingredientes manjados e os transformou em um livro muito gostosinho de ler! A leitura se mostra em um ritmo ideal, e as intrigas acrescentam certo movimento na história, mantendo o livro bem longe do tédio. A narrativa é feita em 1ª pessoa, sob a ótica de Anna.

Basicamente, o enredo é focado em um possível romance entre os protagonistas, mas existem também outras histórias na vida deles, e ainda outras relacionadas aos amigos deles. Estas outras histórias são abordadas no livro, mas não de forma muito aprofundada – também não ficam na superficialidade extrema; diria que nos é mostrado o suficiente. Os personagens são interessantes e conquistam o leitor nos primeiros capítulos. É interessante ver como eles lidam com os altos e baixos entre si, como eles enxergam os obstáculos e os tantos tropeços nessa amizade que vem acompanhada de atração quase que irresistível. Existe entre os protagonistas uma tensãozinha sexual constante, sem ser apelativa ou forçada. Ponto mega positivo.

Infelizmente, encontrei pontos que não me agradaram no livro. Tive a impressão de que a tradução não foi tão cuidadosa assim, e que escaparam errinhos de revisão. Foi uma pena, achei que o livro merecia atenção maior neste quesito. Apesar de tudo, a leitura não sofreu prejuízos imensos.

Mergulhado no universo de fim de adolescência, Anna e o Beijo Francês não é um livro de grandes mensagens, mas é REALMENTE gostoso de ler. O enredo envolve e faz com que seja praticamente impossível largá-lo. Recomendo, com certeza!

P.S. (desnecessário e bastante pessoal): o personagem St. Clair é simpático, mas essa aura toda de perfeição em torno dele não me chamou muito a atenção. Quero dizer, pode ser que a maioria das garotas babe por ele (e certamente foi essa a intenção da autora), mas ele tem um perfil que, na minha concepção, está consideravelmente longe do que eu vejo como atraente.

Título: Anna e o Beijo Francês
Título original: Anna and the French Kiss
Autor(a): Stephanie Perkins
Editora: Novo Conceito
Edição: 2011 – 2ª impressão
Ano da obra: 2010
Páginas: 288

8 de janeiro de 2012

L.A. Candy [Lauren Conrad]


Um produtor de TV contrata Jane e Scarlett, melhores amigas recém-saídas da escola, para gravar um reality show sobre quatro jovens tentando ganhar a vida em Los Angeles. Scarlett estranha tanta atenção, mas Jane adora ter um bom apartamento e entradas VIP para boates.

Enquanto as garotas experimentam a fama repentina, percebemos os “poréns” da vida de celebridade. Sujeitas à falta de privacidade e às edições um tanto manipuladas das gravações, elas viram centro de uma série de conflitos.

Eis um bom livro para uma leitura rapidinha, para distrair mesmo. L.A. Candy é divertidinho, de leitura leve e fácil, para ler de um fôlego só – pessoalmente, considero-o ideal para “encaixar” entre livros mais complexos.

Mais ou menos como ler uma revista sobre celebridades, ou melhor, realmente assistir a um reality show na TV, L.A. Candy nos mostra como acontecem as gravações de um reality show (que de espontâneo e real não tem lá muita coisa) e o impacto deste na vida das garotas participantes. Claro que conflitos, falsidade e amizades abaladas são ingredientes presentes, e até bem previsíveis, mas nem por isso fazem com que o livro seja um grande e enfadonho clichê. Ok, clichê é uma característica do livro, mas ele não chega nem perto de ser enfadonho.

As personagens caem um pouco no óbvio e são estereotipadas, assim como nos reality shows que vemos por aí. Como o enredo trata de um reality show, é natural que as personagens tenham o perfil de tal tipo de programa. É interessante notar que aqui, dado o fato de estarmos inseridos em um reality show rodado em Los Angeles, as aparências parecem valer zilhões de vezes mais que as essências. Tal aspecto é facilmente percebido nas personagens, que não mostram ao leitor um perfil psicológico altamente delineado e carecem de complexidades. Em contrapartida, a cada momento nos é descrito seu visual com detalhes: roupas, acessórios, cabelo e afins.

Merece destaque a personagem Scarlett, uma beldade inteligente e sem muita frescura de deixar bem claro quando algo não a agrada. Além disso – e aí vai a característica que me conquistou na personagem –, ela curte os livros de Gabriel García Márquez!

Gostei de como o livro mostra a dinâmica e rotina de um reality show, de como tudo pode ser manipulado a ponto de transformar as participantes em verdadeiras personagens de uma historinha engendrada pela produção do programa. O enredo também faz pensar se realmente tal exposição não seria um preço muito alto a pagar em troca de fama e privilégios de uma vida de VIP.

Lauren Conrad, a autora de L.A. Candy
Além do que acabei de citar logo acima, o que torna L.A. Candy uma leitura particularmente interessante é o fato de Lauren Conrad, a autora, ter participado de reality shows (Laguna Beach: The Real Orange County e The Hills, ambos transmitidos pela MTV). Além de celebridade, Lauren é também designer de moda. (Confesso que este pequeno parágrafo foi resultado de uma pesquisa rápida, já que antes de ler o livro eu nunca havia ouvido falar em Lauren Conrad.)

O único ponto realmente negativo do livro foi o final. Desacreditei quando li a última página, já que termina totalmente sem conclusão. Tudo bem que o livro faz parte de uma trilogia, mas como leitora, sou da opinião de que cada livro deve trazer um desfecho, mesmo que haja uma continuação. Como gostei do livro, pretendo ler os próximos volumes – bom, o final deste praticamente obriga o leitor a fazê-lo. Porém, se não tivesse achado o livro divertido, terminaria por odiá-lo e a indignação com o final teria sido bem maior.

Para os que apreciam chick-lit, recomendo o livro. L.A. Candy não deixa a desejar e cumpre o papel esperado em relação ao tema abordado. Uma leitura para descontrair. Não adianta esperar nada muito profundo: o livro é recheado de futilidades, sim, mas é divertido e prende o leitor!

Título / Título original: L.A. Candy
Autor(a): Lauren Conrad
Editora: Galera Record
Edição: 2011
Ano da obra: 2009
Páginas: 316

4 de outubro de 2011

Bonequinha de Luxo [Truman Capote]

É difícil falar deste livro sem evocar o tão célebre filme de mesmo título (originalmente, Breakfast at Tiffany’s, dirigido por Blake Edwards, 1961), que mostra uma imagem imortalizada de Audrey Hepburn.


A história gira em torno de Holly Golightly, garota vinda do interior para tentar a sorte em Nova York. Encantadoramente fora do convencional em seus hábitos, sua malícia “espevitada” e espontaneidade atraem os mais diversos tipos, em especial o escritor Paul Varjak (a quem ela chama de Fred).
O livro traz também 3 contos do autor: A casa das flores, O violão de diamantes, e Uma recordação de Natal.

Bonequinha de Luxo garante uma leitura muito prazerosa e fluida. É o tipo de livro que mantém o leitor envolvido por horas a fio. Uma pitada de humor, outra de sarcasmo, e mesmo uma pincelada de drama não óbvio, são ingredientes que se mesclam e tornam o livro mesmo especial aos olhos de quem o lê.

Holly é uma personagem única (e indissociável de Audrey Hepburn – quem viu o filme não dará outra cara a Holly que não seja a de Audrey) e naturalmente hilária em seus modos. Aliás, todos os personagens têm algo que os torna um pouco cômicos, mesmo que seja apenas em alguns momentos. Holly traz consigo a imagem da mulher, de certa forma, à frente de seu tempo, tentando sobreviver na realidade hostil de Nova York. Garota de programa, ela utiliza seus relacionamentos de forma a levar a vida como pode.

Capa atual, da
Companhia das Letras
Entre as cenas do filme que encontrei descritas no livro, destaco a parte em que Holly e Paul (ou Fred, como preferirem!) roubam máscaras de uma loja. Porém, adianto que o livro não é idêntico ao filme e, já que a comparação é inevitável, aproveito para dizer: o livro é ótimo, mas o filme me encantou mais – e o principal motivo é, sem dúvidas, Audrey Hepburn (ok, deu para perceber que eu a admiro, mas quem viu este ou outros filmes dela há de concordar comigo que ela é única). Recomendo fortemente o livro, principalmente aos fãs do filme. Aos que se interessarem pela leitura e que não conhecem o filme, leiam o livro e assistam ao filme depois; garanto que não se arrependerão!

Bonequinha de Luxo foi o primeiro livro que li do autor Truman Capote, e foi suficiente para atiçar ainda mais minha curiosidade em relação a seus outros livros.
Quanto aos 3 outros contos presentes no livro, todos trazem personagens bem peculiares, o que me agradou bastante. Uma recordação de Natal merece destaque pela singeleza; uma história delicada e bela.

Para terminar, a edição que li é de 1988, da L&PM. A edição mais atual é da Companhia das Letras, e acredito que inclua os 3 contos também. Sobre a capa, gosto de ambas, mas essa carinha meio retrô – com um toquezinho kitsch até – da antiga me faz preferi-la!

Título: Bonequinha de Luxo
Título original: Breakfast at Tiffany’s
Autor(a): Truman Capote
Editora: L&PM
Edição: 1987-1988
Ano da obra / Copyright: 1958

1 de outubro de 2011

Vi na Livraria: Sapatos de Arrasar


SAPATOS DE ARRASAR, de Laura Levine, editora Arx

Quando abraçou a oportunidade de escrever anúncios para uma sofisticadíssima loja de roupas de Los Angeles, Jaine Austen não poderia imaginar que acabaria envolvida em uma história de assassinato. Por artimanhas do destino, é ela quem encontra o corpo de Frenchie, a nova diretora, com o salto finíssimo do sapato de grife enfiado no pescoço. A polícia suspeita de uma jovem vendedora da loja. Convencida de sua inocência, Jaine decide ajudá-la, atuando como detetive particular. Uma tarefa difícil. Em primeiro lugar, pelo excesso de suspeitos - Frenchie, ambiciosa e voraz, colecionava amantes e inimigos. Em segundo lugar, porque o mundo fashion é uma incógnita para a desajeitada e gorducha Jaine - que para solucionar o mistério e salvar a própria vida conta apenas com o apoio emocional de sua gata Prozac e de algumas guloseimas nada diet.

25 de agosto de 2011

Amores Infernais [vários]


5 contos (de diferentes autores) que abordam o amor adolescente de maneira a fugir um pouco da “receitinha de bolo” palavras melosas+suspiros+final feliz.
Amores Infernais traz uma leitura razoável (ou seja, até dá para distrair...), porém acho válido frisar que é bem voltado aos leitores adolescentes.

O que me deixou mais curiosa em relação a este livro foi a presença de Scott Westerfeld entre os autores. Como apreciadora da série Feios, nutri considerável expectativa em relação ao conto dele em Amores Infernais. E, de fato, Abominável mundo perfeito foi um dos contos de que mais gostei no livro. O aspecto futurista esteve em cena novamente e a originalidade da história merece destaque.
O outro conto que divide o posto de “meu preferido” (e que, junto ao anterior, “salva” o livro) é Mais ralo que água, de Justine Larbalestier – esposa de Scott Westerfeld. O conto me atraiu por ser trágico e delicado, e por envolver essa ideia de uma aldeia “parada no tempo”, costumes e crenças antigas em contraponto com o mundo atual (e o conflito que isso gera na vida dos jovens daquele lugar).

Os outros três contos, em minha opinião, não têm nada de especial e nem de muito novo. Trazem o sobrenatural (tema já tão batido hoje) em histórias que muito provavelmente serão esquecidas pelos leitores algum tempo depois de terminarem o livro. Talvez Perdido de amor seja mais curioso em relação aos outros dois, mas não é muito mais que isso, curioso. Fan fic foi o que menos gostei por achá-lo extremamente óbvio.

Como disse antes, fica o tempo todo muito claro que Amores Infernais visa o público adolescente. Os contos, de maneira geral, são muito teen. Além da forte presença do ambiente escolar, há sempre aquela “preocupação” em não deixar que o amor atrapalhe os estudos e o futuro profissional. Achei isto até exagerado, como se o objetivo fosse passar uma imagem do que é considerado correto e influenciar positivamente os leitores.

O livro não é de todo péssimo, já que é de fácil leitura e pode ser uma boa distração – na falta de opção. Também é caprichadinho no quesito capa e interior, gostei disso. Não chego a recomendar a leitura, exceto, talvez, para o público pré-adolescente (ou para quem estiver curioso em relação ao conto de Scott Westerfeld).

Título: Amores Infernais
Título original: Love is Hell
Autor(a): Laurie Faria Stolarz, Scott Westerfeld, Justine Larbalestier, Gabrielle Zevin, Melissa Marr
Editora: Galera Record
Edição: 2011
Ano da obra / Copyright: 2008

12 de agosto de 2011

Dia dos Pais = Livro + Filme

Dia dos Pais... Nada mais justo e conveniente que um Livro + Filme! E o título escolhido para esta ocasião é Peixe Grande.

Sobre o livro, não posso ir além da sinopse, pois ainda não o li. Mas o filme é espetacular – e dificilmente não o seria, já que estamos falando de Tim Burton, diretor dos belíssimos Sweeney Todd, A Noiva-Cadáver e A Fantástica Fábrica de Chocolate, só para citar alguns. A história é divertida e também emociona, de levar às lágrimas mesmo. Ótimo para uma "sessão sofá" no Dia dos Pais!
Já o livro, se seu pai não curtir muito o gênero, providencie-o para você mesma(o), para conhecer a história que deu origem ao filme (é o que eu faria!). =P




No dia em que Edward Bloom nasceu, uma nuvem carregada de raios, que queimavam a copa das árvores e ameaçavam fazer o mesmo com a cabeleira dos homens mais altos, trouxe a chuva que pôs fim à mais severa seca da história do estado do Alabama. Em seu aniversário de nove anos, ele se deparou com um homem congelado dentro de um imenso bloco de gelo, no caminho para o primeiro dia de escola. Mais tarde, já adolescente, derrotou com uma boa conversa um eremita gigante que morava numa caverna nas montanhas e devorava tudo o que via pela frente. É neste clima de fantasia que Daniel Wallace dá forma a Peixe Grande - Uma Fábula do Amor Entre Pai e Filho.

O livro é montado sobre episódios cronologicamente ordenados que narram a vida de Bloom. Seu nascimento, suas aventuras de infância, a passagem para a vida adulta, a descoberta do amor, o nascimento do filho, etc... E justamente o filho, que tantas e tantas vezes ouviu o pai contar as aventuras de sua vida, é o narrador do livro.

DVD Peixe Grande e Suas
Histórias Maravilhosas
Costurando os episódios fantásticos que cobrem a vida de Edward Bloom, está a triste realidade de sua morte que, sabiamente, foge da ordem cronológica para entremear toda a narrativa.
Ao juntar as histórias do pai moribundo, o narrador tenta compreender melhor a figura do próprio pai e o que havia de verdadeiro em tantos contos espantosos e inacreditáveis.

O romance chegou às telas de cinema na adaptação de Tim Burton em 2003, com Albert Finney e Ewan McGregor dividindo o papel principal.

LIVRO: Peixe Grande – Uma Fábula do Amor Entre Pai e Filho (de Daniel Wallace, Ed. Rocco)
FILME: Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas (Big Fish, de Tim Burton, EUA, 2003)




Sinopse: Skoob - www.skoob.com.br / Melhores Filmes - www.melhoresfilmes.com.br

4 de agosto de 2011

Folhas Caídas [Thomas H. Cook]

“Fotos de família sempre mentem...
Você pode capturar um determinado momento da vida
de uma pessoa, mas é impossível captar
o que se esconde por trás dos sorrisos forçados...”

Com uma vida confortável e uma família estruturada, Eric Moore pode se considerar um homem de sorte, feliz. Dono de uma loja de material fotográfico, tudo parece bem na pacata cidade de Wesley, até que Amy Giordano – uma garotinha de 8 anos que vive nas redondezas – desaparece misteriosamente. A vida perfeita de Eric, então, parece começar a se dissolver, já que seu filho adolescente Keith é quem tomava conta de Amy na noite de seu desaparecimento...

Com ritmo intenso e sem enrolação, Thomas H. Cook nos prende do início ao fim em Folhas Caídas. Tão logo começamos a leitura, somos levados em uma espiral diretamente à vida familiar de Eric Moore, à inocência e à posição distanciada que assume em relação aos confrontos de forma geral. Acompanhamos o personagem, que narra em primeira pessoa, atuando em meio aos conflitos que surgem e envolvem diretamente sua família (ocasionados pelo desaparecimento da menina Amy) e que são o estopim para que problemas há muito enterrados no passado venham à tona. De maneira muito convincente, o personagem nos leva junto a ele em suas suspeitas e descobertas.

O suspense nos acompanha até as páginas finais do livro, sendo mesmo impossível conter a curiosidade perante a trama. Os personagens convencem de forma surpreendente, e são humanos em tudo, inclusive – e principalmente – em suas falhas. Achei muito interessante a forma como o autor nos faz penetrar na mente de Eric, como observamos tudo através de seus olhos. Sabe aquele sentimento louco de perceber que, na realidade, não conhecemos ninguém de verdade? É isso o que o personagem enfrenta durante todo o livro. Cada pessoa, principalmente seus familiares, de uma hora para outra, parecem estranhos para ele – ou, creio eu, sempre foram, mas ele tratava de mascarar isso com uma visão cor-de-rosa na qual levava a vida perfeita com uma família perfeita. E é rapidamente que nos tornamos testemunhas oculares do desmoronamento de tudo o que o protagonista tinha como certo em sua vida. É triste, confesso, e não está longe da realidade, não. Alguns capítulos, inclusive, são intercalados por passagens nas quais o protagonista fala diretamente conosco, leitor, reforçando a sensação de que o que aconteceu com ele poderia acontecer com qualquer um de nós.

Gosto bastante de romances policiais, principalmente pela tensão quase que insuportável que é gerada entre os personagens e dentro de cada um deles. E nisto, Folhas Caídas foi excelente. Porém, eu esperava encontrar uma explicação minuciosa no final, destrinchando os fatos e revelando “a genialidade” do crime, o que não aconteceu (o livro é mais focado na fragilidade e incerteza das relações). Tirando este único ponto que deixou a desejar, de maneira geral, Folhas Caídas não só atendeu, como superou as expectativas que tive antes da leitura.

Título: Folhas Caídas
Título original: Red Leaves
Autor(a): Thomas H. Cook
Editora: Bertrand Brasil
Edição: 2011
Ano da obra / Copyright: 2005

3 de julho de 2011

Especiais [Scott Westerfeld]

Primeiramente, agradeço a Galera Record pelo exemplar de Especiais! E aproveito para dizer que muito em breve haverá sorteio aqui no blog! Fiquem ligados! =P


Tally agora é praticamente uma arma letal, com reflexos ultrarrápidos, dentes e unhas afiados e uma beleza cruel. Mas o mais importante de tudo é que ela passa a ver e sentir o mundo de uma maneira diferente, de uma maneira sagaz. Agora tudo está muito claro em sua mente, e nenhuma emoção perfeita atrapalha sua concentração – ou pelo menos não deveria...
Tudo passa a depender de uma decisão: escutar um último e fraco suspiro de seu coração ou seguir seus instintos e dar continuidade à missão para qual foi treinada. De uma maneira ou de outra, Tally vai mudar para sempre seu destino e, como de costume, vai provar que não é como os outros.

Depois de Feios e Perfeitos, Especiais conclui a trajetória de Tally Youngblood (ainda que Extras seja o último volume, parece que ele não traz Tally como protagonista). E, como aconteceu com os dois livros anteriores, é praticamente impossível largar esse aqui antes de chegar ao final.

Desde Feios, Tally começou uma revolução que não pode ser ignorada ou simplesmente abandonada, e isso requer certa maturidade de sua parte.

Maturidade é uma palavra que se encaixa muito bem no contexto do livro. Ao longo da leitura, é possível perceber um amadurecimento gradativo de Tally perante tudo o que acontece ao seu redor. Ela se percebe frente a frente com tudo o que conseguiu alcançar com sua ousadia, todas as mudanças no mundo e escolhas que precisa fazer.

A narrativa de Scott Westerfeld continua deliciosa, e o enredo, surpreendente. Mais uma vez, o texto nos instiga a fazer uma série de questionamentos, a analisar mais a fundo certos conceitos que já vinham sendo desenvolvidos nos outros dois livros. Um deles é a liberdade; até que ponto os seres humanos sabem lidar com ela? Percebemos que aqui, liberdade pode significar uma tendência a retornar a padrões antigos dos Enferrujados, e que a fronteira entre progresso e retrocesso é frágil e – por que não? – repleta de falhas.

Especiais nos leva a conhecer um pouco mais da tão temida Circunstâncias Especiais e o papel que ela representa. Ao ser dominado pelo sentimento de superioridade e ao considerar medíocre tudo (e todos) que não esteja à altura de si, a figura de um Especial retrata o ser humano em sua essência (claro que de forma mais exagerada). Afinal sabemos que o egocentrismo e a necessidade de dominação são aspectos inatos do homem (e dos animais como um todo).

O interessante é que, se olharmos mais de perto os Perfeitos, os Especiais, os Enfumaçados, os aldeões das tribos, percebemos que cada um deles apresenta determinado aspecto do ser humano em demasia e ausência completa de outros aspectos. E concluímos que, ao que parece, os Feios são o grupo que une todos os aspectos de maneira mais equilibrada (ainda que expostos a tantas influências exercidas pelos outros grupos), fato que os tornaria quem sabe até mais poderosos que os demais.

Para não dizer que nada no enredo me irritou, muitas vezes me vi achando um saco a atitude de Tally em relação a Shay (“sim, chefe; não, chefe”). Mas isso também não deixa de ser um indício do crescimento interno de Tally, uma vez que reconhece alguém que em dada situação é mais experiente e, portanto, merece ser ouvido.

Já me alonguei muito nesse texto, e a conclusão não poderia ser mais óbvia: Especiais (assim como todos os livros da série) merece ser lido com entusiasmo e ser motivo de reflexão e revisão de conceitos. Recomendadíssimo em absoluto!

Título: Especiais
Título original: Specials
Autor(a): Scott Westerfeld
Editora: Galera Record
Edição: 2011
Copyright original: 2006

LEIA A RESENHA DE FEIOS
LEIA A RESENHA DE PERFEITOS

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