Mostrando postagens com marcador Record. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Record. Mostrar todas as postagens

29 de abril de 2012

Dia do Trabalho = Livro + Filme

1º de maio, Dia do Trabalho... Nada melhor que a duplinha livro + filme sobre uma profissão (e um universo), digamos, interessante. Explico melhor...

Apesar de ambos, livro e filme, não se tratarem de lançamentos (e nem é este o intuito dos posts “livro + filme”), achei bem válido mostrá-los aqui. Basicamente, foram dois os motivos pelos quais escolhi o livro $ 29,99 (cuja adaptação cinematográfica é intitulada 99 Francos) para este post:

1. Tenho muita vontade de ler e descobrir mais sobre o autor (nunca li nada dele) e sobre a literatura francesa contemporânea.
2. Sou formada em Publicidade e Propaganda, e a proposta – tanto do livro quanto do filme – me parece genial. A desconstrução da imagem de glamour da publicidade e os infortúnios pessoais do protagonista (que parecem regados com uma deliciosa dose de ironia) possivelmente rendem um pacote “diversão + reflexão” por umas boas horas.

E acrescento aí mais um motivo em relação ao filme:
3. Sou fã do cinema francês.



LIVRO: $ 29,99, de Frédéric Beigbeder, ed. Record, 2003

$ 29,99 é uma parábola sobre a propaganda, seus súditos e profissionais, entre eles o próprio autor*. Octave é um publicitário famoso, com um salário invejável e capaz de atrair ainda mais dinheiro, mulheres e cocaína em quantidades suficientes para torná-lo uma espécie de super-homem. Mas, na verdade, logo o leitor descobre que Octave está mais para morto do que vivo, é infeliz, insatisfeito e nem todo o aparente glamour de sua vida o impede de ser um eterno nostálgico, noite e dia suspirando pela mulher que o deixou.

*Frédéric Beigbeder trabalhou em algumas grandes agências de publicidade, a Young & Rubicam de Paris foi uma delas.





FILME: 99 FRANCOS(99 Francs, de Jan Kounen, França, 2007)

Sinopse: O mundo da publicidade pode ser maravilhoso, mas também pode destruir. Octave é publicitário de uma agência famosa e tem acesso fácil a drogas, mulheres e dinheiro. A vida dele muda totalmente quando conhece Sophie, depois do fracasso de uma campanha que ele fez para uma empresa importante. Uma sátira cômico-dramática do mundo publicitário.




26 de julho de 2011

Dublinenses [James Joyce]

Primeira obra que leio de James Joyce. Inclusive li que Dublinenses é uma boa pedida para quem quer conhecer um pouco do autor e começar a se aventurar em suas obras. É um livro de leitura mais fácil, ao contrário de Ulisses e Finnegans Wake – tidos como bastante complexos.


Dublinenses foi publicado originalmente em 1914 e consiste em 15 contos que retratam a vida e os habitantes de Dublin, sua cidade natal. Segundo o próprio autor, os contos formam uma espécie de história moral da Irlanda, e são narrados ao leitor através de uma abordagem realista.

Os contos mostram determinados momentos da vida, por exemplo, a juventude e a maturidade, além de proporcionarem um retrato da vida em sociedade, uma crítica de seus costumes. Há forte presença de características morais e comportamentais da Irlanda de então, sendo elas o alcoolismo (isso eu pude ver com meus próprios olhos, é fato: o irlandês gosta de encher a caneca, sim! =P ), o aspecto violento na vida familiar e a rigidez no catolicismo. O nacionalismo é notadamente presente, assim como o ressentimento em relação à Inglaterra. É interessante pontuar que os contos são narrados de maneira a permitir que observemos o que se passa, mas sem “pensar” ou “sentir” por nós, há certa neutralidade.

A leitura é bastante agradável e flui com facilidade. Os personagens são muito humanos, e a narrativa nos leva a embarcar no interior mais íntimo de cada um deles, aspecto que muito me agradou. Situações conflituosas mostram-se presentes em quase todos os contos e é interessante ver como os personagens lutam – ou não – para mudar determinada condição.

Os contos tratam de aspectos do cotidiano, como se observássemos a vida dos personagens durante certo período de tempo. E assim como começam, eles terminam, muitas vezes sem um “desfecho” propriamente dito. Um espelho da própria vida, que continua seguindo seu curso mesmo que nossa observação tenha sido interrompida.

Cada conto me agradou de maneira peculiar. Mas tenho dois deles como meus favoritos: Um caso doloroso e Os mortos (o mais famoso dentre todos do livro).
Divido com vocês um trechinho que chamou minha atenção no conto Um caso doloroso:
Concordaram em romper relações. Todo vínculo, disse ele, é um vínculo para o sofrimento.

Cartaz de Os Vivos e
Os Mortos


Curiosidade: o conto Os mortos teve uma adaptação para o cinema. Trata-se do filme Os Vivos e os Mortos (título original: The Dead), dirigido pelo norte-americano John Huston em 1987. Este foi o último filme do diretor e pai da atriz Anjelica Huston, que nele interpreta o papel de Gretta Conroy.

Gostei muito da leitura de Dublinenses e a recomendo fortemente a quem tiver interesse em conhecer um pouco da obra de James Joyce.





Título: Dublinenses
Título original: Dubliners
Autor(a): James Joyce
Editora: Civilização Brasileira (selo da Editora Record)
Edição: 2006 (11ª)
Ano da obra / Copyright: 1914

3 de junho de 2010

Vi na Livraria: As Observações


AS OBSERVAÇÕES - Jane Harris
Escócia, 1863. A jovem irlandesa Bessy Buckley torna-se criada em uma propriedade rural em Edimburgo. Por saber escrever, é eleita a favorita da patroa, Arabella Reid. Intrigada com a insistência de Arabella em que ela mantenha um diário relatando desde as tarefas mais frívolas até seus pensamentos mais reservados, Bessy logo se vê explorando o mundo de segredos de Arabella, segredos que ocultam as misteriosas circunstâncias da morte de Nora, sua predecessora no Castelo Haivers.

As Observações no SKOOB

17 de maio de 2010

Crônica de uma Morte Anunciada

O anúncio da morte de Santiago Nasar marca o início de Crônica de uma Morte Anunciada. Tudo começa com o casamento (sem amor) de Bayardo San Román e Ângela Vicário. Ela, não sendo virgem, é aconselhada por suas amigas a fingir a pureza inexistente, porém acabou não o fazendo e foi devolvida pelo marido na primeira noite. Interrogada pelos irmãos a respeito de quem teria sido o responsável por desvirginá-la, Ângela, sem pensar muito, entrega o nome de Santiago Nasar, e assim acaba por escrever a sentença final do rapaz.

A fim de devolver a honra a sua família, os gêmeos Pedro e Pablo Vicário decidem matar Santiago Nasar com as facas de abater porcos, e o anunciam incansavelmente a cada um que cruza seu caminho, na esperança de que alguém os impeça de cometer o crime. O anúncio da morte provoca preocupação em alguns, mas também descrença em outros e, dentro de poucas horas, toda a comunidade já sabe que matarão Santiago Nasar, com exceção dele próprio. No entanto, ainda que todos soubessem da desgraça que ocorreria, ninguém realmente impediu a morte.

Apesar de conhecermos a trágica sentença de Santiago Nasar logo na primeira página de Crônica de uma Morte Anunciada, a narrativa é tão instigante que torna impossível largar o livro antes de chegar ao final. Os acontecimentos são contados com uma velocidade feroz – assemelhando-se a uma produção jornalística – por um narrador que deseja desvendar a história juntando as peças de um quebra-cabeça. Ele colhe depoimentos das pessoas da comunidade e, tal como ocorre em uma investigação, existe a divergência. Muitos se lembravam do dia como uma “manhã radiante”, já outros insistiam no tempo ruim e céu sombrio.

Desde o momento em que Ângela Vicário nos revela o nome de Santiago como sendo aquele que a desvirginara, o narrador carrega a dúvida (e nós, leitores, também) sobre se Santiago seria mesmo o autor do ato ou se, culpando-o, Ângela na verdade encobria o nome de um possível amante. Os infelizes acontecimentos ecoaram por muitos anos na vida de Bayardo San Román e Ângela Vicário, fazendo-se presentes em forma de solidão; mas, também, acabaram por revelar para ambos uma luz no fim do túnel.

O momento em que os gêmeos Vicário matam Santiago Nasar é realmente singular, mas não vou revelá-lo por completo, de chofre, aos possíveis futuros leitores do livro. Assim, atenho-me a destacar o momento em que Pablo Vicário lhe deu uma facada no ventre e “os intestinos completos afloraram como uma explosão”. Alucinado, Santiago Nasar caminha “amparando com as mãos as vísceras penduradas” e, ao ser perguntado sobre o que lhe havia passado, ele apenas responde: “Me mataram (...)”.

É interessante como a obra nos mostra preconceitos e comportamentos demasiado arcaicos (se pensarmos nos dias de hoje) tão cravados na comunidade que acabam sendo normalmente aceitos, inclusive pelos vitimados, levando a que o crime adquira o papel de consequência irremediável e até necessária. Ao haver tanta gente avisada da morte e curiosa quanto aos últimos momentos de Santiago Nasar, é de admirar que ninguém o tenha visto lá pelos finais de seu trajeto para alertá-lo. Em resposta, o autor nos coloca uma frase, mais como uma reflexão, com a qual finalizo este texto: “A fatalidade nos faz invisíveis”.

Título: Crônica de uma Morte Anunciada
Autor(a): Gabriel García Márquez
Publicação original: 1981

30 de abril de 2010

Vi na Livraria: A Casa de Chá

Este me encantou, primeiramente, pela capa. Como não podia deixar de ser, li a sinopse e fiquei bastante curiosa em relação à história. Tenho interesse pela cultura japonesa (já que sou descendente por parte materna), embora não conheça muita coisa: em minha família não há nada preservado em termos de tradições, costumes, etc. Acho que isso acontece em grande parte porque somos na maioria mestiços (ou filhos de mestiços) e as culturas acabam se misturando mesmo, o que eu acho fantástico e enriquecedor – a única parte negativa é que quase não sabemos nada das culturas “originais” dos nossos antepassados.

A CASA DE CHÁ - Ellis Avery
Depois de ser molestada pelo tio, a menina Aurélia foge durante um incêndio que varre Kyoto. Sua sorte muda quando é acolhida pelo professor Shin, o mestre de chá mais importante da cidade, e se torna acompanhante de sua filha, por quem nutrirá desejos secretos. A luta de Aurelia para se encaixar em uma sociedade fechada e cheia de mistérios reflete as mudanças culturais japonesas do final do século XIX. E conforme a cultura ocidental invade o país, os Shin precisam encontrar um caminho para perpetuar a tradição do chá.


A Casa de Chá no SKOOB

25 de abril de 2010

Os Relógios

Um homem morto é encontrado na sala de visitas de uma senhora cega, Miss Pebmarsh, e aparecem quatro misteriosos relógios – que não pertencem à dona da casa – marcando quatro horas e treze minutos. Sheila Webb, funcionária do Escritório Cavendish de Secretariado e Datilografia, é chamada para um trabalho externo, justamente na casa de Miss Pebmarsh, e encontra o cadáver. Mas, Miss Pebmarsh afirma não ter solicitado nenhum serviço do Escritório Cavendish...

Um livro que prende do início até a última página! Bem característico de Agatha Christie, Os Relógios revela uma história de mistério extremamente engenhosa. À medida que se desenrolam os fatos, o leitor é envolvido de tal forma que se vê, ele mesmo, analisando as pistas e tentando desvendar o crime. E sinto informar que dificilmente terá êxito, uma vez que a trama não deixa escapar as respostas antes do final. Os acontecimentos são muito bem arquitetados, há um motivo e uma explicação por trás de todo o ocorrido, e cada um dos personagens é dotado de personalidade singular. Para resolver o mistério de Os Relógios temos o Detetive-Inspetor Hardcastle, Colin Lamb e, claro, a presença ilustre de Hercule Poirot – capaz de encontrar a solução “sem sair de sua poltrona”.

Um aspecto que merece comentário positivo é o fato do livro não se limitar apenas ao crime e investigação. Claro que estes dois pontos são o propósito do livro, mas há também uma pequena parcela de aspecto humano envolvido, algo do tipo “segredos pessoais do passado que agora vêm à tona”. Em algum momento, até podemos pensar que toda essa parte poderia ser mais bem desenvolvida na história; no entanto, é preciso considerar que, se assim fosse, o foco no crime seria em parte perdido, e a trama seria conduzida a um lado talvez mais emocional do que devesse ser. Enfim, com essa breve reflexão concluo que a trama é dosada de forma ideal em cada um dos seus aspectos. Apesar das pitadinhas de emoção, a história é bastante racional e, neste caso, é isso que a faz ser devorada avidamente pelo leitor (que busca respostas racionais e coerentes aos fatos ali apresentados).

Não sei se deveria fazer o comentário a seguir, já que o achei demasiado pessoal, mas resolvi fazê-lo mesmo assim. Acho que acabei tão envolvida com a história que, não sei explicar o porquê, o final não superou minhas expectativas – apenas atendeu-as. Mas adianto: acredito que o problema foi totalmente comigo. Sinceramente, se me perguntarem, não sei explicar por quê, ou mesmo o que eu mudaria no final. Simplesmente não sei. Criei expectativas imensas (mesmo!) no decorrer da história, talvez tenha sido esse o motivo. O livro é muito bom e o final foi coerente e revelador. Apenas, ao terminar a leitura, não me vi boquiaberta e pensando no final durante um bom tempo, como achei que ficaria.

Colocando todos os comentários e reflexões na balança, finalizo dizendo que Os Relógios é um ótimo livro e recomendo-o fortemente. Até hoje, nunca li nada da Agatha Christie que não valesse a pena ter lido, e este livro não foge à regra!

Título: Os Relógios
Autor(a): Agatha Christie
Publicação original: 1963

7 de março de 2010

Brincadeira Literária: O Diário de Anne Frank


Você se lembra do primeiro livro que leu? E que tal o livro mais velhinho aí na sua estante?
Eis o meu post para a Brincadeira Literária:

Não me lembro com exatidão se este foi o primeiríssimo dos livros não infantis que li, mas certamente ocupa uma das primeiras posições. E sim, ele também ocupa o lugar de livro mais velhinho na minha estante atualmente. Este livro é O Diário de Anne Frank. A edição que tenho é bem velhinha e fiz questão de colocar ao lado a capa dela, aliás, nunca vi outro com esta mesma capa. Na verdade, este livro era da minha mãe, e foi ela quem me incentivou a lê-lo, mas desde bem mais nova eu já tinha adotado com fervor o hábito da leitura. Lembro que quando minha mãe me mostrou o livro e sugeriu que eu o lesse, fiquei bastante atraída pelo tema e por ser o relato de uma menina e, de fato, foi um livro que gostei muito de ter lido. Também não me recordo exatamente da idade que eu tinha quando li este livro, assim como não me lembro de todos os mínimos detalhes da história, então tive que recorrer a algumas pesquisas básicas para relembrar alguns detalhes e redigir este post.

Em 1942, Anneliese Marie Frank ganha um diário de presente ao completar 13 anos e nele começa a relatar a vida comum de uma garota no início da adolescência. Pouco depois, sua irmã recebe uma notificação da SS, fazendo com que a família se esconda no “Anexo Secreto”, um esconderijo improvisado nos fundos do escritório de seu pai. No decorrer do livro são relatadas as dificuldades de adaptação à vida no esconderijo, as (muitas) limitações, o convívio dificultoso entre a família e mais quatro amigos judeus também escondidos no mesmo local. Durante o tempo em que se mantiveram escondidos, tiveram a ajuda de alguns funcionários e amigos do escritório de seu pai para o abastecimento de comida, vestuário e itens de higiene. Apesar de serem abordadas diversas questões da época, o diferencial são os relatos bastante pessoais e o cotidiano dos habitantes do esconderijo, tudo sob o ângulo de uma menina. A instabilidade, os conflitos da adolescência, a descoberta da sexualidade e do amor se fazem presentes e, inclusive, percebemos o amadurecimento de Anne através das páginas do seu diário. Com todas as dificuldades e tristezas, ainda havia lugar para a esperança e perspectivas para o futuro. Os longos meses no esconderijo tiveram fim ao serem denunciados aos nazistas, e Anne foi, então, levada para um campo de concentração. Os habitantes do “Anexo Secreto” foram inicialmente deportados para Auschwitz; depois, Anne e sua irmã, Margot, foram separadas dos pais e levadas a Bergen-Belsen. Em 1945, meses após a deportação, Anne falece com apenas 15 anos, vítima de tifo. Dos habitantes do Anexo, Otto H. Frank, pai de Anne, foi o único sobrevivente após a guerra (falecido em 1980). O “Anexo Secreto”, em Amsterdã, é hoje um museu (Casa de Anne Frank).

Muito além de simples relatos de acontecimentos dos mais tristes e vergonhosos já vivenciados pela humanidade, este livro é uma verdadeira lição. Envolto em emoção e sinceridade, faz com que acompanhemos de perto a vida das pessoas no Anexo. Se por um lado os relatos são muito pessoais e não podem ser tidos como verdades absolutas em termos de História, eles são ricos justamente por serem individuais, dando-nos uma comovente dimensão do que os acontecimentos significaram na vida das pessoas. Através destes relatos, podemos enxergar as atrocidades daqueles tempos sob outro ângulo, bem diferente das meras estatísticas apresentadas nos livros de História.

Acho interessante comentar que existem controvérsias quanto à autenticidade do famoso diário, questionada desde sua primeira publicação, principalmente por Robert Faurisson, um negacionista do Holocausto, condenado diversas vezes por “contestação de crimes contra a humanidade”.

Finalizo aqui, com uma simples verdade: O Diário de Anne Frank é um livro que merece ser carregado conosco por gerações.

Título: O Diário de Anne Frank
Autor(a): Anne Frank, Otto H. Frank, Mirjam Pressler
Publicação original: 1947

19 de fevereiro de 2010

O Amor nos Tempos do Cólera: uma obra-prima de verdade!

Definitivamente, uma vez lida, não tenho como deixar passar em branco uma obra de Gabriel García Márquez. Por isto, dedico este post ao livro O Amor nos Tempos do Cólera, que li recentemente e que me mantém encantada até os presentes minutos.

Para os amantes de uma boa história de amor, o livro é um prato cheio. Florentino Ariza, um rapaz puro e simples, apaixona-se ainda na juventude por Fermina Daza, jovem altiva e de gênio bastante forte. Após iniciarem um breve romance através de cartas, seguido de uma viagem de Fermina Daza para visitar sua prima Hildebranda (imposta por seu pai com o objetivo de deixar para trás o romance de juventude), Fermina Daza acaba por rejeitar Florentino Ariza de forma repentina ao retornar de viagem, pois percebe uma discrepância entre a imagem idealizada que nutria e a realidade do homem que encontrou frente a si. Casa-se então com o célebre doutor Juvenal Urbino, o que lhe rende o ingresso à alta sociedade e uma vida estável e de paz.

Já Florentino Ariza, cada vez mais distante de sua amada, preenche sua vida com relações passageiras, enquanto escreve cartas de amor encomendadas por terceiros, cartas que foram capazes de unir jovens casais enquanto seu autor permanecia só em seu inferno privado. Se nas cartas de amor Florentino Ariza colocava todo o seu ser e obtinha êxito, no ofício já não teve a mesma sorte: suas cartas comerciais eram demasiado líricas e assemelhavam-se a cartas de amor. Contudo, Florentino Ariza destacou-se pela perseverança. Ter Fermina Daza converteu-se em seu projeto de vida – o fato de ser casada e com filhos nunca foi obstáculo – e, a partir disto, reuniu força e motivação que o levaram a tornar-se responsável pela Companhia Fluvial do Caribe e, consequentemente, uma figura pública de importância inquestionável. Após meio século de espera febril (51 anos, 9 meses e 4 dias, para ser mais exata), Florentino Ariza reafirma suas juras de amor eterno na primeira noite da viuvez de Fermina Daza, e prova-nos que o amor é imune ao tempo – ainda que as pessoas não o sejam – e que não há idade para amar.

A deliciosa narrativa de Gabriel García Márquez e o retrato mágico do Caribe do século XIX, assolada pelo fantasma do cólera, são dois pontos mais que positivos deste livro. Somemos a eles os acontecimentos fantásticos tão bem costurados à realidade – e por isso são, de fato, reais – e temos uma obra-prima completa. Não posso citar pontos negativos, pois este livro simplesmente não os tem.

Para os mais curiosos, vale a pena conferir o filme O Amor nos Tempos do Cólera (2007), de Mike Newell, que traz Javier Bardem na pele de Florentino Ariza e Fernanda Montenegro vivendo a mãe do protagonista. No entanto, somente indico o filme a título de curiosidade mesmo, já que não há um aprofundamento na relação entre Fermina Daza e o doutor Juvenal Urbino, e nem confere a carga de sentimentos que nos transmite o livro.

Título: O Amor nos Tempos do Cólera
Autor(a): Gabriel García Márquez

Publicação original: 1985

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...