As Brumas de Avalon – O Prisioneiro da Árvore, o último livro da saga, revela-nos uma Camelot e uma Avalon em decadência. Talvez a palavra “decadência” não seja a mais adequada, mas o que podemos perceber é que o mundo mostra-se em constante mudança, nada mais é como antes havia sido, e a velocidade dos acontecimentos intensifica-se mais a cada instante.
Morgana segue agindo conforme a vontade da Deusa, com o objetivo de concluir sua tarefa e, assim, realizar os planos de Viviane. E, ainda, Morgana lamenta não ter agarrado o poder que outrora esteve em suas mãos, o de ter a consciência do rei, tornando-se poderosa por trás do trono a fim de evitar que Artur sofresse toda a influência de Gwenhwyfar. Assim, Morgana faz o que está ao seu alcance para impedir que Artur siga traindo Avalon, ainda que suas escolhas lhe tragam mais sofrimento e angústia. É neste livro que acontece o aparecimento do Graal, fazendo com que tanto nós, leitores, quanto os próprios personagens, não saibamos ao certo se foi um milagre que veio para o bem ou para o mal. A Távola Redonda, repleta com os cavaleiros e companheiros de Artur, acaba por tornar-se uma imagem efêmera que, no decorrer do livro, deixa-nos com sentimentos demasiado nostálgicos.
Apesar de toda a sua beleza, As Brumas de Avalon – O Prisioneiro da Árvore é um livro bastante triste e revelador. Acompanhamos o trágico destino dos personagens e sentimo-nos impotentes, não no sentido de ação, mas sim por afinal concordarmos que não haveria outro caminho a ser tomado.
Algumas passagens dos primeiros capítulos me deixaram um pouco confusa; não conseguia visualizar inteiramente o que o texto propunha. Cheguei inclusive a reler algumas páginas para melhor construir uma imagem mental do que estava sendo narrado. Também, o final de Artur e Gwydion (ou Mordred) deixou a desejar. Já era esperado desde o início que ambos se enfrentariam, mas quando o momento finalmente acontece, é brevemente descrito, sem maiores detalhes. Ainda assim, não acho que esses dois pontos que acabei de mencionar tenham interferido negativamente na obra; apenas deixo-os aqui como mais uma de minhas impressões.
Também devo comentar que neste livro é possível conhecer mais e verdadeiramente a essência dos personagens. Algumas opiniões que construímos no início da saga provavelmente se modificarão. Gwenhwyfar, que logo ganhou meu desagrado e antipatia, revela-se aqui uma mulher forte e admirável, apesar de seu fanatismo como cristã – me revolta a forma como ela se culpa e se pune por tudo! Artur é, de verdade, um homem nobre e digno de ser amado até seus dias finais. De Morgause, conhecida por sua extrema ambição, nos é mostrado seu lado mais perverso, e chego a me perguntar se algum dia realmente amou alguém em sua vida. Morgana é esplêndida, tanto em suas qualidades como em seus defeitos, e é a personagem que mais admirei em toda a obra.
Ao ler o primeiro volume eu já suspeitava que esta seria uma obra inesquecível para mim. Agora tenho definitiva certeza! A obra me encantou de tal forma que já a considero uma de minhas leituras preferidas e que mais me marcaram. Recomendo-a a todos e que se deixem envolver pelo universo místico de Avalon e Camelot. Certamente não irão se arrepender!
Título: As Brumas de Avalon – O Prisioneiro da Árvore (Livro 4)
Autor(a): Marion Zimmer Bradley
Publicação original: 1982
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As Brumas de Avalon – A Grande Rainha (Livro 2)
As Brumas de Avalon – O Gamo-Rei (Livro 3)
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18 de abril de 2010
5 de abril de 2010
As Brumas de Avalon - O Gamo-Rei (Livro 3)
Continuando a saga, As Brumas de Avalon – O Gamo-Rei parece ter o objetivo de preparar as coisas para o desfecho final, que ocorrerá com o quarto e último livro (O Prisioneiro da Árvore). Acontecimentos importantes nos são apresentados aqui, porém suas consequências ainda estão por vir.
Os tempos são de paz. Tendo conseguido a vitória na luta contra os saxões, Artur revela-se cada vez mais um rei cristão, sofrendo enorme influência de Gwenhwyfar. Seu distanciamento de Avalon provoca o descontentamento de Morgana e Viviane, já que o Grande Rei deve honrar o juramento que fez e ser digno de continuar levando na bainha a poderosa Excalibur.
Gwydion, filho de Morgana, é criado no reino de Lot e, posteriormente, é educado em Avalon. O livro, então, nos apresenta uma importante questão: o que acontecerá ao Gamo-Rei quando o jovem gamo estiver adulto? E Morgana, por sua vez, questiona em seus pensamentos: “Se Galahad (filho de Lancelote e Elaine) vai ser rei, é meu filho então o Merlim, o sucessor escolhido em vida?”.
A morte de Viviane, a consolidação da rivalidade entre Morgana e Gwenhwyfar, e o posto de Senhora do Lago ocupado por Niniane (filha de Taliesin), são alguns dos acontecimentos importantes deste terceiro livro. A situação de Avalon não é das melhores, pois se perde cada vez mais entre as brumas, afastando-se da terra dos homens e temendo tornar-se tão distante dos ciclos solares e lunares quanto o reino das fadas.
A meu ver, o ápice do livro está no renascimento da sacerdotisa em Morgana. A Deusa volta a manifestar-se nela, que retoma etapa por etapa até estar novamente preparada para seu regresso a Avalon. Finalmente, Morgana compreende os planos que Viviane tinha para si, planos que antes era muito jovem e tola para entender. Ainda que à custa de muito sofrimento, Viviane lhe dera algo valioso que ela, Morgana, simplesmente jogara fora. Seria, então, tempo de retomar os planos de Viviane.
Apesar de eu ter dito no início que este é um livro que “prepara o terreno” para os acontecimentos finais, devo fazer aqui um complemento: a leitura continuou instigante e quase não fui capaz de largar o livro até tê-lo terminado. Justamente o contrário do que em geral ocorre em determinado ponto de uma saga, quanto é tomada pela característica de preparação/transição, fazendo com que o leitor sinta-se entediado e não tenha paciência para chegar ao final. No caso de As Brumas de Avalon, não me foi necessária a paciência, pois tenho lido com crescente empolgação cada parágrafo desta grandiosa obra.
Título: As Brumas de Avalon – O Gamo-Rei (Livro 3)
Autor(a): Marion Zimmer Bradley
Publicação original: 1982
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As Brumas de Avalon – O Prisioneiro da Árvore (Livro 4)
Os tempos são de paz. Tendo conseguido a vitória na luta contra os saxões, Artur revela-se cada vez mais um rei cristão, sofrendo enorme influência de Gwenhwyfar. Seu distanciamento de Avalon provoca o descontentamento de Morgana e Viviane, já que o Grande Rei deve honrar o juramento que fez e ser digno de continuar levando na bainha a poderosa Excalibur.
Gwydion, filho de Morgana, é criado no reino de Lot e, posteriormente, é educado em Avalon. O livro, então, nos apresenta uma importante questão: o que acontecerá ao Gamo-Rei quando o jovem gamo estiver adulto? E Morgana, por sua vez, questiona em seus pensamentos: “Se Galahad (filho de Lancelote e Elaine) vai ser rei, é meu filho então o Merlim, o sucessor escolhido em vida?”.
A morte de Viviane, a consolidação da rivalidade entre Morgana e Gwenhwyfar, e o posto de Senhora do Lago ocupado por Niniane (filha de Taliesin), são alguns dos acontecimentos importantes deste terceiro livro. A situação de Avalon não é das melhores, pois se perde cada vez mais entre as brumas, afastando-se da terra dos homens e temendo tornar-se tão distante dos ciclos solares e lunares quanto o reino das fadas.
A meu ver, o ápice do livro está no renascimento da sacerdotisa em Morgana. A Deusa volta a manifestar-se nela, que retoma etapa por etapa até estar novamente preparada para seu regresso a Avalon. Finalmente, Morgana compreende os planos que Viviane tinha para si, planos que antes era muito jovem e tola para entender. Ainda que à custa de muito sofrimento, Viviane lhe dera algo valioso que ela, Morgana, simplesmente jogara fora. Seria, então, tempo de retomar os planos de Viviane.
Apesar de eu ter dito no início que este é um livro que “prepara o terreno” para os acontecimentos finais, devo fazer aqui um complemento: a leitura continuou instigante e quase não fui capaz de largar o livro até tê-lo terminado. Justamente o contrário do que em geral ocorre em determinado ponto de uma saga, quanto é tomada pela característica de preparação/transição, fazendo com que o leitor sinta-se entediado e não tenha paciência para chegar ao final. No caso de As Brumas de Avalon, não me foi necessária a paciência, pois tenho lido com crescente empolgação cada parágrafo desta grandiosa obra.
Título: As Brumas de Avalon – O Gamo-Rei (Livro 3)
Autor(a): Marion Zimmer Bradley
Publicação original: 1982
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28 de março de 2010
As Brumas de Avalon - A Grande Rainha (Livro 2)
Logo no início de As Brumas de Avalon – A Grande Rainha, nasce o filho de Morgana no Norte, junto a Morgause e Lot, sendo por eles criado como um filho adotivo – mais como uma estratégia de Morgause, já que ela e o marido tinham a ambição de que um de seus filhos herdasse o trono de Artur.
Neste livro, porém, o destaque vai para o desenvolvimento da personagem de Gwenhwyfar, que é a escolhida para casar-se com o Grande Rei Artur por conta de seu dote, sem que entre eles houvesse amor (nunca se haviam visto antes do casamento). Artur recebeu sua noiva com bondade e surpreendeu-se com sua beleza. Entre eles nasceu um grande afeto. Gwenhwyfar reconhecia a bondade do marido e o retribuía sendo uma esposa atenciosa; no entanto, seu coração de mulher pertencia a outro: Lancelote. Este, por sua vez, também a amava com todo o seu ser, e mantinha-se em um denso conflito por ser o melhor companheiro de Artur (a quem era verdadeiramente leal) e, ao mesmo tempo, amar sua esposa.
Gwenhwyfar representa a verdadeira figura do cristianismo, sempre submissa, recatada e amedrontada. Seu medo era tanto que buscava a segurança de muralhas e paredes e temia ficar exposta aos campos abertos e ao céu, imenso sobre sua cabeça. Sempre muito religiosa, temia o castigo divino e, pior, martirizava-se a si mesma por seus pensamentos “impuros” em relação à Lancelote. Podemos notar o quão intenso é esse martírio quando, mesmo com a compreensão do padre, ela pensa que teria se sentido melhor e mais livre (!!) se ele a tivesse censurado e lhe imposto penitências pesadas.
As atitudes e pensamentos de Gwenhwyfar ao longo do livro fizeram com que eu desenvolvesse uma enorme antipatia por ela. E também pena. A personagem sofre em demasia por não ter o homem amado e sente-se humilhada por não conseguir conceber um filho de Artur. No entanto, Gwenhwyfar tem uma visão de mundo muito limitada, presa às suas verdades e totalmente intolerante às diferenças. Mas também é necessário compreender que isso se deve à forma como foi educada.
Fica evidente o aspecto tirano e intolerante do cristianismo, por exemplo, na parte em que lemos a respeito de Gwenhwyfar: “com Artur a seu lado e a sua bandeira da cruz flutuando sobre o acampamento de Artur, ela sentia amor e tolerância para com todos (...)”. Assim sendo, uma vez que o cristianismo exerce seu domínio, realmente revela-se tarefa fácil ter amor e tolerância ao próximo – ainda mais quando este está sob seu poder incontestável.
Também preciso dizer que achei particularmente adorável quando Morgana vai parar no país das fadas. Lá não é possível ver o sol e nem a lua, e o tempo flui como num sonho. O que parecia ter sido dias foram anos, na verdade. Anos de juventude, festas e prazeres. Encantador! Só lamentei não ter podido ser eterna a presença de Morgana nesta terra, embora fosse mesmo impossível por conta do papel essencial de Morgana em toda a história.
Posso seguramente afirmar que este segundo volume de As Brumas de Avalon superou as minhas expectativas. A leitura continuou envolvente e gostosa, tal como foi minha experiência com o primeiro volume. E o final, bom, o livro termina com um acontecimento que eu esperava ansiosamente desde os primeiros capítulos e, confesso, não imaginei que fosse ocorrer exatamente da forma como ocorreu – ainda mais surpreendente do que eu esperava. Gostei bastante! Mas esse é apenas um “final”, assim mesmo, entre aspas, já que ainda restam outros dois volumes para completar a obra...
Título: As Brumas de Avalon – A Grande Rainha (Livro 2)
Autor(a): Marion Zimmer Bradley
Publicação original: 1982
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Gwenhwyfar representa a verdadeira figura do cristianismo, sempre submissa, recatada e amedrontada. Seu medo era tanto que buscava a segurança de muralhas e paredes e temia ficar exposta aos campos abertos e ao céu, imenso sobre sua cabeça. Sempre muito religiosa, temia o castigo divino e, pior, martirizava-se a si mesma por seus pensamentos “impuros” em relação à Lancelote. Podemos notar o quão intenso é esse martírio quando, mesmo com a compreensão do padre, ela pensa que teria se sentido melhor e mais livre (!!) se ele a tivesse censurado e lhe imposto penitências pesadas.
As atitudes e pensamentos de Gwenhwyfar ao longo do livro fizeram com que eu desenvolvesse uma enorme antipatia por ela. E também pena. A personagem sofre em demasia por não ter o homem amado e sente-se humilhada por não conseguir conceber um filho de Artur. No entanto, Gwenhwyfar tem uma visão de mundo muito limitada, presa às suas verdades e totalmente intolerante às diferenças. Mas também é necessário compreender que isso se deve à forma como foi educada.
Fica evidente o aspecto tirano e intolerante do cristianismo, por exemplo, na parte em que lemos a respeito de Gwenhwyfar: “com Artur a seu lado e a sua bandeira da cruz flutuando sobre o acampamento de Artur, ela sentia amor e tolerância para com todos (...)”. Assim sendo, uma vez que o cristianismo exerce seu domínio, realmente revela-se tarefa fácil ter amor e tolerância ao próximo – ainda mais quando este está sob seu poder incontestável.
Também preciso dizer que achei particularmente adorável quando Morgana vai parar no país das fadas. Lá não é possível ver o sol e nem a lua, e o tempo flui como num sonho. O que parecia ter sido dias foram anos, na verdade. Anos de juventude, festas e prazeres. Encantador! Só lamentei não ter podido ser eterna a presença de Morgana nesta terra, embora fosse mesmo impossível por conta do papel essencial de Morgana em toda a história.
Posso seguramente afirmar que este segundo volume de As Brumas de Avalon superou as minhas expectativas. A leitura continuou envolvente e gostosa, tal como foi minha experiência com o primeiro volume. E o final, bom, o livro termina com um acontecimento que eu esperava ansiosamente desde os primeiros capítulos e, confesso, não imaginei que fosse ocorrer exatamente da forma como ocorreu – ainda mais surpreendente do que eu esperava. Gostei bastante! Mas esse é apenas um “final”, assim mesmo, entre aspas, já que ainda restam outros dois volumes para completar a obra...
Título: As Brumas de Avalon – A Grande Rainha (Livro 2)
Autor(a): Marion Zimmer Bradley
Publicação original: 1982
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Imago,
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22 de março de 2010
As Brumas de Avalon – A Senhora da Magia (Livro 1)
Há cerca de cinco anos despertou em mim uma imensa vontade de ler os volumes que compõem As Brumas de Avalon. Porém, sem um motivo muito consciente (talvez fosse por causa de outros livros que me apareciam de forma repentina), sempre acabava por postergar a compra e a leitura desta obra. Então, graças a uma promoção no Submarino (aliás, lá sempre encontro promoções muito interessantes!), comprei de uma vez os 4 volumes por um preço para lá de atraente.
As Brumas de Avalon reconta a lenda do rei Artur sob a perspectiva feminina (sacerdotisas de Avalon e as mulheres de Camelot). A tentativa de unificação da Bretanha contra a invasão dos saxões e os conflitos entre o cristianismo e os cultos pagãos se fazem muito presentes como base para toda a trama.
No livro 1, intitulado A Senhora da Magia, acompanhamos a vida de Igraine (irmã de Viviane, Grã-sacerdotisa de Avalon, conhecida como a Senhora do Lago), que foi dada em casamento ainda muito jovem a Gorlois, Duque da Cornualha. Desta união nasceu Morgana, única filha do casal. Ao lado de Gorlois, Igraine passou por momentos conflituosos e de infelicidade, porém mantinha-se resignada. Fica bem claro durante o livro o papel exercido pela mulher. De um mundo que não ouvia a opinião de suas mulheres e as mantinha submissas participava Igraine, mesmo tendo crescido em Avalon e cultivasse em seu íntimo o amor pela Deusa, sentia gratidão por seu marido haver deixado que criasse Morgana – ainda que não fosse o filho homem que ele tanto desejava.
As coisas mudam de rumo quando Avalon impõe a Igraine a necessidade (ou o destino) de casar-se com Uther Pendragon e ter um filho seu, que no futuro seria coroado rei e salvaria a Bretanha, unificando seus povos para combater os invasores. Igraine, no início, rejeitou seu destino, mas acabou sendo tomada por um imenso amor por Uther e cumpriu o seu dever quando da morte de Gorlois. Desta forma, deu a Uther um filho, Gwydion – ou Artur, conforme seria batizado mais tarde. Igraine torna-se cada vez mais religiosa, como uma verdadeira cristã, enquanto seus filhos são criados longe de si. Morgana é educada em Avalon para tornar-se sacerdotisa da Deusa, e por fim chegará o dia em que Artur tomará posse do trono, tornando-se Grande Rei da Bretanha.
Sempre tive curiosidade acerca da lenda do rei Artur, e As Brumas de Avalon – A Senhora da Magia me surpreendeu. O misticismo e a emoção são características marcantes da história, cujas mulheres ocupam posição central – e essencial. Se por um lado os homens exerciam o domínio e as mulheres eram meros adornos e provedoras de filhos (levadas a passeios no mercado enquanto seus maridos reuniam-se para discutir assuntos de extrema importância para o futuro do povo), para os povos de Avalon a situação era outra. Lá, as mulheres desempenhavam o papel de grandes sábias; portadoras da Visão, nada era feito sem seu aconselhamento. Eram os verdadeiros instrumentos da vontade da Deusa.
Na obra, vemos o conflito entre conceitos tidos como certos e errados, já que, como mencionei antes, a relação entre cristãos e pagãos era demasiado tempestuosa; o que era virtude para o primeiro grupo tornava-se blasfêmia aos olhos do outro, e vice-versa. O cristianismo é relacionado à crença em um deus morto que amedronta e castiga, e não aceita outros deuses e deusas, impondo seu deus como único e absoluto. Para os cristãos, os pagãos são gente ligada à bruxaria e ao demônio. Os povos de Avalon, por sua vez, afirmam que todos os deuses são um deus e todas as deusas são apenas uma deusa, não importando os nomes que lhe são dados, e acreditam na justiça a todos os homens, qualquer que seja o deus que adorem.
Recordando algumas passagens memoráveis, derreti-me quando finalmente Uther vai ao encontro de Igraine na Cornualha, e juntos eles passam sua primeira noite; foi algo belo de se ler. Merece igual – ou maior – destaque todo o ritual pagão para a ascensão de um novo rei. É emocionante e de uma beleza incalculável e até incompreendida, dependendo dos olhos de quem vê. Mas prefiro não entrar em maiores detalhes para não turvar o misto de sensações que terão os possíveis leitores.
Também acho válido mencionar o quanto a narrativa corre de forma envolvente. A autora soube expressar muito bem toda a carga emocional das personagens; os pensamentos das mulheres se fazem presentes com frequência, de forma a permitir que o leitor capte cada nuance de seus sentimentos. Inclusive, o livro inicia e finaliza com reflexões de Morgana, personagem fundamental na história e espetacular em todas e cada uma de suas características. O caminho da barca com seus remadores silenciosos, a cortina de névoa que encobre a mística Avalon, abrindo-se e revelando sua magnitude, os juncos, o círculo de pedras sobre o Tor, os sacrifícios do preparo de uma sacerdotisa... Ler sobre todas essas coisas arrepia, é como sentir na pele os mistérios que permeiam a história e, de fato, acreditar no que está ali descrito. Inexplicável.
As Brumas de Avalon – A Senhora da Magia é um livro que merece ser lido e sentido em toda a sua plenitude. Certamente as mulheres se identificarão com os pensamentos e atitudes de algumas personagens, e desenvolverão sentimentos dos mais variados com relação aos homens da trama. Tendo lido o primeiro volume, com outros três me esperando para que eu os devore, sinto que esta será uma daquelas obras das quais jamais me esquecerei.
Título: As Brumas de Avalon – A Senhora da Magia (Livro 1)
Autor(a): Marion Zimmer Bradley
Publicação original: 1982
OBS: mais adiante, resenharei os outros três volumes de As Brumas de Avalon (ainda não concluí a leitura!). Aguardem!
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No livro 1, intitulado A Senhora da Magia, acompanhamos a vida de Igraine (irmã de Viviane, Grã-sacerdotisa de Avalon, conhecida como a Senhora do Lago), que foi dada em casamento ainda muito jovem a Gorlois, Duque da Cornualha. Desta união nasceu Morgana, única filha do casal. Ao lado de Gorlois, Igraine passou por momentos conflituosos e de infelicidade, porém mantinha-se resignada. Fica bem claro durante o livro o papel exercido pela mulher. De um mundo que não ouvia a opinião de suas mulheres e as mantinha submissas participava Igraine, mesmo tendo crescido em Avalon e cultivasse em seu íntimo o amor pela Deusa, sentia gratidão por seu marido haver deixado que criasse Morgana – ainda que não fosse o filho homem que ele tanto desejava.
As coisas mudam de rumo quando Avalon impõe a Igraine a necessidade (ou o destino) de casar-se com Uther Pendragon e ter um filho seu, que no futuro seria coroado rei e salvaria a Bretanha, unificando seus povos para combater os invasores. Igraine, no início, rejeitou seu destino, mas acabou sendo tomada por um imenso amor por Uther e cumpriu o seu dever quando da morte de Gorlois. Desta forma, deu a Uther um filho, Gwydion – ou Artur, conforme seria batizado mais tarde. Igraine torna-se cada vez mais religiosa, como uma verdadeira cristã, enquanto seus filhos são criados longe de si. Morgana é educada em Avalon para tornar-se sacerdotisa da Deusa, e por fim chegará o dia em que Artur tomará posse do trono, tornando-se Grande Rei da Bretanha.
Sempre tive curiosidade acerca da lenda do rei Artur, e As Brumas de Avalon – A Senhora da Magia me surpreendeu. O misticismo e a emoção são características marcantes da história, cujas mulheres ocupam posição central – e essencial. Se por um lado os homens exerciam o domínio e as mulheres eram meros adornos e provedoras de filhos (levadas a passeios no mercado enquanto seus maridos reuniam-se para discutir assuntos de extrema importância para o futuro do povo), para os povos de Avalon a situação era outra. Lá, as mulheres desempenhavam o papel de grandes sábias; portadoras da Visão, nada era feito sem seu aconselhamento. Eram os verdadeiros instrumentos da vontade da Deusa.
Na obra, vemos o conflito entre conceitos tidos como certos e errados, já que, como mencionei antes, a relação entre cristãos e pagãos era demasiado tempestuosa; o que era virtude para o primeiro grupo tornava-se blasfêmia aos olhos do outro, e vice-versa. O cristianismo é relacionado à crença em um deus morto que amedronta e castiga, e não aceita outros deuses e deusas, impondo seu deus como único e absoluto. Para os cristãos, os pagãos são gente ligada à bruxaria e ao demônio. Os povos de Avalon, por sua vez, afirmam que todos os deuses são um deus e todas as deusas são apenas uma deusa, não importando os nomes que lhe são dados, e acreditam na justiça a todos os homens, qualquer que seja o deus que adorem.
Recordando algumas passagens memoráveis, derreti-me quando finalmente Uther vai ao encontro de Igraine na Cornualha, e juntos eles passam sua primeira noite; foi algo belo de se ler. Merece igual – ou maior – destaque todo o ritual pagão para a ascensão de um novo rei. É emocionante e de uma beleza incalculável e até incompreendida, dependendo dos olhos de quem vê. Mas prefiro não entrar em maiores detalhes para não turvar o misto de sensações que terão os possíveis leitores.
Também acho válido mencionar o quanto a narrativa corre de forma envolvente. A autora soube expressar muito bem toda a carga emocional das personagens; os pensamentos das mulheres se fazem presentes com frequência, de forma a permitir que o leitor capte cada nuance de seus sentimentos. Inclusive, o livro inicia e finaliza com reflexões de Morgana, personagem fundamental na história e espetacular em todas e cada uma de suas características. O caminho da barca com seus remadores silenciosos, a cortina de névoa que encobre a mística Avalon, abrindo-se e revelando sua magnitude, os juncos, o círculo de pedras sobre o Tor, os sacrifícios do preparo de uma sacerdotisa... Ler sobre todas essas coisas arrepia, é como sentir na pele os mistérios que permeiam a história e, de fato, acreditar no que está ali descrito. Inexplicável.
As Brumas de Avalon – A Senhora da Magia é um livro que merece ser lido e sentido em toda a sua plenitude. Certamente as mulheres se identificarão com os pensamentos e atitudes de algumas personagens, e desenvolverão sentimentos dos mais variados com relação aos homens da trama. Tendo lido o primeiro volume, com outros três me esperando para que eu os devore, sinto que esta será uma daquelas obras das quais jamais me esquecerei.
Título: As Brumas de Avalon – A Senhora da Magia (Livro 1)
Autor(a): Marion Zimmer Bradley
Publicação original: 1982
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