Nathalie e François viviam o que se poderia chamar de um amor perfeito. Uma felicidade daquelas que despertam admiração dos que a observam e o medo de quem a vive. Depois de sete anos de casamento, a tragédia atravessa a rotina de Nathalie: François morre, deixando a jovem mergulhada numa dor quase insuportável. E a perdida Nathalie encontra-se, no caminho em busca por si mesma, com o não menos confuso Markus.
Nathalie, em um luto aparentemente eterno, é atraente e constantemente assediada pelo diretor da empresa. Markus é um sueco sem muitos atrativos físicos e com um histórico de insucessos amorosos que colaboram para a sua timidez e para a falta de jeito com o sexo oposto. No entanto, ele transmite certa calmaria e possui um senso de humor que se revela aos poucos em frases não muito habituais, mas certeiras. Contrariando todas as expectativas, é com ele e por ele que Nathalie enfrentará a dor da perda e tentará seguir em frente.
O beijo é muitas vezes o ponto de partida das mais diversas histórias de amor, sejam elas breves, eternas, bem-sucedidas ou não. Em A delicadeza, David Foenkinos colocou o beijo como a linha que separa a depressão e o recolhimento da protagonista de sua redescoberta dos assuntos do coração. E foi de maneira inusitada, e por isso mesmo, dotada de charme ímpar. Com um beijo é que começa a história de Nathalie e Markus. Relacionamento de início desajeitado, manco até, e por isso mesmo hilário. Engana-se quem pensa que A delicadeza traz uma história de amor convencional. O livro não é daqueles para se roer de curiosidade e torcer para que mocinho e mocinha fiquem juntos no final. É um livro em que os protagonistas se descobrem – ao outro e a si mesmo – e o leitor acompanha esse caminho regalado por um texto com pitadas de humor. Esse humor aparece também através de “minicapítulos” que intercalam a narrativa, destinados simplesmente a entrar em algum detalhe sobre algo já mencionado e que, aparentemente, não tem importância na trama. Pequenas informações a título de curiosidade – os ingredientes necessários para preparar um risoto de aspargos, um pensamento de um filósofo polonês, ou o título de um quadro – que acabam por dar um brilho a mais no todo e realçar o humor na obra.
O ambiente de trabalho (ambos são parte da mesma equipe de trabalho em uma multinacional sueca) revela as “pequenas” podridões contidas no jogo das normas sociais. Os comentários que nunca cessam, as relações empobrecidas e superficiais, e a necessidade de invadir o outro por nada saber fazer com o vazio dentro de si. Não haveria, a meu ver, melhor ambiente para fazer brotar algo – talvez a única coisa realmente viva e verdadeira lá dentro – entre os protagonistas. Ponto para o autor!
A delicadeza traz uma história charmosa. Seus personagens, também charmosos, são traçados com excelência pelo autor, e parecem ganhar vida própria em uma trama que navega pelas várias nuances da palavra "delicadeza"...
Curiosidade: o livro foi adaptado para o cinema pelo próprio David Foenkinos junto com seu irmão, Stéphane Foenkinos. O filme, intitulado A Delicadeza do Amor, é estrelado por Audrey Tautou e François Damiens e chegou às telas em 2011.
Título: A delicadeza
Título original: La délicatesse
Autor(a): David Foenkinos
Editora: Rocco
Edição: 2011
Ano da obra: 2009
Páginas: 192
Li a obra em seu idioma de origem, o francês. Não é uma leitura difícil, mas recomendaria apenas aos que já possuem um nível mais avançado da língua; diria que requer uma importante compreensão gramatical.
Recorri ao dicionário algumas vezes, ainda que o vocabulário e as expressões que desconhecia não chegassem a impedir o entendimento pelo contexto – tanto que lia tranquilamente na rua, sem ter um dicionário a tiracolo. Ótimo para quem já fala francês e quer praticar um pouco mais.
E sim, é a Audrey Tautou na capa (em uma das cenas do filme), o que deixou o livro ainda mais irresistível, não?!
LA DÉLICATESSE (David Foenkinos, Éditions Gallimard, Collection Folio – 5177, 2012)
Recorri ao dicionário algumas vezes, ainda que o vocabulário e as expressões que desconhecia não chegassem a impedir o entendimento pelo contexto – tanto que lia tranquilamente na rua, sem ter um dicionário a tiracolo. Ótimo para quem já fala francês e quer praticar um pouco mais.
E sim, é a Audrey Tautou na capa (em uma das cenas do filme), o que deixou o livro ainda mais irresistível, não?!
LA DÉLICATESSE (David Foenkinos, Éditions Gallimard, Collection Folio – 5177, 2012)








