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2 de janeiro de 2012

O Quarto de Jacob [Virginia Woolf]

A tradução é da escritora Lya Luft
Primeiro review de 2012, e não é qualquer review... Um ano que começa com Virginia Woolf tem que ser um bom ano, com certeza!

Com O Quarto de Jacob, Virginia Woolf começa a deixar de lado os modelos tradicionais para aventurar-se em um experimentalismo responsável por seu destaque na literatura mundial.
Acompanhamos a vida de Jacob Flanders, narrada sem contornos claros de começo-meio-fim, os acontecimentos parecem não ter sequência e conexão definidas. De forma introspectiva, são apresentados seus conflitos internos, questionamentos, amores...

Em O Quarto de Jacob tem-se a impressão de que tudo acontece de maneira fugaz. Personagens vêm e vão, assim como na vida real pessoas dividem breves instantes em comum, sem necessariamente seguirem um mesmo caminho. O enredo é quase um "não enredo", visto que a narrativa encontra-se muito mais no nível da consciência; a subjetividade está constantemente presente.

A vida de Jacob é contada sob uma perspectiva bastante subjetiva. Ao leitor são apresentadas diversas peças de um quebra-cabeça que ele próprio deverá montar para obter uma espécie de unidade do que está sendo contado. O aspecto psicológico é bastante forte e doa inigualável riqueza aos personagens. Jacob, em toda a sua introspecção, parece guardar-se em mistério e apresenta nuances diversas, como um enigma que pensamos ser possível decifrar, mas que, na realidade, deciframos apenas parcelas do todo. Os personagens, de forma geral, são riquíssimos nos planos psicológico e das emoções, aspecto que tenho percebido sempre presente ao ler Virginia Woolf.

O Quarto de Jacob não é uma obra “fácil” de ser lida – inclusive, não é uma obra fácil de escrever sobre, e penso que a causa principal deve-se à falta de um enredo delineado e de uma continuidade. Em determinados momentos, não é difícil o leitor desanimar. Mas, da mesma forma como em Rumo ao Farol, uma vez que se pega o ritmo da leitura, o texto flui e percebemos que se trata de uma bela obra que vale muito a pena ser lida.

DICA: não leia O Quarto de Jacob se você acha que a leitura não será feita de forma "seguida". Este não é o tipo de livro para começar a ler, passar dias com ele largado na estante ou esquecido na bolsa, e depois retomar a leitura normalmente. Não dá: vai ser inevitável perder o fio da meada.

Curiosidade: o personagem Jacob Flanders foi inspirado em um dos irmãos da autora, Thoby.

Título: O Quarto de Jacob
Título original: Jacob’s Room
Autor(a): Virginia Woolf
Editora: Novo Século
Edição: 2008
Ano da obra: 1922

15 de fevereiro de 2011

Estrela Píer - O tempo, a chuva, o outro

Depois de longos meses, estou de volta aqui no blog! Abaixo escrevo sobre um livro que li há meses e que é queridinho de todas as blogueiras literárias por aí. Trata-se de Estrela Píer, de Kamila Denlescki.

Em meio à onda Crepúsculo, devo confessar que, de início, o livro não me chamou atenção; parecia só mais uma história de amor proibido, vilão que é mocinho (ou mocinho que é vilão, como preferirem), e algo de macabro permeando os acontecimentos. De fato, Estrela Píer tem todas estas características, mas a obra não é tão previsível, e segue caminhos que chegam a surpreender e deixar um gostinho de “quero mais”.

O livro narra, em primeira pessoa, a história de Lucia Píer Eli, garota amante de literatura e que trabalha na biblioteca de uma escola. Sua vida com a avó e a irmãzinha parece normal e insossa, até que vence um concurso para conhecer o astro juvenil Richard Clevehouse em Londres.

O desenrolar da paixão entre Lucia e Richard é algo gostoso de ler, divertido, e é impossível não torcer por eles. O clima de tensão e perseguição se mostra presente durante todo o tempo, dando ao livro certo ritmo e fazendo com que não se torne entediante. Além disso, Londres e Santorini como background dos acontecimentos dá um colorido a mais e, ao mesmo tempo, uma sensação etérea, como se tudo estivesse perdido em algum lugar entre sonho e realidade.

É interessante ver como a autora dá um toque de ficção científica à história, o que vi como positivo mesmo que, em vários momentos, sentisse falta de algo mais aprofundado sobre o tema. Finalizei o livro com muitas perguntas que não foram respondidas e, de fato, o livro termina de uma forma que sugere que a história ainda não chegou ao final. A percepção que tive é a de que o livro foi concebido já com planos de uma possível continuação. É inevitável não ficar curioso quanto ao futuro de Lucia e Richard e, se me perguntarem, diria que tenho vontade/curiosidade de ler uma “parte II” disso tudo; porém gostaria que mais detalhes tivessem sido esclarecidos e que mais respostas tivessem sido dadas.

Recomendo o livro, acho que está super dentro do molde para o público pré-adolescente e adolescente. A linguagem é simples e a leitura flui de forma nada cansativa, além do livro possuir diversas características que, em minha opinião, fazem com que o público se identifique facilmente.

Não posso deixar de comentar que a Kamila é uma fofa (recebi o livro autografado por correio há muitos meses atrás e peço sinceras desculpas por publicar a resenha somente agora). Aliás, o breve texto sobre a autora na aba do livro ganha a simpatia de quem o lê no mesmo instante.

Finalizo o post dizendo que torço pela carreira da Kamila. E tenho certeza de que não são poucos os leitores que aguardam ansiosamente por uma continuação de Estrela Píer!

Título: Estrela Píer
Autor(a): Kamila Denlescki
Publicação original: 2009

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