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26 de setembro de 2012

Starters [Lissa Price]


Callie perdeu os pais quando a Guerra dos Esporos varreu todas as pessoas entre 20 e 60 anos. Ela e seu irmão mais novo, Tyler, estão se virando, vivendo como desabrigados com seu amigo Michael e lutando contra rebeldes que os matariam por uma bolacha.
A única esperança de Callie é Prime Destinations, um lugar perturbador em Berverly Hills que abriga uma misteriosa figura conhecida como Velho. Ele contrata adolescentes para alugar seus corpos aos Enders — idosos que desejam ser jovens novamente. Callie, desesperada pelo dinheiro que os ajudará a sobreviver, concorda em ser uma doadora. Mas o que parecia ser a solução é apenas o começo de grandes descobertas... E Callie terá que lutar para tentar sobreviver.


Encontrando a ficção científica, Starters apenas simpatiza com a tão comentada distopia. O caos em que vivem os personagens é fator-chave para todos os acontecimentos na trama, mas não ganha tanta profundidade quanto deseja o leitor ao mergulhar na história.

O tema não alcança todo o seu potencial, apesar de ser interessante e servir de gancho para reflexões e comparações com o mundo (e valores) contemporâneos. A ideia do aluguel de corpos, enaltecendo a juventude apenas em sua estética, sugere forte relação com a atual inversão de valores, estes tão baseados na aparência e no poder aquisitivo. O corpo, tão valorizado na vida real, na trama é descartável, propriedade de ninguém - ou melhor, de quem tem grana para comprá-lo, literalmente.

O sentimentalismo aparece, muitas vezes, em excesso e desorientado, como que meio deslocado na festa de elementos que compõem a trama. Entendo a questão do irmão doente e o fato de ser o gatilho para os (maiores) problemas da protagonista, Cally. Mas não foram raras as vezes em que não me senti totalmente convencida pela narrativa. Senti certa carência de explicações. O envolvimento romântico entre Cally e Blake, além do ciúme e da sugestão de um possível triângulo amoroso com Michael, foi tão óbvio quanto supérfluo.

Apesar de nenhum dos personagens ter realmente chamado minha atenção, o Velho tem ares de vilão intrigante. Imaginei muito forte um teor psicológico pesado ligado a ele - e secretamente desejo que seja assim na continuação da série.

Apesar das críticas, o livro diverte e, como disse lá no início, o tema pode render momentos produtivos de "exercício tico e teco". O final levanta os ânimos, já relativamente desgastados com o decorrer da história; sendo assim, a probabilidade de terminar a leitura curioso(a) e querendo ler a continuação é grandinha. Ainda, há sempre a esperança de que as continuações "resolvam" os deslizes do primeiro volume (superficialidade, falta de explicações,…), embora eu pense que uma trama coerente e que se justifique é como o "acabamento" da história - indispensável e fator determinante de sua qualidade.

Título: Starters
Título original: Starters
Autor(a): Lissa Price
Editora: Novo Conceito
Edição: 2012
Ano da obra: 2012
Páginas: 368

29 de agosto de 2012

Branca de Neve e o Caçador [Lily Blake / Evan Daugherty / John Lee Hancock / Hossein Amini]


Quem você será quando for confrontado
com o fim?
O fim de um reino.
O fim dos bons homens.
Você correrá?
Você se esconderá?
Ou perseguirá o mal com um orgulho venenoso?


Há dez anos, a vingativa Rainha Ravenna assassinou o rei na mesma noite em que se casara com ele. No entanto, dominar o reino tornou-se um sofrimento para a Rainha. Para salvar seus poderes e manter-se jovem e bela para sempre, ela deve devorar um coração puro, e Branca de Neve é a única pessoa com esse coração. A fim de capturá-la, Ravenna recorre ao Caçador, o único homem que já se aventurou pela Floresta Sombria e sobreviveu. Branca de Neve será morta pelo Caçador? Ou será treinada por ele e se tornará a melhor guerreira que o reino já conheceu?



Diferentemente da maioria das adaptações, nesta aqui, o livro foi baseado no filme, e não o contrário. Talvez isto tenha contribuído para a falta de identidade da narrativa.

Branca de Neve e o Caçador tinha potencial para ser um ótimo romance. A proposta de uma adaptação um tanto sombria do conhecido conto de fadas, com uma protagonista que luta pelo que acredita, é deveras válida, atraente até. No entanto, uma narrativa pobre e descrições insossas puseram tudo a perder. A trama carece de detalhes e de personalidade, fazendo com que o leitor não encontre o encanto que o faria mergulhar na história. Até os momentos de ação parecem foscos e acontecem de maneira breve, quase despercebida.

A superficialidade atinge também os personagens. Todos, sem exceção, são fracamente desenvolvidos e, assim como o próprio texto, não surpreendem em momento algum. Se fisicamente a obviedade do clássico perpetua (a loirice da Rainha Ravenna e o porte másculo e cabelo desalinhado do Caçador que o digam!), seriam esperadas algumas peculiaridades e certo aprofundamento de caráter. Ao invés disso, nos são entregues figuras ocas que repetem frases prontas. E só.

Para algo (bem) descompromissado, o livro pode até entreter. Mas, francamente, essa releitura de Branca de Neve poderia ter feito bem melhor. A impressão que ficou é a de que a adaptação – que ganhou roupagem mais teen, com ares “girl power” – parece ter sido concebida com o único objetivo de incrementar a marca Snow White and the Huntsman.

Em tempo: apesar de tudo, a edição é caprichadinha. A divisão dos capítulos e das partes do livro é estilizada seguindo o aspecto medieval da história.

Título: Branca de Neve e o Caçador
Título original: Snow White and the Huntsman
Autor(a): Lily Blake; Evan Daugherty; John Lee Hancock; Hossein Amini
Editora: Novo Conceito
Edição: 2012
Ano da obra: 2012
Páginas: 208

1 de agosto de 2012

O Espião [Clive Cussler / Justin Scott]


O ano é 1908 e a iminência da Primeira Guerra Mundial se faz sentir através de tensões internacionais.
Nos EUA, o aparente suicídio de um talentoso projetista de canhões de couraçados faz com que sua filha busque a Agência Van Dorn para investigar o caso e limpar o nome do pai. O detetive Isaac Bell é escalado para a investigação e percebe se tratar de um caso de assassinato, e não de suicídio como se acreditava até então. A morte de outros profissionais de destaque da área naval revela a existência de um ardiloso espião envolvido em tudo isso...
O Espião é o terceiro de uma série de cinco livros – independentes entre si – com as aventuras de Isaac Bell.

O ritmo frenético do livro é sentido desde o início, ao mergulhar o leitor logo de cara no assassinato de Arthur Langner, um projetista de canhões da Marinha dos Estados Unidos. Nomes e acontecimentos que parecem surgidos do nada não demoram a tomar forma e a delinear com precisão a história a ser contada – e que história!

A riqueza de detalhes e um aspecto histórico que marca presença são dois grandes trunfos do livro. A narrativa corre pelas ruas do Hell’s Kitchen, em Nova Iorque, mostrando o universo dos gângsteres e suas práticas. Detalhes e descrições mais técnicas dos couraçados e canhões podem desanimar alguns, mas pessoalmente não achei que estiveram em excesso; ao invés de entediar, criam certa curiosidade e não chegam a fazer com que o leitor se perca (mesmo que sejamos leigos no tema, o colega Google está aí para essas coisas). Ou seja, a ação é constante e Cussler soube manter o ritmo que histórias de mistério e espionagem normalmente pedem.

Além dos personagens atraentemente intrigantes (o detetive Isaac Bell, sagaz e divertido, faz com que o leitor queira acompanhá-lo em suas empreitadas), o livro retrata o charme da época na medida certa e sem sair do contexto da trama.

Aos apreciadores de histórias de mistério e aventura: O Espião merece sua atenção na próxima visita à livraria. A ótima elaboração em termos de momento histórico é um plus que faz toda a diferença. Sim, porque livros do gênero precisam convencer, e este aqui certamente o faz.

Título: O Espião
Título original: The Spy
Autor(a): Clive Cussler / Justin Scott
Editora: Novo Conceito
Edição: 2012
Ano da obra: 2010
Páginas: 416

4 de julho de 2012

Um Amor Para Recordar [Nicholas Sparks]

Cada mês de abril, quando o vento sopra do mar e se mistura com o perfume de violetas, Landon Carter recorda seu último ano na High Beaufort. Isso era 1958, e Landon já tinha namorado uma ou duas meninas. Ele sempre jurou que já tinha se apaixonado antes. Certamente a última pessoa na cidade que pensava em se apaixonar era Jamie Sullivan, a filha do pastor da Igreja Batista da cidade. A menina quieta que carregava sempre uma Bíblia com seus materiais escolares. Jamie parecia contente em viver num mundo diferente dos outros adolescentes. Ela cuidava de seu pai viúvo, salvava os animais machucados, e auxiliava o orfanato local. Nenhum garoto jamais a havia convidado para sair. Landon nem sequer sonhara com isso. Em seguida, uma reviravolta do destino fez de Jamie sua parceira para o baile, e a vida de Landon Carter nunca mais foi a mesma.

Serei bem direta. Sei que o Nicholas Sparks está cheio de fãs e seus livros são bastante adorados mundo afora, mas Um Amor Para Recordar não me causou surpresa e tampouco mexeu com meu lado emotivo.

Não se pode negar que o livro traz uma história bonita. A ideia de que o amor move muitas barreiras e transforma existências também é muito válida. Contudo, a trama cai na obviedade e não demonstra esforço algum para trabalhar melhor os clichês – tudo é entregue muito mastigado para o leitor, que engole e digere sem quase nem perceber.

Um Amor Para Recordar é um livro mela-cueca, sim. Mas não entendam tal característica como sendo necessariamente negativa. Nós, leitores, bem sabemos que existem momentos que pedem leituras do tipo; sendo assim, o livro pode se revelar uma boa pedida dependendo do período ou estado de espírito. Como dizem, cada caso é um caso, e aqui esta afirmativa é bastante adequada.

Ainda, os personagens não são exatamente cativantes, e possuem algo de bastante forçado, até. São “simplificados” em demasia, fazendo com que pareçam carecer da complexidade inerente ao ser humano. Jamie – e os “planos de Deus” – provavelmente irritará nos dias em que nem tudo estiver tão cor-de-rosa na vida do leitor.

Eis um livro cuja adaptação cinematográfica me agradou bem mais que o próprio livro. Um Amor Para Recordar não é uma leitura que eu normalmente recomendaria, salvo em ocasiões e para pessoas bem específicas.

Título: Um Amor Para Recordar
Título original: A Walk to Remember
Autor(a): Nicholas Sparks
Editora: Novo Conceito
Edição: 2011
Ano da obra: 1999
Páginas: 184

16 de maio de 2012

Vi na Livraria: especial "Mães"



Ainda em clima de Dia das Mães, venho mostrar para vocês alguns livros que vi na livraria que trazem a figura da mãe como tema central. O legal é que são leituras que certamente agradarão em dose dupla – tanto às mães quanto às filhas. E tem para todos os gostos: crônicas bem-humoradas, enredos comoventes, e até chick-lit.



A FILHA DA MINHA MÃE E EU, de Maria Fernanda Guerreiro, ed. Novo Conceito
Sensível e tão real a ponto de fazer você se sentir parte da família, A filha da minha mãe e eu conta a história do difícil relacionamento entre Helena e sua filha, Mariana. A história começa quando Mariana descobre que está grávida e se dá conta de que, antes de se tornar mãe, é preciso rever seu papel como filha, tentar compreender o de Helena e, principalmente, perdoar a ambas. Inicia-se, então, uma revisão do passado – processo doloroso, mas imensamente revelador, pautado por situações comoventes, personagens complexos e pequenas verdades que contêm a história de cada um.







MINHA VIDA COM MAMÃE E OUTRAS HISTÓRIAS DE FAMÍLIA, de Bety Orsini, ed. Rocco
Autora de Cartas do coração – Uma antologia do amor, a jornalista Bety Orsini se volta agora para a sempre tumultuada relação entre mãe e filha. As crônicas mostram o zelo, a implicância, a cumplicidade, o desejo de aprovação e, acima de tudo, o amor incondicional que permeia toda relação mãe e filha, em textos comoventes e muitas vezes hilariantes.
Bety adora implicar com dona Amélia, mas basta abrir a boca com mais uma reclamaçãozinha para receber na hora uma resposta espirituosa da mãe. O pensamento perspicaz e a rapidez das respostas da senhora de 80 e poucos anos – algumas delas funcionando como verdadeiras alfinetadas na pose da filha – provocam o riso não apenas de Bety, mas de quem toma conhecimento das histórias narradas por ela. Dona Amélia já foi tema de inúmeros textos da jornalista e agora algumas dezenas deles foram reunidos no lançamento Minha vida com mamãe e outras histórias de família.




MÃES EM GUERRA, de Jill Kargman, ed. Planeta
Um retrato maldosamente divertido de mães indiscutivelmente exageradas. Toda mãe é capaz de cometer loucuras pelo bem de seu filho. Mas o que fazer quando a loucura vira o normal? Ao mudar-se para um dos bairros mais elegantes de Nova York com o marido Josh e a filha Violet, de dois anos, Hannah Allen se vê não só diante de um estilo de vida totalmente diferente do seu como no meio de uma verdadeira guerra de mães. Por trás da aparência de bonequinhas de luxo, suas novas vizinhas revelam-se beeem cruéis, prontas para destruir qualquer uma que represente a ameaça de ser uma mãe “melhor” do que elas.
Neste livro, Jill Kargman aposta em um novo gênero que vem conquistando fãs no mundo inteiro – o "mom-lit". Seguindo o ritmo de Sex and the City e Bridget Jones, só que com protagonistas-mães, o romance teve seus direitos vendidos para oito países, além do Brasil.

11 de maio de 2012

Um Mundo Brilhante [T. Greenwood]





O que fazer quando o mundo em que você vive não é o lugar a que você pertence?

Quando o professor Ben Bailey sai de casa para pegar o jornal e apreciar a primeira neve do ano, ele encontra um jovem caído e testemunha os últimos instantes de sua vida. Ao conhecer a irmã do rapaz, Ben se convence de que ele foi vítima de um crime de ódio e se propõe a ajudá-la a provar que se tratou de um assassinato.

Sem perceber, Ben inicia uma jornada que o leva a descobrir quem realmente é, e o que deseja da vida. Seu futuro, cuidadosamente traçado, torna-se incerto, pois ele passa a questionar tudo à sua volta. Descobre-se insatisfeito em uma posição que vinha mantendo por responsabilidade – mas também por passividade. Enquanto busca a felicidade, consciente de que escolhas precisam ser feitas e atitudes precisam ser tomadas, Ben se envolve em uma rede de mentiras da qual fica cada vez mais complicado sair.

Um Mundo Brilhante proporciona uma visão de camarote de quão frágeis são os aspectos que compõem a vida de uma pessoa – acontecimentos no meio familiar, emprego, relacionamentos. A pessoa em questão é Ben Bailey, mas poderia ser qualquer ser humano na face da Terra.

Fragmentos dolorosos da infância representam uma pesada carga que o personagem leva e, a partir deles, o leitor compreende que o maior problema de Ben tem apenas quatro letras: medo. E talvez seja ele, o medo, o grande responsável por fazê-lo esconder-se em mentiras que só fazem sabotar a si mesmo.

A característica que torna esta uma leitura interessante é a perspectiva bastante realista da vida. O amor é visto de maneira até pessimista, mas sem fugir da realidade. Quando o encanto termina, sempre ficam restos com os quais nem sempre é fácil lidar.
Hoje, o anel de noivado havia se tornado um lembrete constante da maior promessa que ele havia quebrado.

O preconceito e o descaso com a população indígena são abordados – de leve. A questão do crime contra o jovem indígena apenas permeia a história. O foco está mesmo nos conflitos pessoais do protagonista.

A narrativa é bastante envolvente. No entanto, o aspecto introspectivo se faz bem presente, a ação nem sempre é óbvia, o que pode não agradar alguns leitores. Além disso, não estamos diante de uma história de amor e muito menos de um suspense policial. Os dois aspectos apenas acompanham um protagonista que transita na desordem em que se tornou sua vida.

O leitor não deve esperar um final surpreendente, pois, assim como na vida real, nem tudo é feito de surpresas e acontecimentos mirabolantes. Mas pode – e certamente irá – pensar nos rumos tomados pelo protagonista. Este, ironicamente, tem plena consciência do caminho que deve seguir, embora seja ele mesmo o elemento que dificulta a concretização de suas verdadeiras escolhas.

Leitura recomendada aos que gostam de narrativas mais voltadas para um aspecto psicológico, para as questões internas dos personagens. Já aos que se entediam facilmente na falta de grandes reviravoltas ou de um ritmo mais intenso, não aconselharia.

Título: Um Mundo Brilhante
Título original: This Glittering World
Autor(a): T. Greenwood
Editora: Novo Conceito
Edição: 2012
Ano da obra: 2011
Páginas: 336

2 de maio de 2012

Para Sempre [Kim e Krickitt Carpenter]

Para Sempre fala, acima de tudo, de superação. Por se tratar de uma história real, o livro traz certa carga sentimental e nos faz refletir sobre a importância da motivação perante situações difíceis.

A vida que Kim e Krickitt Carpenter conheciam mudou completamente no dia 24 de novembro de 1993, dois meses após o seu casamento, quando a traseira do seu carro foi atingida por uma caminhonete que transitava em alta velocidade. Um ferimento sério na cabeça deixou Krickitt em coma por várias semanas. Quando finalmente despertou, parte da sua memória estava comprometida e ela não conseguia se lembrar de seu marido. Ela não fazia a menor ideia de quem ele era. Essencialmente, a "Krickitt" com quem Kim havia se casado morreu no acidente, e naquele momento ele precisava reconquistar a mulher que amava.

Como narrador, Kim Carpenter conta sua história de amor com Krickitt, como se conheceram, o casamento, e o acidente que mudou a vida de ambos e suas consequências. Ele descreve suas angústias – derivadas do acidente – e faz com que o leitor perceba a grandiosidade de seu amor pela esposa.

Uma característica da obra que não me agradou foi a ênfase que é dada, constantemente, na religião e na fé em deus. Ainda que estes tenham sido aspectos fortes na história de Kim e Krickitt (e lembrando que tudo é narrado por Kim), a impressão é a de que o texto tenta convencer o leitor de que a fé cristã foi a principal responsável pela sobrevivência e recuperação de Krickitt, e ainda, pela reestruturação da vida do casal. Ou seja, as pessoas que cruzaram o caminho do casal, os ótimos profissionais envolvidos, etc, tudo teria sido “colocado” na vida deles por obra da fé. Um pouco demais, não?

Abri o review falando que esta é uma história de superação. E prefiro continuar nesta perspectiva, digamos, mais realista – ou racional, se preferirem. Acredito que, no lugar das palavras “fé” ou “deus”, caberiam muito bem estas outras palavrinhas mágicas: “determinação”, “força de vontade”, “amor”.

Permitam-me abrir um parêntese:
Ao “julgar” o livro pela capa, o leitor espera encontrar “a história que inspirou o filme” – conforme lemos na própria capa. Não vi o filme, portanto não sei apontar as semelhanças e diferenças em relação ao livro e à história real. O que não se imagina, no entanto, é a abordagem através da qual é contada essa história. Somente ao olhar os dados de catalogação no interior do livro, é que vemos como item número 1: “Biografia cristã”. Informação que a capa e a sinopse não transmitem. Se, por um lado, isto pode servir para “aumentar” o público abrangente, no final, a quantidade de leitores decepcionados também é maior. Leitores que, muito provavelmente, não fazem parte do real público do livro. (Um consumidor insatisfeito sempre tem boa memória.)

Para Sempre não foi uma leitura muito marcante em termos positivos. Mas o texto também não é horrível. Tirando todo o aspecto em torno da religião, é interessante observar a reconstrução da vida do casal. O livro ainda reúne características capazes de fazer com que alguns leitores se emocionem. Contudo, e particularmente falando, Para Sempre não conseguiu me causar grande comoção.
Título: Para Sempre
Título original: The Vow
Autor(a): Kim e Krickitt Carpenter
Editora: Novo Conceito
Edição: 2012
Ano da obra: 2012
Páginas: 144

20 de março de 2012

Zodíaco [Robert Graysmith]



Aterrorizando a cidade de San Francisco desde 1968, o serial killer Zodíaco, em cartas cheias de escárnio enviadas aos jornais, escondia pistas sobre sua identidade e usava astuciosas mensagens criptografadas que desafiavam as maiores mentes decifradoras de código da CIA, do FBI e da NSA. Nessa época, o autor, Robert Graysmith, era o cartunista de política do maior jornal do norte da Califórnia, o San Francisco Chronicle, de forma que estava lá quando cada uma das cartas criptografadas, cada mensagem codificada, cada farrapo de roupa ensanguentada das vítimas chegou à redação. Esta é a história real de uma caçada que se estende por mais de duas décadas e que ainda persiste.

Zodíaco é o tipo de livro indicado para quem, como eu, curte o gênero policial. Não se trata, porém, de um romance policial; o livro relata fatos verídicos, o que certamente proporciona doses extras de emoção. Por mostrar uma história real e ser considerada uma obra de não ficção, a narrativa não mergulha em um “tom” muito literário, digamos que ela apenas esbarra aí, mas o aspecto de relato termina por dominar a maior parte das 416 páginas do livro.

Considerei – opinião bastante pessoal – o início meio “fraquinho”. No entanto, do terceiro capítulo em diante, o livro adquire um ritmo que eu chamaria mesmo de alucinante. A partir do momento em que o assassino Zodíaco começa a enviar cartas aos jornais de San Francisco, é impossível largar o livro. Os capítulos são nomeados de acordo com os crimes e, ainda, estes são subdivididos por datas, o que faz com que realmente acompanhemos a cronologia do caso.

Uma das cartas enviadas pelo
assassino Zodíaco
Detalhes dos crimes e das investigações fazem toda a diferença. Passagens peculiarmente interessantes como, por exemplo, a que explica o procedimento de autópsia e também as buscas por impressões digitais, aproximam ainda mais o leitor dos fatos que estão sendo relatados acerca do caso do tão conhecido (e enigmático) serial killer. Mas, a cereja do bolo aqui é, com certeza, a reprodução das cartas – na íntegra – que o assassino enviou à imprensa, além da inclusão de mapas e retratos falados. Também vale a pena mencionar que o caso tem um teor psicológico importante – o que achei sensacional.

Justamente por se tratar de um caso real, nem tudo o que é relatado apresenta um “sentido perfeito”, não é aquele quebra-cabeça em que as peças se encaixam pouco a pouco e progressivamente. Pistas confusas, suspeitos incertos, além de questões que surgem na cabeça ao longo do livro... Não é difícil surpreender a si mesmo tentando desvendar o caso com base no que é fornecido no livro.

Leitura fortemente recomendada! Esta edição inclui ainda um capítulo falando sobre o filme homônimo, de 2007, dirigido por David Fincher.

Título: Zodíaco
Título original: Zodiac
Autor(a): Robert Graysmith
Editora: Novo Conceito
Edição: 2007
Ano da obra: 1986
Páginas: 416

25 de janeiro de 2012

Anna e o Beijo Francês [Stephanie Perkins]







“Isto é tudo o que sei sobre a França: Madeline, Amélie e Moulin Rouge. A Torre Eiffel e o Arco do Triunfo também, embora eu não saiba qual a verdadeira função de nenhum dos dois.”

Anna Oliphant muda-se para Paris, resultado unicamente da decisão de seu pai, um famoso escritor norte-americano, que deseja que a filha estude durante um ano em um colégio interno de elite na Cidade Luz. Mas Anna não gostou nada da ideia, já que sua vida está toda em Atlanta: um emprego, sua melhor amiga e um rolo prestes a virar namoro. Mas em Paris há Étienne St. Clair: bonitão, inteligente, muito carismático e... comprometido. Anna e Étienne acabam se tornando amigos muito próximos e aí tudo fica MUITO complicado.

O que eu posso falar de Anna e o Beijo Francês?!?! Com certeza devo mencionar que é aquele tipo de livro que você lê muito rápido, que te faz adorar e odiar os personagens – ao mesmo tempo! – e que traz momentos de friozinho na barriga.

Ok, vamos ser sérios. O enredo não traz nada de verdadeiramente inovador, além de reunir elementos bastante óbvios: garota encontra garoto em Paris. E, se considerarmos que o garoto em questão é praticamente “perfeito” aos olhos femininos e que temos Paris como pano de fundo (acho que nem preciso comentar nada sobre Paris, né!)... Porém, neste caso, os clichês foram aplicados de maneira positiva, ao invés de simplesmente afundar o livro em uma historinha boba – o que não raro acontece por aí. A autora juntou ingredientes manjados e os transformou em um livro muito gostosinho de ler! A leitura se mostra em um ritmo ideal, e as intrigas acrescentam certo movimento na história, mantendo o livro bem longe do tédio. A narrativa é feita em 1ª pessoa, sob a ótica de Anna.

Basicamente, o enredo é focado em um possível romance entre os protagonistas, mas existem também outras histórias na vida deles, e ainda outras relacionadas aos amigos deles. Estas outras histórias são abordadas no livro, mas não de forma muito aprofundada – também não ficam na superficialidade extrema; diria que nos é mostrado o suficiente. Os personagens são interessantes e conquistam o leitor nos primeiros capítulos. É interessante ver como eles lidam com os altos e baixos entre si, como eles enxergam os obstáculos e os tantos tropeços nessa amizade que vem acompanhada de atração quase que irresistível. Existe entre os protagonistas uma tensãozinha sexual constante, sem ser apelativa ou forçada. Ponto mega positivo.

Infelizmente, encontrei pontos que não me agradaram no livro. Tive a impressão de que a tradução não foi tão cuidadosa assim, e que escaparam errinhos de revisão. Foi uma pena, achei que o livro merecia atenção maior neste quesito. Apesar de tudo, a leitura não sofreu prejuízos imensos.

Mergulhado no universo de fim de adolescência, Anna e o Beijo Francês não é um livro de grandes mensagens, mas é REALMENTE gostoso de ler. O enredo envolve e faz com que seja praticamente impossível largá-lo. Recomendo, com certeza!

P.S. (desnecessário e bastante pessoal): o personagem St. Clair é simpático, mas essa aura toda de perfeição em torno dele não me chamou muito a atenção. Quero dizer, pode ser que a maioria das garotas babe por ele (e certamente foi essa a intenção da autora), mas ele tem um perfil que, na minha concepção, está consideravelmente longe do que eu vejo como atraente.

Título: Anna e o Beijo Francês
Título original: Anna and the French Kiss
Autor(a): Stephanie Perkins
Editora: Novo Conceito
Edição: 2011 – 2ª impressão
Ano da obra: 2010
Páginas: 288

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