“Fotos de família sempre mentem...Você pode capturar um determinado momento da vida
de uma pessoa, mas é impossível captar
o que se esconde por trás dos sorrisos forçados...”
Com uma vida confortável e uma família estruturada, Eric Moore pode se considerar um homem de sorte, feliz. Dono de uma loja de material fotográfico, tudo parece bem na pacata cidade de Wesley, até que Amy Giordano – uma garotinha de 8 anos que vive nas redondezas – desaparece misteriosamente. A vida perfeita de Eric, então, parece começar a se dissolver, já que seu filho adolescente Keith é quem tomava conta de Amy na noite de seu desaparecimento...
Com ritmo intenso e sem enrolação, Thomas H. Cook nos prende do início ao fim em Folhas Caídas. Tão logo começamos a leitura, somos levados em uma espiral diretamente à vida familiar de Eric Moore, à inocência e à posição distanciada que assume em relação aos confrontos de forma geral. Acompanhamos o personagem, que narra em primeira pessoa, atuando em meio aos conflitos que surgem e envolvem diretamente sua família (ocasionados pelo desaparecimento da menina Amy) e que são o estopim para que problemas há muito enterrados no passado venham à tona. De maneira muito convincente, o personagem nos leva junto a ele em suas suspeitas e descobertas.
O suspense nos acompanha até as páginas finais do livro, sendo mesmo impossível conter a curiosidade perante a trama. Os personagens convencem de forma surpreendente, e são humanos em tudo, inclusive – e principalmente – em suas falhas. Achei muito interessante a forma como o autor nos faz penetrar na mente de Eric, como observamos tudo através de seus olhos. Sabe aquele sentimento louco de perceber que, na realidade, não conhecemos ninguém de verdade? É isso o que o personagem enfrenta durante todo o livro. Cada pessoa, principalmente seus familiares, de uma hora para outra, parecem estranhos para ele – ou, creio eu, sempre foram, mas ele tratava de mascarar isso com uma visão cor-de-rosa na qual levava a vida perfeita com uma família perfeita. E é rapidamente que nos tornamos testemunhas oculares do desmoronamento de tudo o que o protagonista tinha como certo em sua vida. É triste, confesso, e não está longe da realidade, não. Alguns capítulos, inclusive, são intercalados por passagens nas quais o protagonista fala diretamente conosco, leitor, reforçando a sensação de que o que aconteceu com ele poderia acontecer com qualquer um de nós.
Gosto bastante de romances policiais, principalmente pela tensão quase que insuportável que é gerada entre os personagens e dentro de cada um deles. E nisto, Folhas Caídas foi excelente. Porém, eu esperava encontrar uma explicação minuciosa no final, destrinchando os fatos e revelando “a genialidade” do crime, o que não aconteceu (o livro é mais focado na fragilidade e incerteza das relações). Tirando este único ponto que deixou a desejar, de maneira geral, Folhas Caídas não só atendeu, como superou as expectativas que tive antes da leitura.
Título: Folhas Caídas
Título original: Red Leaves
Autor(a): Thomas H. Cook
Editora: Bertrand Brasil
Edição: 2011
Ano da obra / Copyright: 2005