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17 de setembro de 2012

Vi na Livraria: O Museu do Peixe Morto, de Charles D'Ambrosio



Basicamente, o motivo pelo qual O Museu do Peixe Morto me atraiu em meio a tantos outros títulos, todos misturados em um display na livraria, foi justamente o próprio título. Através da sinopse, percebi que o livro é notável e merece atenção. Digam se não estou certa:

O MUSEU DO PEIXE MORTO, de Charles D'Ambrosio, Ed. Grua, 2010.

Os oito contos de O Museu do Peixe Morto apareceram originalmente em importantes publicações americanas como The New Yorker e fizeram parte de coletâneas como The Best American Short Stories (2004 e 2005). No Brasil, o conto "Roteirista" foi publicado pela Serrote (número 3, dezembro de 2009), que apresentou o autor como “um dos mais hábeis e envolventes narradores norte-americanos da atualidade”.

No conto "O esquema geral das coisas", um casal de picaretas sai pelo interior, em meio a fazendas de milho e caipiras, tentando conseguir dinheiro à custa de pequenos golpes. Um casal de velhos os acolhe, e essa é uma boa medida do trabalho de D'Ambrosio, que se equilibra com maestria no falso paradoxo entre vidas à margem e lirismo. As personagens são acolhidas. Os tipos esquisitões, tão comuns no imaginário da sociedade americana, ganham aqui um novo e desassombrado olhar. O menino que mora no orfanato de freiras e cujo pai ficou incapaz num acidente que matou a mãe; o roteirista bem-sucedido que é internado com diagnóstico de suicida em uma clínica psiquiátrica; o homem que conserta máquinas de escrever, ofício que herdou do pai e que não poderá passar ao filho, esquizofrênico; o rapaz que sai em direção ao mar com a urna de cinzas do avô, dando carona a estranhos.

Charles D’Ambrosio escreve sobre os Estados Unidos dos pequenos dramas, e é do país oculto na grande e heróica nação que ele extrai a matéria-prima para sua literatura, que tem conquistado crítica e público.

7 de agosto de 2012

5 motivos para ler Nelson Rodrigues


Nelson Falcão Rodrigues, ou simplesmente Nelson Rodrigues, nasceu na cidade de Recife, em 23 de agosto de 1912. Reconhecido como um grande escritor, dramaturgo e cronista, está imortalizado na literatura brasileira. Foi repórter policial, escreveu crônicas, contos, correio sentimental, folhetins, comentário esportivo (era apaixonado por futebol) e artigos opinativos. O teatro entrou em sua vida por acaso, devido a dificuldades financeiras, e aí se consagrou, apesar de suas peças serem constantemente consideradas como obscenas e imorais.
Faleceu no Rio de Janeiro, em 21 de dezembro de 1980.

Nelson Rodrigues completaria 100 anos em 2012. Por ocasião do centenário do autor, vários eventos estão rolando em todo o país. Exposições, peças, leituras, debates... Vale a pena conferir.

E vamos aos 5 motivos...

1. Nelson Rodrigues foi um importante representante da literatura teatral do seu tempo e a peça “Vestido de Noiva” foi um marco no teatro brasileiro moderno por seu caráter inédito. Tendo escrito dezessete peças teatrais, o autor enfrentou problemas com a censura e a polêmica em torno de suas obras, já que o erotismo esteve muito presente. O crítico Sábato Magaldi editou as obras de Nelson Rodrigues em quatro volumes, dividindo-as em três grupos: Peças psicológicas, Peças míticas e Tragédias cariocas. O autor assinava algumas de suas obras sob o pseudônimo Suzana Flag.

2. A originalidade foi um aspecto marcante do autor. Realista em pleno Modernismo, chegou a ser considerado um novo Eça de Queirós. Nelson Rodrigues criticou sordidamente a sociedade e suas instituições, principalmente o casamento, transpondo a tragédia grega (e suas regras) para a sociedade carioca do início do século XX, dando surgimento à contemporânea “tragédia carioca”. O aspecto erótico foi sempre bastante marcante em sua obra.

3. Em vida, acompanhou a adaptação cinematográfica de sua obra, tendo colaborado com o roteiro de “A Dama do Lotação”, “Bonitinha, mas ordinária” e “Álbum de Família”. Foi responsável, também, por escrever os diálogos para os filmes: “Somos Dois”, de Milton Rodrigues, e “Como ganhar na loteria sem perder a esportiva”, de J. B. Tanko.
Ainda, Nelson Rodrigues foi pioneiro na teledramaturgia brasileira com a autoria da novela “A Morta Sem Espelho” para a extinta TV Rio. Outras novelas foram baseadas na obra do autor, como “O Homem Proibido” e “Meu Destino é Pecar”, entre outras, e também a conhecida minissérie “Engraçadinha: seus amores e seus pecados”.

4. A série televisiva “A vida como ela é...” foi baseada nas obras de Nelson Rodrigues (com adaptação de Euclides Marinho e dirigida por Daniel Filho). Fruto de uma apurada observação sobre o mundo, “A vida como ela é...” trazia temas do universo passional. A série foi exibida no programa Fantástico, da Rede Globo, em 1996, com reprise em 1997 e em 2001.

5. Nelson Rodrigues foi autor de inúmeras frases – as “pérolas rodrigueanas”. Suas “mil melhores frases” foram organizadas pelo jornalista e escritor Ruy Castro e publicadas pela editora Companhia das Letras sob o título de Flor de Obsessão.

“Só o rosto é indecente. Do pescoço para baixo, podia-se andar nu.” [Nelson Rodrigues]


PRINCIPAIS OBRAS:

Peças:
Mulher sem Pecado (1941)
Vestido de Noiva (1943)
A Falecida (1953)
Os Sete Gatinhos (1958)
Boca de Ouro (1959)
Beijo no Asfalto (1960)
Toda Nudez Será Castigada (1965)
Teatro Completo (1981-89) – Organização de Sábato Magaldi, 4 volumes

Romances:
Meu Destino é Pecar (1944) – como Suzana Flag
O Homem Proibido (1951) – como Suzana Flag
O Casamento (1966)

Contos:
Cem Contos Escolhidos – A vida como ela é... (1961) – 2 volumes
Elas Gostam de Apanhar (1974)
A vida como ela é... – O homem fiel e outros contos (1992) - Seleção de Ruy Castro

Crônicas:
Memórias de Nelson Rodrigues (1967)
O óbvio ululante (1968)
A cabra vadia (1970)
O reacionário (1977)

Frases / Depoimentos:
Flor de Obsessão: as 1000 melhores frases de Nelson Rodrigues (1997) – Organização de Ruy Castro
Nelson Rodrigues – por ele mesmo (2012) – Organização de Sônia Rodrigues, filha do autor


PARA SABER MAIS:

Nelson Rodrigues: 100 anos – site comemorativo do centenário do autor, da Editora Nova Fronteira
Nelson Rodrigues, o Eterno – matéria da revista Bravo! (edição 173, jan/2012)

16 de abril de 2012

Lançamento 03/05: Equinócios de Amor

Hoje vim trazer para vocês um release (mais fresquinho, impossível!) de um lançamento da Editora Alcantis. Trata-se de Equinócios de Amor, do qual participo com o conto "Rambla de Mar".

Confiram abaixo mais detalhes sobre o livro e sobre o lançamento, que será no dia 03 de maio!
(Apesar da empolgação, estou tão triste por não poder ir ao lançamento...)

SINOPSE:
Antologia que traz para o universo literário uma série de contos românticos inspirados no relacionamento humano romântico e apaixonado, produzidos por novos talentos da literatura nacional que demonstram, nesta linda obra, bastante personalidade com narrativas que encantam e emocionam o leitor. O livro reúne contos que abordam questões como relacionamentos proibidos, paixão arrebatadora, destinos cruzados, entrega incondicional, mas também traz contos que discorrem sobre as oportunidades perdidas e os desdobramentos de um amor que não foi correspondido.

“Observá-la pela primeira vez, para Alessandro, foi como olhar um arco-íris de tons pastéis... Começou pelos cabelos, muito lisos, que caíam na altura do pescoço, sem tocar-lhe os ombros. Eram de um azul-turquesa a princípio duvidoso, porém deliciosamente excêntrico quando observado com calma.”

“Ao fechar a porta do carro, ainda encarando os castanhos melancólicos, a jovem suspirou em derrota. Durante meses ela desejou reencontrá-lo para dizer que fizera falta, que o admirava, que aprendera a vê-lo mais do que um amigo. No entanto, agora, suas palavras em nada resultariam.”

SOBRE A ANTOLOGIA:
Equinócios de Amor é a materialização de uma iniciativa que nasceu com uma proposta audaciosa, de exortar novos autores à criação de contos que permeassem a sensibilidade existente no relacionamento apaixonado entre duas pessoas, e que reuniu, após duas fases eliminatórias, considerando as regras de utilização da língua portuguesa e os seus aspectos técnicos, 14 encantadoras histórias criadas pelos autores eleitos:
Agatha - Alamanda - Alaor Rocha - Aline T.K.M. =P - Augustos Reis - Denise Smith - Francine Porfirio Ortiz - Maggie King - R. Artur Freire - Ren Deville - Ricardo Biazotto - Wellington S.O.

FICHA TÉCNICA:
Gênero: Contos/Crônicas
Editora: Alcantis/APED
Ano: 2012/1ª Edição
Nº de páginas: 144
ISBN: 978-85-98792-35-4
Preço: R$ 19,90

LANÇAMENTO:
Quando? 03/05/2012
Que horas? A partir das 17h
Onde? Livraria da Travessa - Rua Sete de Setembro, nº 54 - Centro - Rio de Janeiro, RJ

26 de março de 2012

Vídeo-review: Océan Indien e Pays Nordiques

Confiram o review dos livros Océan Indien e Pays Nordiques, ambos em língua francesa. Obras BASTANTE notáveis! Abaixo do vídeo, vocês encontrarão uma breve sinopse dos livros e um pouquinho sobre a coleção.
Desta vez, contei com uma cola básica para falar dos locais (reparem que eu olho o tempo todo para baixo!). Bom, espero que curtam o vídeo! =P



Músicas do vídeo:
Lucy in the Sky with Diamonds – The Beatles
Le Bruit du Dehors – Poney Express
I Go to Sleep – Anika
Tempo Perdido – Legião Urbana



OCÉAN INDIEN
La Réunion, les Comores, l’île Maurice - Entre témoignage, poésie et fantastique, un premier recueil de nouvelles illustrées sur l’Océan Indien qui mêle des textes aux sensibilités différentes.

Título: Océan Indien
Autor(a): Maryvette Balcou, William Cally, Joëlle Ecormier, Isabelle Hoarau
Editora: Reflets d’ailleurs
Edição: 2011
Ano da obra: 2011
Páginas: 127



PAYS NORDIQUES
Le Danemark, l’Islande, les Îles Féroé, le Groenland - Un premier recueil de nouvelles des pays nordiques, par des auteurs reconnus et des textes forts, actuels, qui soulèvent les peurs, les interrogations et la difficulté à trouver sa place.

Título: Pays Nordiques
Autor(a): Charlotte Blay, Bodil Bredsdorff, Erik Juul Clausen, Cecilie Eken, Marjun Syderbo Kjelnaes, Jónína Leósdóttir, Hanne Marie Svendsen
Editora: Reflets d’ailleurs
Edição: 2011
Ano da obra: 2011
Páginas: 127





Coleção "ARCHIPEL"
Destinada aos adolescentes, “Archipel” apresenta espaços geográficos e culturais singulares através de narrativas contemporâneas que incentivam o questionamento a respeito do mundo, abordando temas de cunho histórico e social. O diferencial desta coleção consiste, também, em apresentar ao final do livro documentários que trazem informações sobre os países e aprofundam alguns temas tratados nos contos.

4 de março de 2012

Nam Van – contos de Macau [Henrique de Senna Fernandes]



Lançado originalmente em 1978, este foi o primeiro livro escrito por Henrique de Senna Fernandes (1923-2010). A obra reúne seis contos que, além de retratar o Macau das décadas de 30 a 50, reconstituem o ambiente humano, histórico e geográfico desta colônia portuguesa na Ásia. "Nam Van" é também o nome chinês da Praia Grande, em Macau, considerada centro da vida administrativa e social da cidade e zona residencial preferida de seus moradores, onde o autor nasceu e viveu.

*Macau é uma Região Administrativa Especial (RAE) da República Popular da China desde dezembro de 1999, composta pela Península de Macau e por duas ilhas (Taipa e Coloane). Foi colonizada e administrada pelos portugueses durante mais de 400 anos. Desde 1999, Macau atua sob os princípios do “um país, dois sistemas”, gozando de elevado grau de autonomia (possui estatuto especial, semelhante ao de Hong Kong). As línguas oficiais são o cantonês (dialeto chinês) e o português. Hoje em dia, porém, o português é corretamente falado por menos de 1% da população. A maioria esmagadora dos habitantes possui ascendência somente chinesa.
Curiosidade: São Paulo é uma das cidades-irmãs de Macau (no âmbito das relações sociais, culturais e econômicas).

Nam Van pinta um retrato de um local desconhecido para a grande maioria dos leitores brasileiros. Através de cada um dos contos, desvendamos paisagens, pessoas, culturas, tudo de forma bastante rica e detalhada. Somam-se a isso enredos envolventes em todos os contos, sim, eu disse TODOS os contos.

Ainda que muitos dos contos sejam narrados em primeira pessoa sob uma perspectiva masculina, as personagens femininas chamam especial atenção. Envoltas em mistério e possuidoras de força e, ao mesmo tempo, certa fragilidade, as mulheres que encontramos no livro parecem convidar o leitor a desvendá-las. Todos os personagens são muito bem trabalhados e se fundem com Macau como se fossem um só ser. As influências culturais e o momento histórico têm, obviamente, importante papel no que se refere aos personagens e enredos.

Diria que é impossível apontar um dos contos como tendo sido meu preferido; gostei muito de todos eles. Mas, só para citar, merecem destaque os seguintes: A-Chan, a Tancareira, Candy e A Desforra dum China-Rico.


São nítidas as relações um tanto complexas entre culturas distintas – a chinesa, a portuguesa e a macaense, esta última um produto do encontro Oriente-Ocidente – sobre um mesmo solo, Macau (tido como ponto de encontro e intercâmbio entre culturas). A integração entre tais culturas mostra-se dificultosa e, ao olharmos para o passado através dos contos de Senna Fernandes, compreendemos melhor a situação presente, em que a presença chinesa se mostra dominante (em relação à etnia da população, aos meios de comunicação, à língua,...). Uma vez que a porcentagem da população que realmente fala português seja mínima, a literatura lusófona produzida na Ásia, infelizmente, tende a extinguir-se. Segundo uma matéria publicada pela Bravo! (já há alguns anos) sobre o autor Henrique de Senna Fernandes, “muitos dos ficcionistas e poetas de expressão lusitana daquele continente permaneceram, e permanecem, distantes de algumas das principais conquistas literárias do idioma”.

Uma obra que, apesar de não chamar tanta atenção pela capa, atrai pelo tema e revela-se extremamente notável e merecedora de reconhecimento. Nam Van é um livro como poucos; muito mais que apenas ser lido, merece ser verdadeiramente explorado pelo leitor – que certamente adentrará um universo novo em termos de local e cultura, além de deliciar-se com uma narrativa envolvente e impecável.

Título / Título original: Nam Van – contos de Macau
Autor(a): Henrique de Senna Fernandes
Editora: Gryphus
Edição: 2008
Ano da obra / Copyright: 1978
Páginas: 138

30 de janeiro de 2012

Vi na Livraria ESPECIAL: PsyVamp - Sua alma, num piscar de olhos


Este Vi na Livraria é especial pelo seguinte motivo: tem um conto meu nesta antologia! Pelo menos, é especial para mim! ^^
Confiram abaixo a sinopse do livro.
Em tempo: meu conto chama-se Dança em Gotas.


PSYVAMP - Sua alma, num piscar de olhos, vários autores, ed. Infinitum Libris
Eles estão em toda parte à procura de alimento. Escolhem suas vítimas e saciam sua fome silenciosamente, sem serem notados. São predadores. Vampiros. Mas não espere por grandes presas e mordidas no pescoço. Esse tipo de vampiro não se alimenta de sangue. Seriam eles bons, malignos ou apenas uma força da natureza? Você se tornaria um deles se pudesse? Ou os combateria, buscando formas de se proteger? Quais as intenções das Ordens Iniciáticas vampíricas? Antologia em ebook com participação de Adriano Siqueira e prefácio de Anny Lucard. www.editorainfinitum.com

Disponível em ebook.

Ah, adicionem PsyVamp no SKOOB! =)

Vi na Livraria ESPECIAL: PsyVamp - Sua alma, num piscar de olhos


Este Vi na Livraria é especial pelo seguinte motivo: tem um conto meu nesta antologia! Pelo menos, é especial para mim! ^^
Confiram abaixo a sinopse do livro.
Em tempo: meu conto chama-se Dança em Gotas.


PSYVAMP - Sua alma, num piscar de olhos, vários autores, ed. Infinitum Libris
Eles estão em toda parte à procura de alimento. Escolhem suas vítimas e saciam sua fome silenciosamente, sem serem notados. São predadores. Vampiros. Mas não espere por grandes presas e mordidas no pescoço. Esse tipo de vampiro não se alimenta de sangue. Seriam eles bons, malignos ou apenas uma força da natureza? Você se tornaria um deles se pudesse? Ou os combateria, buscando formas de se proteger? Quais as intenções das Ordens Iniciáticas vampíricas? Antologia em ebook com participação de Adriano Siqueira e prefácio de Anny Lucard. www.editorainfinitum.com

Disponível em ebook.

Ah, adicionem PsyVamp no SKOOB! =)

4 de outubro de 2011

Bonequinha de Luxo [Truman Capote]

É difícil falar deste livro sem evocar o tão célebre filme de mesmo título (originalmente, Breakfast at Tiffany’s, dirigido por Blake Edwards, 1961), que mostra uma imagem imortalizada de Audrey Hepburn.


A história gira em torno de Holly Golightly, garota vinda do interior para tentar a sorte em Nova York. Encantadoramente fora do convencional em seus hábitos, sua malícia “espevitada” e espontaneidade atraem os mais diversos tipos, em especial o escritor Paul Varjak (a quem ela chama de Fred).
O livro traz também 3 contos do autor: A casa das flores, O violão de diamantes, e Uma recordação de Natal.

Bonequinha de Luxo garante uma leitura muito prazerosa e fluida. É o tipo de livro que mantém o leitor envolvido por horas a fio. Uma pitada de humor, outra de sarcasmo, e mesmo uma pincelada de drama não óbvio, são ingredientes que se mesclam e tornam o livro mesmo especial aos olhos de quem o lê.

Holly é uma personagem única (e indissociável de Audrey Hepburn – quem viu o filme não dará outra cara a Holly que não seja a de Audrey) e naturalmente hilária em seus modos. Aliás, todos os personagens têm algo que os torna um pouco cômicos, mesmo que seja apenas em alguns momentos. Holly traz consigo a imagem da mulher, de certa forma, à frente de seu tempo, tentando sobreviver na realidade hostil de Nova York. Garota de programa, ela utiliza seus relacionamentos de forma a levar a vida como pode.

Capa atual, da
Companhia das Letras
Entre as cenas do filme que encontrei descritas no livro, destaco a parte em que Holly e Paul (ou Fred, como preferirem!) roubam máscaras de uma loja. Porém, adianto que o livro não é idêntico ao filme e, já que a comparação é inevitável, aproveito para dizer: o livro é ótimo, mas o filme me encantou mais – e o principal motivo é, sem dúvidas, Audrey Hepburn (ok, deu para perceber que eu a admiro, mas quem viu este ou outros filmes dela há de concordar comigo que ela é única). Recomendo fortemente o livro, principalmente aos fãs do filme. Aos que se interessarem pela leitura e que não conhecem o filme, leiam o livro e assistam ao filme depois; garanto que não se arrependerão!

Bonequinha de Luxo foi o primeiro livro que li do autor Truman Capote, e foi suficiente para atiçar ainda mais minha curiosidade em relação a seus outros livros.
Quanto aos 3 outros contos presentes no livro, todos trazem personagens bem peculiares, o que me agradou bastante. Uma recordação de Natal merece destaque pela singeleza; uma história delicada e bela.

Para terminar, a edição que li é de 1988, da L&PM. A edição mais atual é da Companhia das Letras, e acredito que inclua os 3 contos também. Sobre a capa, gosto de ambas, mas essa carinha meio retrô – com um toquezinho kitsch até – da antiga me faz preferi-la!

Título: Bonequinha de Luxo
Título original: Breakfast at Tiffany’s
Autor(a): Truman Capote
Editora: L&PM
Edição: 1987-1988
Ano da obra / Copyright: 1958

25 de agosto de 2011

Amores Infernais [vários]


5 contos (de diferentes autores) que abordam o amor adolescente de maneira a fugir um pouco da “receitinha de bolo” palavras melosas+suspiros+final feliz.
Amores Infernais traz uma leitura razoável (ou seja, até dá para distrair...), porém acho válido frisar que é bem voltado aos leitores adolescentes.

O que me deixou mais curiosa em relação a este livro foi a presença de Scott Westerfeld entre os autores. Como apreciadora da série Feios, nutri considerável expectativa em relação ao conto dele em Amores Infernais. E, de fato, Abominável mundo perfeito foi um dos contos de que mais gostei no livro. O aspecto futurista esteve em cena novamente e a originalidade da história merece destaque.
O outro conto que divide o posto de “meu preferido” (e que, junto ao anterior, “salva” o livro) é Mais ralo que água, de Justine Larbalestier – esposa de Scott Westerfeld. O conto me atraiu por ser trágico e delicado, e por envolver essa ideia de uma aldeia “parada no tempo”, costumes e crenças antigas em contraponto com o mundo atual (e o conflito que isso gera na vida dos jovens daquele lugar).

Os outros três contos, em minha opinião, não têm nada de especial e nem de muito novo. Trazem o sobrenatural (tema já tão batido hoje) em histórias que muito provavelmente serão esquecidas pelos leitores algum tempo depois de terminarem o livro. Talvez Perdido de amor seja mais curioso em relação aos outros dois, mas não é muito mais que isso, curioso. Fan fic foi o que menos gostei por achá-lo extremamente óbvio.

Como disse antes, fica o tempo todo muito claro que Amores Infernais visa o público adolescente. Os contos, de maneira geral, são muito teen. Além da forte presença do ambiente escolar, há sempre aquela “preocupação” em não deixar que o amor atrapalhe os estudos e o futuro profissional. Achei isto até exagerado, como se o objetivo fosse passar uma imagem do que é considerado correto e influenciar positivamente os leitores.

O livro não é de todo péssimo, já que é de fácil leitura e pode ser uma boa distração – na falta de opção. Também é caprichadinho no quesito capa e interior, gostei disso. Não chego a recomendar a leitura, exceto, talvez, para o público pré-adolescente (ou para quem estiver curioso em relação ao conto de Scott Westerfeld).

Título: Amores Infernais
Título original: Love is Hell
Autor(a): Laurie Faria Stolarz, Scott Westerfeld, Justine Larbalestier, Gabrielle Zevin, Melissa Marr
Editora: Galera Record
Edição: 2011
Ano da obra / Copyright: 2008

26 de julho de 2011

Dublinenses [James Joyce]

Primeira obra que leio de James Joyce. Inclusive li que Dublinenses é uma boa pedida para quem quer conhecer um pouco do autor e começar a se aventurar em suas obras. É um livro de leitura mais fácil, ao contrário de Ulisses e Finnegans Wake – tidos como bastante complexos.


Dublinenses foi publicado originalmente em 1914 e consiste em 15 contos que retratam a vida e os habitantes de Dublin, sua cidade natal. Segundo o próprio autor, os contos formam uma espécie de história moral da Irlanda, e são narrados ao leitor através de uma abordagem realista.

Os contos mostram determinados momentos da vida, por exemplo, a juventude e a maturidade, além de proporcionarem um retrato da vida em sociedade, uma crítica de seus costumes. Há forte presença de características morais e comportamentais da Irlanda de então, sendo elas o alcoolismo (isso eu pude ver com meus próprios olhos, é fato: o irlandês gosta de encher a caneca, sim! =P ), o aspecto violento na vida familiar e a rigidez no catolicismo. O nacionalismo é notadamente presente, assim como o ressentimento em relação à Inglaterra. É interessante pontuar que os contos são narrados de maneira a permitir que observemos o que se passa, mas sem “pensar” ou “sentir” por nós, há certa neutralidade.

A leitura é bastante agradável e flui com facilidade. Os personagens são muito humanos, e a narrativa nos leva a embarcar no interior mais íntimo de cada um deles, aspecto que muito me agradou. Situações conflituosas mostram-se presentes em quase todos os contos e é interessante ver como os personagens lutam – ou não – para mudar determinada condição.

Os contos tratam de aspectos do cotidiano, como se observássemos a vida dos personagens durante certo período de tempo. E assim como começam, eles terminam, muitas vezes sem um “desfecho” propriamente dito. Um espelho da própria vida, que continua seguindo seu curso mesmo que nossa observação tenha sido interrompida.

Cada conto me agradou de maneira peculiar. Mas tenho dois deles como meus favoritos: Um caso doloroso e Os mortos (o mais famoso dentre todos do livro).
Divido com vocês um trechinho que chamou minha atenção no conto Um caso doloroso:
Concordaram em romper relações. Todo vínculo, disse ele, é um vínculo para o sofrimento.

Cartaz de Os Vivos e
Os Mortos


Curiosidade: o conto Os mortos teve uma adaptação para o cinema. Trata-se do filme Os Vivos e os Mortos (título original: The Dead), dirigido pelo norte-americano John Huston em 1987. Este foi o último filme do diretor e pai da atriz Anjelica Huston, que nele interpreta o papel de Gretta Conroy.

Gostei muito da leitura de Dublinenses e a recomendo fortemente a quem tiver interesse em conhecer um pouco da obra de James Joyce.





Título: Dublinenses
Título original: Dubliners
Autor(a): James Joyce
Editora: Civilização Brasileira (selo da Editora Record)
Edição: 2006 (11ª)
Ano da obra / Copyright: 1914

12 de abril de 2010

Draculea - O Livro Secreto dos Vampiros

“Quais mistérios eles escondem por gerações? (...) Mas, antes de abrir estas páginas, um aviso: após lê-las, você nunca mais será o mesmo. O conhecimento tem seu preço, e eles ficarão furiosos com a sua descoberta.”

Draculea – O Livro Secreto dos Vampiros é uma antologia de 27 contos vampirescos, todos escritos por autores nacionais. Particularmente, gosto muito de contos. Ter várias historietas diferentes em um só livro geralmente faz com que a leitura nunca se torne cansativa. E ser um livro de autoria nacional é um aspecto que o torna mais interessante; acho animador que cada vez mais brasileiros tenham interesse em escrever literatura fantástica.

Apesar de todo o livro tratar-se de vampiros, a atmosfera de cada conto é, de alguma forma, singular. Alguns são mais dramáticos, outros são temperados com boa dose de agressividade, e alguns ainda revelam uma faceta curiosamente cotidiana dos fantásticos seres sobrenaturais. Um ponto bastante positivo é que existe no livro uma mistura entre passado e presente. Enquanto alguns contos retratam séculos passados, outros nos mostram um mundo contemporâneo, tal como o conhecemos hoje. Um vampiro em plena Avenida Paulista é algo interessante de se imaginar.

Os contos são breves, de leitura agradável e fácil. Draculea – O Livro Secreto dos Vampiros é uma boa pedida para ser lido de uma só vez, ou para ser saboreado aos poucos, conto por conto, durante alguns dias.

Para finalizar, uma verdade deve ser dita: vampiros são – e sempre serão – seres instigantes e de grande poder de fascínio!

Título: Draculea – O Livro Secreto dos Vampiros
Autor(a): vários, Ademir Pascale (organizador)
Publicação original: 2009

9 de fevereiro de 2010

Os Contos de Beedle, o Bardo: saudades de Hogwarts

Não é novidade e nem lançamento, mas certamente merece um lugarzinho de honra por aqui. Refiro-me ao livro Os Contos de Beedle, o Bardo – coletânea de contos bruxos que marca importante presença no último livro da série Harry Potter.

Trata-se de uma coletânea de 5 contos de fadas do universo dos bruxos, com direito a ilustrações por J.K. Rowling e comentários do ilustre professor Alvo Dumbledore. Assim como nos contos de fadas que fizeram parte de nossa infância, a estrutura dos contos aqui é a mesma: o bem e o mal são facilmente identificados e cada conto carrega consigo uma moral e valores. Os contos divertem e convencem, sendo inevitável não imaginar crianças bruxas de todas as partes ouvindo-os de seus pais e avós, e tendo-os tradicionalmente como parte de sua educação.

É interessante mencionar que os direitos autorais do livro foram doados para o Children’s High Level Group (cofundado por J.K.Rowling), ajudando crianças que vivem em instituições.

O livro foi inicialmente concebido como um presente: J.K. Rowling escreveu à mão sete edições para presentear amigos. Uma das edições foi leiloada pela loja Amazon pelo valor de US$ 4 milhões. Uma edição de colecionador pode ser encontrada à venda na Amazon, trazendo dez ilustrações inéditas por J.K. Rowling, além de um case no formato de um livro da biblioteca de Hogwarts, entre outros detalhes. Veja fotos e mais informações clicando aqui.

Enfim, o que mais encanta em Os Contos de Beedle, o Bardo é ser transportado novamente ao mundo de Hogwarts, uma vez que o final da série deixou saudades e súplicas por um prolongamento – ainda que pequeno – deste universo do qual fizemos parte durante alguns inesquecíveis anos de nossas vidas.

Título: Os Contos de Beedle, o Bardo
Autor(a): J.K. Rowling
Publicação original: 2008

8 de fevereiro de 2010

A Chuva


Há um certo desespero nos dias chuvosos. Como se, repentinamente ou aos poucos – tanto faz –, o firmamento se recordasse de alguma mágoa antiga, coisa de anos ou mesmo de séculos, e recolhesse toda a sua claridade e limpidez, passando a desaguar gotas de desabafo. E, quanto mais tempo as gotas permanecem a cair dissimuladas sobre nós, maior é o desalento. Também tenho a impressão de que o firmamento chora as mesmas mágoas, repetidamente, assim como nós o fazemos. A gente bem sabe que muitas vezes é preciso um longo tempo para deixar o lamento para trás; no entanto, é comum este mesmo lamento apenas se esconder, retornando e permanecendo por minutos ou horas por causa de alguma simples lembrança.

Este desabafo dos céus, ocasionalmente, traz fúria, que ao juntar-se com a mágoa forma uma unidade um tanto perigosa. Imaginava eu que a fúria conseqüente da tristeza não tivesse o poder de perdurar por muito tempo, que fosse intensa, porém momentânea, e logo fosse abrandada como o mar nos dias de calmaria. Um equívoco da minha parte. A fúria persiste por tempos imensuráveis, mas adormecida, deixando-nos enganar por sua aparente ausência. Mas, igual ao lamento, ela acorda e retorna, fazendo-nos surpreender com trovões... vindos do firmamento ou do interior de nós mesmos.

E é certo que os dias chuvosos nos castigam, pois nos intimidam e nos fazem recolher. Pior que os dias apenas nublados, os quais nos fazem sentir sua melancolia, mas não necessariamente nos obrigam a escutar e assistir às suas decepções em forma de paisagem. Os dias de chuva nos mantêm em um confinamento opcional, e justamente por ser opcional parece ser mais letárgico. Os dias de chuva nos mantêm sentados, tomados pela palidez do mundo lá fora na janela, escutando as gotas de repente cair, fazendo curvas nos telhados e nos postes, batendo com força nos vidros, ou assemelhando-se a traços de lápis em um desenho sem cor. E as gotas escorrem nas nossas janelas, deixando pequenos rastros molhados que vamos seguindo incansavelmente, até nos darmos conta de que o dia já passou.

Escrito por Aline T.K.M. em julho de 2009.

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