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14 de fevereiro de 2012

5 motivos para ler Gabriel García Márquez

O autor escolhido para este “5 motivos” é ninguém menos que Gabriel García Márquez, ou simplesmente Gabo! Meu autor preferido, poderia transformar o post de 5 para 1000 motivos, mas calma!, não farei isso. =P

Gabriel García Márquez nasceu a 6 de março de 1928, em Aracataca, Colômbia. Jornalista, editor, ativista político e militante de causas sociais, Gabo iniciou sua carreira literária com a publicação de contos. Seu maior sucesso, Cem Anos de Solidão, já foi traduzido em 35 idiomas e teve venda calculada em mais de 30 milhões de exemplares.

1. García Márquez foi o criador do realismo mágico na literatura latino-americana. Aqui, grosso modo, o irreal e o absurdo nos são apresentados como algo comum e até mesmo corriqueiro, mas que nem por isso deixa de abordar grandes temas sociais. O realismo mágico – ou realismo fantástico – desenvolveu-se na América Latina de tal forma que possui relação estreita com a ideia de identidade na literatura latino-americana.

2. Em 1982 (há exatos 30 anos), o autor recebeu o Prêmio Nobel de Literatura pelo conjunto de sua obra. Recebeu também o Prêmio Esso de Literatura Colombiana, foi declarado “Doutor Honoris Causa” pela Universidade de Colúmbia (Nova Iorque), além de ter recebido a condecoração “Légion d’Honneur” do governo francês, entre outros prêmios.

3. Ele escreveu Cem Anos de Solidão, e este já seria um motivo mais que suficiente. A obra é de 1967 e é considerada um marco na literatura latino-americana, tendo sido pioneira no estilo que ficou conhecido como realismo mágico. O enredo narra a história da família Buendía durante gerações, em uma aldeia fictícia chamada Macondo. Aliás, em 2012 celebra-se o 45º aniversário da publicação da obra.

4. Algumas de suas obras foram – muito bem – adaptadas para o cinema, tais como Do Amor e Outros Demônios (dirigido por Hida Hidalgo, 2009) e O Amor nos Tempos do Cólera (dirigido por Mike Newell, 2007), este último conta com a participação de Fernanda Montenegro.

5. García Márquez confessa que foi bastante inspirado e influenciado, no início de sua carreira, pela obra A Metamorfose, de Franz Kafka.

PRINCIPAIS OBRAS:

Ninguém Escreve ao Coronel (1961)
Cem Anos de Solidão (1967)
Crônica de uma Morte Anunciada (1981)
O Amor nos Tempos do Cólera (1985)
Do Amor e Outros Demônios (1994)
Memória de Minhas Putas Tristes (2004)
Viver para Contar (2002) – primeiro volume de sua autobiografia

17 de maio de 2010

Crônica de uma Morte Anunciada

O anúncio da morte de Santiago Nasar marca o início de Crônica de uma Morte Anunciada. Tudo começa com o casamento (sem amor) de Bayardo San Román e Ângela Vicário. Ela, não sendo virgem, é aconselhada por suas amigas a fingir a pureza inexistente, porém acabou não o fazendo e foi devolvida pelo marido na primeira noite. Interrogada pelos irmãos a respeito de quem teria sido o responsável por desvirginá-la, Ângela, sem pensar muito, entrega o nome de Santiago Nasar, e assim acaba por escrever a sentença final do rapaz.

A fim de devolver a honra a sua família, os gêmeos Pedro e Pablo Vicário decidem matar Santiago Nasar com as facas de abater porcos, e o anunciam incansavelmente a cada um que cruza seu caminho, na esperança de que alguém os impeça de cometer o crime. O anúncio da morte provoca preocupação em alguns, mas também descrença em outros e, dentro de poucas horas, toda a comunidade já sabe que matarão Santiago Nasar, com exceção dele próprio. No entanto, ainda que todos soubessem da desgraça que ocorreria, ninguém realmente impediu a morte.

Apesar de conhecermos a trágica sentença de Santiago Nasar logo na primeira página de Crônica de uma Morte Anunciada, a narrativa é tão instigante que torna impossível largar o livro antes de chegar ao final. Os acontecimentos são contados com uma velocidade feroz – assemelhando-se a uma produção jornalística – por um narrador que deseja desvendar a história juntando as peças de um quebra-cabeça. Ele colhe depoimentos das pessoas da comunidade e, tal como ocorre em uma investigação, existe a divergência. Muitos se lembravam do dia como uma “manhã radiante”, já outros insistiam no tempo ruim e céu sombrio.

Desde o momento em que Ângela Vicário nos revela o nome de Santiago como sendo aquele que a desvirginara, o narrador carrega a dúvida (e nós, leitores, também) sobre se Santiago seria mesmo o autor do ato ou se, culpando-o, Ângela na verdade encobria o nome de um possível amante. Os infelizes acontecimentos ecoaram por muitos anos na vida de Bayardo San Román e Ângela Vicário, fazendo-se presentes em forma de solidão; mas, também, acabaram por revelar para ambos uma luz no fim do túnel.

O momento em que os gêmeos Vicário matam Santiago Nasar é realmente singular, mas não vou revelá-lo por completo, de chofre, aos possíveis futuros leitores do livro. Assim, atenho-me a destacar o momento em que Pablo Vicário lhe deu uma facada no ventre e “os intestinos completos afloraram como uma explosão”. Alucinado, Santiago Nasar caminha “amparando com as mãos as vísceras penduradas” e, ao ser perguntado sobre o que lhe havia passado, ele apenas responde: “Me mataram (...)”.

É interessante como a obra nos mostra preconceitos e comportamentos demasiado arcaicos (se pensarmos nos dias de hoje) tão cravados na comunidade que acabam sendo normalmente aceitos, inclusive pelos vitimados, levando a que o crime adquira o papel de consequência irremediável e até necessária. Ao haver tanta gente avisada da morte e curiosa quanto aos últimos momentos de Santiago Nasar, é de admirar que ninguém o tenha visto lá pelos finais de seu trajeto para alertá-lo. Em resposta, o autor nos coloca uma frase, mais como uma reflexão, com a qual finalizo este texto: “A fatalidade nos faz invisíveis”.

Título: Crônica de uma Morte Anunciada
Autor(a): Gabriel García Márquez
Publicação original: 1981

19 de fevereiro de 2010

O Amor nos Tempos do Cólera: uma obra-prima de verdade!

Definitivamente, uma vez lida, não tenho como deixar passar em branco uma obra de Gabriel García Márquez. Por isto, dedico este post ao livro O Amor nos Tempos do Cólera, que li recentemente e que me mantém encantada até os presentes minutos.

Para os amantes de uma boa história de amor, o livro é um prato cheio. Florentino Ariza, um rapaz puro e simples, apaixona-se ainda na juventude por Fermina Daza, jovem altiva e de gênio bastante forte. Após iniciarem um breve romance através de cartas, seguido de uma viagem de Fermina Daza para visitar sua prima Hildebranda (imposta por seu pai com o objetivo de deixar para trás o romance de juventude), Fermina Daza acaba por rejeitar Florentino Ariza de forma repentina ao retornar de viagem, pois percebe uma discrepância entre a imagem idealizada que nutria e a realidade do homem que encontrou frente a si. Casa-se então com o célebre doutor Juvenal Urbino, o que lhe rende o ingresso à alta sociedade e uma vida estável e de paz.

Já Florentino Ariza, cada vez mais distante de sua amada, preenche sua vida com relações passageiras, enquanto escreve cartas de amor encomendadas por terceiros, cartas que foram capazes de unir jovens casais enquanto seu autor permanecia só em seu inferno privado. Se nas cartas de amor Florentino Ariza colocava todo o seu ser e obtinha êxito, no ofício já não teve a mesma sorte: suas cartas comerciais eram demasiado líricas e assemelhavam-se a cartas de amor. Contudo, Florentino Ariza destacou-se pela perseverança. Ter Fermina Daza converteu-se em seu projeto de vida – o fato de ser casada e com filhos nunca foi obstáculo – e, a partir disto, reuniu força e motivação que o levaram a tornar-se responsável pela Companhia Fluvial do Caribe e, consequentemente, uma figura pública de importância inquestionável. Após meio século de espera febril (51 anos, 9 meses e 4 dias, para ser mais exata), Florentino Ariza reafirma suas juras de amor eterno na primeira noite da viuvez de Fermina Daza, e prova-nos que o amor é imune ao tempo – ainda que as pessoas não o sejam – e que não há idade para amar.

A deliciosa narrativa de Gabriel García Márquez e o retrato mágico do Caribe do século XIX, assolada pelo fantasma do cólera, são dois pontos mais que positivos deste livro. Somemos a eles os acontecimentos fantásticos tão bem costurados à realidade – e por isso são, de fato, reais – e temos uma obra-prima completa. Não posso citar pontos negativos, pois este livro simplesmente não os tem.

Para os mais curiosos, vale a pena conferir o filme O Amor nos Tempos do Cólera (2007), de Mike Newell, que traz Javier Bardem na pele de Florentino Ariza e Fernanda Montenegro vivendo a mãe do protagonista. No entanto, somente indico o filme a título de curiosidade mesmo, já que não há um aprofundamento na relação entre Fermina Daza e o doutor Juvenal Urbino, e nem confere a carga de sentimentos que nos transmite o livro.

Título: O Amor nos Tempos do Cólera
Autor(a): Gabriel García Márquez

Publicação original: 1985

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