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1 de agosto de 2012

O Espião [Clive Cussler / Justin Scott]


O ano é 1908 e a iminência da Primeira Guerra Mundial se faz sentir através de tensões internacionais.
Nos EUA, o aparente suicídio de um talentoso projetista de canhões de couraçados faz com que sua filha busque a Agência Van Dorn para investigar o caso e limpar o nome do pai. O detetive Isaac Bell é escalado para a investigação e percebe se tratar de um caso de assassinato, e não de suicídio como se acreditava até então. A morte de outros profissionais de destaque da área naval revela a existência de um ardiloso espião envolvido em tudo isso...
O Espião é o terceiro de uma série de cinco livros – independentes entre si – com as aventuras de Isaac Bell.

O ritmo frenético do livro é sentido desde o início, ao mergulhar o leitor logo de cara no assassinato de Arthur Langner, um projetista de canhões da Marinha dos Estados Unidos. Nomes e acontecimentos que parecem surgidos do nada não demoram a tomar forma e a delinear com precisão a história a ser contada – e que história!

A riqueza de detalhes e um aspecto histórico que marca presença são dois grandes trunfos do livro. A narrativa corre pelas ruas do Hell’s Kitchen, em Nova Iorque, mostrando o universo dos gângsteres e suas práticas. Detalhes e descrições mais técnicas dos couraçados e canhões podem desanimar alguns, mas pessoalmente não achei que estiveram em excesso; ao invés de entediar, criam certa curiosidade e não chegam a fazer com que o leitor se perca (mesmo que sejamos leigos no tema, o colega Google está aí para essas coisas). Ou seja, a ação é constante e Cussler soube manter o ritmo que histórias de mistério e espionagem normalmente pedem.

Além dos personagens atraentemente intrigantes (o detetive Isaac Bell, sagaz e divertido, faz com que o leitor queira acompanhá-lo em suas empreitadas), o livro retrata o charme da época na medida certa e sem sair do contexto da trama.

Aos apreciadores de histórias de mistério e aventura: O Espião merece sua atenção na próxima visita à livraria. A ótima elaboração em termos de momento histórico é um plus que faz toda a diferença. Sim, porque livros do gênero precisam convencer, e este aqui certamente o faz.

Título: O Espião
Título original: The Spy
Autor(a): Clive Cussler / Justin Scott
Editora: Novo Conceito
Edição: 2012
Ano da obra: 2010
Páginas: 416

20 de março de 2012

Zodíaco [Robert Graysmith]



Aterrorizando a cidade de San Francisco desde 1968, o serial killer Zodíaco, em cartas cheias de escárnio enviadas aos jornais, escondia pistas sobre sua identidade e usava astuciosas mensagens criptografadas que desafiavam as maiores mentes decifradoras de código da CIA, do FBI e da NSA. Nessa época, o autor, Robert Graysmith, era o cartunista de política do maior jornal do norte da Califórnia, o San Francisco Chronicle, de forma que estava lá quando cada uma das cartas criptografadas, cada mensagem codificada, cada farrapo de roupa ensanguentada das vítimas chegou à redação. Esta é a história real de uma caçada que se estende por mais de duas décadas e que ainda persiste.

Zodíaco é o tipo de livro indicado para quem, como eu, curte o gênero policial. Não se trata, porém, de um romance policial; o livro relata fatos verídicos, o que certamente proporciona doses extras de emoção. Por mostrar uma história real e ser considerada uma obra de não ficção, a narrativa não mergulha em um “tom” muito literário, digamos que ela apenas esbarra aí, mas o aspecto de relato termina por dominar a maior parte das 416 páginas do livro.

Considerei – opinião bastante pessoal – o início meio “fraquinho”. No entanto, do terceiro capítulo em diante, o livro adquire um ritmo que eu chamaria mesmo de alucinante. A partir do momento em que o assassino Zodíaco começa a enviar cartas aos jornais de San Francisco, é impossível largar o livro. Os capítulos são nomeados de acordo com os crimes e, ainda, estes são subdivididos por datas, o que faz com que realmente acompanhemos a cronologia do caso.

Uma das cartas enviadas pelo
assassino Zodíaco
Detalhes dos crimes e das investigações fazem toda a diferença. Passagens peculiarmente interessantes como, por exemplo, a que explica o procedimento de autópsia e também as buscas por impressões digitais, aproximam ainda mais o leitor dos fatos que estão sendo relatados acerca do caso do tão conhecido (e enigmático) serial killer. Mas, a cereja do bolo aqui é, com certeza, a reprodução das cartas – na íntegra – que o assassino enviou à imprensa, além da inclusão de mapas e retratos falados. Também vale a pena mencionar que o caso tem um teor psicológico importante – o que achei sensacional.

Justamente por se tratar de um caso real, nem tudo o que é relatado apresenta um “sentido perfeito”, não é aquele quebra-cabeça em que as peças se encaixam pouco a pouco e progressivamente. Pistas confusas, suspeitos incertos, além de questões que surgem na cabeça ao longo do livro... Não é difícil surpreender a si mesmo tentando desvendar o caso com base no que é fornecido no livro.

Leitura fortemente recomendada! Esta edição inclui ainda um capítulo falando sobre o filme homônimo, de 2007, dirigido por David Fincher.

Título: Zodíaco
Título original: Zodiac
Autor(a): Robert Graysmith
Editora: Novo Conceito
Edição: 2007
Ano da obra: 1986
Páginas: 416

4 de agosto de 2011

Folhas Caídas [Thomas H. Cook]

“Fotos de família sempre mentem...
Você pode capturar um determinado momento da vida
de uma pessoa, mas é impossível captar
o que se esconde por trás dos sorrisos forçados...”

Com uma vida confortável e uma família estruturada, Eric Moore pode se considerar um homem de sorte, feliz. Dono de uma loja de material fotográfico, tudo parece bem na pacata cidade de Wesley, até que Amy Giordano – uma garotinha de 8 anos que vive nas redondezas – desaparece misteriosamente. A vida perfeita de Eric, então, parece começar a se dissolver, já que seu filho adolescente Keith é quem tomava conta de Amy na noite de seu desaparecimento...

Com ritmo intenso e sem enrolação, Thomas H. Cook nos prende do início ao fim em Folhas Caídas. Tão logo começamos a leitura, somos levados em uma espiral diretamente à vida familiar de Eric Moore, à inocência e à posição distanciada que assume em relação aos confrontos de forma geral. Acompanhamos o personagem, que narra em primeira pessoa, atuando em meio aos conflitos que surgem e envolvem diretamente sua família (ocasionados pelo desaparecimento da menina Amy) e que são o estopim para que problemas há muito enterrados no passado venham à tona. De maneira muito convincente, o personagem nos leva junto a ele em suas suspeitas e descobertas.

O suspense nos acompanha até as páginas finais do livro, sendo mesmo impossível conter a curiosidade perante a trama. Os personagens convencem de forma surpreendente, e são humanos em tudo, inclusive – e principalmente – em suas falhas. Achei muito interessante a forma como o autor nos faz penetrar na mente de Eric, como observamos tudo através de seus olhos. Sabe aquele sentimento louco de perceber que, na realidade, não conhecemos ninguém de verdade? É isso o que o personagem enfrenta durante todo o livro. Cada pessoa, principalmente seus familiares, de uma hora para outra, parecem estranhos para ele – ou, creio eu, sempre foram, mas ele tratava de mascarar isso com uma visão cor-de-rosa na qual levava a vida perfeita com uma família perfeita. E é rapidamente que nos tornamos testemunhas oculares do desmoronamento de tudo o que o protagonista tinha como certo em sua vida. É triste, confesso, e não está longe da realidade, não. Alguns capítulos, inclusive, são intercalados por passagens nas quais o protagonista fala diretamente conosco, leitor, reforçando a sensação de que o que aconteceu com ele poderia acontecer com qualquer um de nós.

Gosto bastante de romances policiais, principalmente pela tensão quase que insuportável que é gerada entre os personagens e dentro de cada um deles. E nisto, Folhas Caídas foi excelente. Porém, eu esperava encontrar uma explicação minuciosa no final, destrinchando os fatos e revelando “a genialidade” do crime, o que não aconteceu (o livro é mais focado na fragilidade e incerteza das relações). Tirando este único ponto que deixou a desejar, de maneira geral, Folhas Caídas não só atendeu, como superou as expectativas que tive antes da leitura.

Título: Folhas Caídas
Título original: Red Leaves
Autor(a): Thomas H. Cook
Editora: Bertrand Brasil
Edição: 2011
Ano da obra / Copyright: 2005

16 de junho de 2010

Release Editora Bertrand Brasil - Destino: Inferno, de Lee Child

Muita aventura, com doses extras de adrenalina e um final de tirar o fôlego. Essa foi a receita criada por Lee Child em seu novo lançamento no Brasil: Destino: Inferno, publicado pela Editora Bertrand Brasil. Este é o terceiro livro lançado no país com o protagonista Jack Reacher, um norte-americano durão, formado na Academia Militar de West Point, ex-capitão da Polícia do Exército e que, atualmente, roda pelos EUA lutando contra bandidos, sem residência fixa, documentos ou vínculo com qualquer pessoa.

SINOPSE:
Uma rua movimentada de Chicago na ofuscante luz do meio-dia. Jack Reacher está simplesmente passeando. Holly Johnson, jovem atraente e atlética, carregando cabides, atrapalhada com seu par de muletas, está claramente precisando de uma mãozinha. É claro que ele para a fim de oferecer ajuda à pobre moça. Mas o que Reacher encontra é uma arma apontada diretamente para sua barriga. Agora, os dois terão que se unir e confiar um no outro para enfrentar o inferno que os aguarda. E, reféns de um grupo de melicianos, precisarão sobreviver ao mais terrível pesadelo de suas vidas. Será que a forte coragem de Jack Reacher dará conta do inferno que está por vir?

Lee Child escreve de maneira clara, direta e dura, assim como é Jack Reacher. Sem entrelinhas ou enrolações, cada palavra no livro é um tiro certeiro e imediato. Destino: Inferno possui cenas marcadas, entrada e saídas definidas, cores, iluminação, clímax. Dessa maneira, o leitor tem a sensação de estar acompanhando Jack Reacher durante a sua intensa aventura. Os capítulos apresentam ligações perfeitas, que servem como boas (e necessárias!) pausas, para que o leitor recupere o fôlego e continue a leitura. A editora já publicou de Lee Child dois livros: Dinheiro Sujo e Um Tiro.

A Editora Bertrand está com uma ação em diversas mídias sociais: General Garber, militar responsável pelo treinamento e comando do herói Jack Reacher na época em que ele ainda fazia parte da Academia Militar, o apresenta para o mundo digital. Vale a pena conferir:

TWITTER: atualize-se a respeito de Jack Reacher e participe de promoções
ORKUT: perfil do General Garber
FACEBOOK: perfil do General Garber
COMUNIDADE OFICIAL NO ORKUT
PÁGINA OFICIAL NO FACEBOOK

25 de abril de 2010

Os Relógios

Um homem morto é encontrado na sala de visitas de uma senhora cega, Miss Pebmarsh, e aparecem quatro misteriosos relógios – que não pertencem à dona da casa – marcando quatro horas e treze minutos. Sheila Webb, funcionária do Escritório Cavendish de Secretariado e Datilografia, é chamada para um trabalho externo, justamente na casa de Miss Pebmarsh, e encontra o cadáver. Mas, Miss Pebmarsh afirma não ter solicitado nenhum serviço do Escritório Cavendish...

Um livro que prende do início até a última página! Bem característico de Agatha Christie, Os Relógios revela uma história de mistério extremamente engenhosa. À medida que se desenrolam os fatos, o leitor é envolvido de tal forma que se vê, ele mesmo, analisando as pistas e tentando desvendar o crime. E sinto informar que dificilmente terá êxito, uma vez que a trama não deixa escapar as respostas antes do final. Os acontecimentos são muito bem arquitetados, há um motivo e uma explicação por trás de todo o ocorrido, e cada um dos personagens é dotado de personalidade singular. Para resolver o mistério de Os Relógios temos o Detetive-Inspetor Hardcastle, Colin Lamb e, claro, a presença ilustre de Hercule Poirot – capaz de encontrar a solução “sem sair de sua poltrona”.

Um aspecto que merece comentário positivo é o fato do livro não se limitar apenas ao crime e investigação. Claro que estes dois pontos são o propósito do livro, mas há também uma pequena parcela de aspecto humano envolvido, algo do tipo “segredos pessoais do passado que agora vêm à tona”. Em algum momento, até podemos pensar que toda essa parte poderia ser mais bem desenvolvida na história; no entanto, é preciso considerar que, se assim fosse, o foco no crime seria em parte perdido, e a trama seria conduzida a um lado talvez mais emocional do que devesse ser. Enfim, com essa breve reflexão concluo que a trama é dosada de forma ideal em cada um dos seus aspectos. Apesar das pitadinhas de emoção, a história é bastante racional e, neste caso, é isso que a faz ser devorada avidamente pelo leitor (que busca respostas racionais e coerentes aos fatos ali apresentados).

Não sei se deveria fazer o comentário a seguir, já que o achei demasiado pessoal, mas resolvi fazê-lo mesmo assim. Acho que acabei tão envolvida com a história que, não sei explicar o porquê, o final não superou minhas expectativas – apenas atendeu-as. Mas adianto: acredito que o problema foi totalmente comigo. Sinceramente, se me perguntarem, não sei explicar por quê, ou mesmo o que eu mudaria no final. Simplesmente não sei. Criei expectativas imensas (mesmo!) no decorrer da história, talvez tenha sido esse o motivo. O livro é muito bom e o final foi coerente e revelador. Apenas, ao terminar a leitura, não me vi boquiaberta e pensando no final durante um bom tempo, como achei que ficaria.

Colocando todos os comentários e reflexões na balança, finalizo dizendo que Os Relógios é um ótimo livro e recomendo-o fortemente. Até hoje, nunca li nada da Agatha Christie que não valesse a pena ter lido, e este livro não foge à regra!

Título: Os Relógios
Autor(a): Agatha Christie
Publicação original: 1963

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