6 de maio de 2010

Feios

FEIOS me chamou a atenção, primeiramente, pelo título. Postei anteriormente a sinopse aqui no blog, mas não aguentei de curiosidade e tive que encaixar o livro na minha fila de leitura – furando a fila, diga-se de passagem. Eu sei, a resenha está imensa; os pensamentos começam a surgir e as palavras borbulham, é difícil controlar! Por isso, agradeço desde já quem tiver a paciência de ler até o fim!

Tally Youngblood é feia. Não, isso não significa que ela seja alguma aberração da natureza. Não. Ela simplesmente ainda não completou 16 anos. Em Vila Feia, os adolescentes ficam presos em alojamentos até o aniversário de 16 anos, quando recebem um grande presente do governo: uma operação plástica como nunca vista antes na história da humanidade. Suas feições são corrigidas à perfeição; a pele é trocada por outra, sem imperfeições ou – nem pense nisso – espinhas; seus ossos são substituídos por uma liga artificial, mais leve e resistente; os olhos se tornam grandes; e os lábios, cheios e volumosos. Em suma, aos 16 anos todos ficam perfeitos.
Tally mal pode esperar pelo seu aniversário. Depois da operação, vai finalmente deixar Vila Feia e se mudar para Nova Perfeição, onde os perfeitos vivem e se divertem (o tempo todo).
Uma noite, ela conhece Shay, uma feia que não está nem um pouco ansiosa para completar 16 anos. Pelo contrário: Shay pretende fugir dos limites da cidade para ir viver na Fumaça, um grupo/comunidade de fugitivos, e sobreviver retirando seu sustento da natureza.
Para Tally, isso é uma maluquice. Quem iria querer ficar feio para sempre ou se arriscaria a voltar para a natureza e queimar árvores para se aquecer, em vez de viver com conforto em Nova Perfeição e se divertir à beça? Mas, quando sua amiga desaparece, os Especiais, autoridade máxima desse novo mundo, propõem um acordo a Tally: se unir a eles contra os Enfumaçados ou ficar feia para sempre. A escolha de Tally irá mudar o mundo ao seu redor, mas, principalmente, ela mesma.

Confesso que as primeiras páginas não foram tão interessantes e animadoras quanto eu esperava. Até cheguei a ter a sensação de que seria tudo “adolescente demais”. Realmente me pareceu um livro mais voltado a adolescentes, mas não é nem um pouco restrito a esse público. Conforme ia avançando na leitura, a história ganhava mais corpo e me atraía mais.

O cenário é futurista e nos deparamos com objetos inimagináveis, como anéis de interface e pranchas voadoras, permitindo que a imaginação voe alto ao ler cada linha. Algumas passagens, no entanto, podem parecer um pouco confusas. Refiro-me aos acontecimentos durante as viagens dos personagens, que algumas vezes mostram-se meio difíceis de serem imaginados, dando a sensação de que a imagem que fazemos não é exatamente o que o autor quis dizer com a respectiva descrição. Mas são só detalhes, nada que atrapalhe a leitura. Aliás, devo dizer que a leitura é bem simplificada e nada cansativa; o mundo no qual os personagens estão inseridos é acompanhado por explicações simples e coerentes acerca do funcionamento das coisas.

Gostei dos personagens principais, porém fiquei com a sensação de que a trama não me permitiu que os conhecesse muito bem. Não sei se foi só uma sensação, mas senti que faltou algo em relação a eles, talvez sentimentos e pensamentos mais elaborados, não sei. Algumas coisas que pensei a princípio depois se mostraram errôneas, e ao final não consegui formar uma opinião concreta a respeito de cada um deles. Imagino que nos próximos volumes da série haverá mais da essência dos personagens. Mas este foi só um comentário bem particular, não se trata exatamente de um ponto negativo, foi uma impressão que tive e não sei se é provável que mais alguém compartilhe dela.

melhor característica do livro, a cereja do bolo, são as reflexões que ele provoca e as múltiplas questões que ele desperta. Até que ponto a evolução realmente significa evolução? Por um lado, o evoluído mundo mostrado no livro é altamente sustentável, as necessidades parecem ser sempre satisfeitas, e não há motivo aparente para guerras, desentendimentos ou sentimentos medíocres. Apesar de tantas vantagens, tudo se torna obsoleto com imensa facilidade, desde os mais simples objetos até sentimentos e relações, e inclusive as próprias pessoas. Se algo não tem mais utilidade, é descartado. O desapego é tanto que as pessoas não se importam em perder seus traços de nascença, se isso lhes garantir a perfeição. Auto-estima é algo inexistente e, sem possuir uma base sólida, construída através de valores e confiança, as pessoas passam a apoiar-se no status, na aparência, no “ter” na pele de um falso “ser”. E será que tudo isso está só nas páginas do livro?

Outro ponto interessante que podemos notar (e pensar sobre) é a questão da alienação. Em um pequeno diálogo entre Tally e Shay, isso é bem evidente:
– É tudo tão grandioso – murmurou Tally.
– É isso que ninguém percebe lá de dentro – disse Shay. – Como a cidade é pequena. Como eles têm de manter a pequenez de todos para que permaneçam presos.
Os perfeitos (e os feios na ansiosa espera por tornarem-se perfeitos) são manipulados de forma a acreditar que só existe um modo de vida – perfeito, por sinal –, e que não há nada diferente daquilo que conhecem. O mundo se restringe aos limites do que é conhecido por eles. E quando há alienação não há poder de escolha; a existência de possíveis opções é ignorada por todo mundo, ou quase. Pensando nisso, é possível comparar Feios com o filme A Vila, guardadas as devidas proporções. No filme dirigido por M. Night Shyamalan, uma comunidade vive isolada, com seus costumes, tradições, hierarquias e um modo de vida um tanto ultrapassado. Um pequeno grupo representa a autoridade máxima lá dentro, criando artifícios baseados no medo para que a comunidade e o modo de vida sejam intocados, ocultando de todos os habitantes (portanto, mantendo-os alienados) o fato de que fora da comunidade existe um mundo muito mais avançado, uma realidade totalmente diferente da vivida por eles. Essa comunidade do filme parece estar em uma época distante (tipo séculos passados) e ignora completamente que, na verdade, está inserida em um mundo como o atual.

Também é possível perceber em Feios alguma semelhança com o Mito/Alegoria da Caverna , de Platão, que conta mais ou menos o seguinte:
Existem alguns prisioneiros em uma caverna, acorrentados nela desde o seu nascimento. Eles estão presos de tal forma que tudo o que enxergam são sombras projetadas na parede diante deles. As sombras são reflexo de uma fogueira localizada atrás, na parte superior. Como tudo o que os prisioneiros conhecem são as sombras, eles acham que aquela é toda a realidade que existe. Um dos prisioneiros consegue se soltar e sair da caverna. Fica encantado com a realidade, percebendo que foi iludido completamente pelos seus sentidos dentro da caverna. Agora ele estava diante das coisas em si, e não de suas sombras. Diante do conhecimento, retornou à caverna e contou para os demais prisioneiros o que havia visto. Eles não acreditaram, e preferiram continuar na caverna, vendo e acreditando que o mundo é feito de sombras.
O Mito da Caverna é uma metáfora da condição humana perante o mundo. E aí entra a questão da essência X aparência. Em um resumo bem esdrúxulo, a realidade estaria no mundo das ideias (essência), porém a maioria dos indivíduos vive na ignorância, no mundo ilusório das coisas sensíveis (aparência), das imagens. Desta forma, as coisas que nos chegam através dos sentidos (tato, visão, audição, etc), são apenas as sombras das ideias. Quem estiver preso apenas ao conhecimento das coisas sensíveis não poderá alcançar o mundo das ideias (conhecimento inteligível). No livro, Tally e Shay conseguem sair da “caverna”, representada pela crença de que a vida em Nova Perfeição é a única realidade existente. E então surgem em nós, leitores, as perguntas: “o que fazer com a nova realidade descoberta? Como ‘abrir os olhos’ dos demais?”.

O livro também nos faz questionar sobre até que ponto as autoridades são absolutas e podem/devem interferir nas escolhas de cada indivíduo. A questão da manipulação... E os padrões impostos por meios externos (a mídia, por exemplo)... E a sociedade de massa... E a ideia de sermos observados todo o tempo... Etc, etc... Enfim, o livro dá margem a discussões variadas e consegue exitosamente unir entretenimento e reflexões mais profundas de forma simples e leve. Feios é para os leitores que querem ir além, enxergar o que está implícito na trama, fazer comparações e questionamentos; mas Feios também é para os que desejam apenas uma leitura descompromissada, leve e divertida. É um livro que pode ser lido e encarado de formas distintas. Inclusive, comparam-no a 1984, de George Orwell; embora ainda não o tenha lido, achei interessante a comparação.

Feios certamente fará com que os leitores fiquem instigados a ler o próximo livro da série (a menos que o leitor não tenha gostado mesmo do livro). Seja pelas tantas questões que parecem ser deixadas em aberto acerca da própria trama e dos personagens, seja pelo final que “não parece um final” (e confesso que deu uma raivinha por ter terminado justo naquela hora)... A história não é concluída neste primeiro volume, o que pode ser um tanto frustrante, mas, nesse caso, só nos resta esperar pelo próximo livro da série.

Título: Feios
Autor(a): Scott Westerfeld
Publicação original: 2005

LEIA A RESENHA DE PERFEITOS
LEIA A RESENHA DE ESPECIAIS

5 de maio de 2010

Promoção Draculea - Resultado!

Confiram abaixo o resultado da promoção Draculea - O Livro Secreto dos Vampiros, cujo vencedor(a) levará um exemplar autografado do livro:


E a vencedora foi....

PARABÉNS, Stephanie Millena!! =)
Agora mesmo enviarei um email à vencedora, que terá o prazo de 3 dias para responder.

4 de maio de 2010

Promoção Draculea - Lista de Participantes

No final do dia 03/05 (ontem) foi encerrada a promoção Draculea - O Livro Secreto dos Vampiros. Fiquei contente com a participação de todos! Foram 75 participantes únicos e 217 números concorrerão ao sorteio.

O sorteio será feito amanhã (05/05) e amanhã mesmo divulgarei o vencedor(a), que terá 3 dias para responder ao email que será enviado. Caso não receba nenhuma resposta, será feito um novo sorteio.

Se o vencedor(a) não tiver seguido todas as regrinhas da promoção corretamente (links de divulgação corretos, ser seguidor dos blogs informados, seguir no Twitter quando preenchido que é seguidor, comentário no post da promoção), um novo sorteio será realizado. Realmente espero que isso não ocorra, não gostaria de ter que desclassificar ninguém. =/

CONFIRA A LISTA DE PARTICIPANTES AQUI
Os números para o sorteio são os que constam na coluna amarela da planilha.

30 de abril de 2010

Vi na Livraria: A Casa de Chá

Este me encantou, primeiramente, pela capa. Como não podia deixar de ser, li a sinopse e fiquei bastante curiosa em relação à história. Tenho interesse pela cultura japonesa (já que sou descendente por parte materna), embora não conheça muita coisa: em minha família não há nada preservado em termos de tradições, costumes, etc. Acho que isso acontece em grande parte porque somos na maioria mestiços (ou filhos de mestiços) e as culturas acabam se misturando mesmo, o que eu acho fantástico e enriquecedor – a única parte negativa é que quase não sabemos nada das culturas “originais” dos nossos antepassados.

A CASA DE CHÁ - Ellis Avery
Depois de ser molestada pelo tio, a menina Aurélia foge durante um incêndio que varre Kyoto. Sua sorte muda quando é acolhida pelo professor Shin, o mestre de chá mais importante da cidade, e se torna acompanhante de sua filha, por quem nutrirá desejos secretos. A luta de Aurelia para se encaixar em uma sociedade fechada e cheia de mistérios reflete as mudanças culturais japonesas do final do século XIX. E conforme a cultura ocidental invade o país, os Shin precisam encontrar um caminho para perpetuar a tradição do chá.


A Casa de Chá no SKOOB

29 de abril de 2010

Nova coluna/seção: Vi na Livraria

Vi na Livraria é uma proposta de "coluna/seção" que estou criando aqui no Escrevendo Loucamente. Pode até ser um meme, se vocês gostarem e quiserem aderir!

É o seguinte: quando vocês virem um post com o banner Vi na Livraria, trata-se da sinopse de algum livro que vi na livraria (óbvio =P ) e que me interessou, embora lê-lo não esteja nos meus planos mais imediatos.

Pode ser lançamento ou não. Não se trata de um livro que está na minha fila de leitura e que, com certeza, resenharei aqui mais adiante. Pelo contrário: é um livro que despertou meu interesse, mas não pretendo lê-lo tão cedo (sabemos que as filas de leitura são grandes e, infelizmente, não conseguimos ler todos os livros que vemos e achamos interessantes); um livro que até gostaria de ler mas que não está na minha fila de leitura (e não sei se o incluirei). É algo como “olha o que eu vi na livraria, parece ser bem interessante!”. É uma chance de mostrar para os leitores algum livro que parece ser legal e que tenha passado despercebido. E se alguém já tiver lido o livro em questão, comente no post dizendo o que achou, se é realmente tão bom quanto parece!

Para quem quiser aderir e fazer com que vire um meme, serão super bem-vindas(os)! Basta postar a sinopse de algum livro que chamou sua atenção na livraria junto com o banner Vi na Livraria (acima), e... voilà! Ah, e não se esqueçam de comentar nos posts Vi na Livraria aqui no Escrevendo Loucamente colocando o link do seu último post Vi na Livraria, para que eu possa ler! Não tem muita regra quanto ao dia de postar nem quanto à frequência (pode ser semanal, quinzenal, mensal).

Ainda esta semana, postarei o 1º Vi na Livraria! =)

25 de abril de 2010

Os Relógios

Um homem morto é encontrado na sala de visitas de uma senhora cega, Miss Pebmarsh, e aparecem quatro misteriosos relógios – que não pertencem à dona da casa – marcando quatro horas e treze minutos. Sheila Webb, funcionária do Escritório Cavendish de Secretariado e Datilografia, é chamada para um trabalho externo, justamente na casa de Miss Pebmarsh, e encontra o cadáver. Mas, Miss Pebmarsh afirma não ter solicitado nenhum serviço do Escritório Cavendish...

Um livro que prende do início até a última página! Bem característico de Agatha Christie, Os Relógios revela uma história de mistério extremamente engenhosa. À medida que se desenrolam os fatos, o leitor é envolvido de tal forma que se vê, ele mesmo, analisando as pistas e tentando desvendar o crime. E sinto informar que dificilmente terá êxito, uma vez que a trama não deixa escapar as respostas antes do final. Os acontecimentos são muito bem arquitetados, há um motivo e uma explicação por trás de todo o ocorrido, e cada um dos personagens é dotado de personalidade singular. Para resolver o mistério de Os Relógios temos o Detetive-Inspetor Hardcastle, Colin Lamb e, claro, a presença ilustre de Hercule Poirot – capaz de encontrar a solução “sem sair de sua poltrona”.

Um aspecto que merece comentário positivo é o fato do livro não se limitar apenas ao crime e investigação. Claro que estes dois pontos são o propósito do livro, mas há também uma pequena parcela de aspecto humano envolvido, algo do tipo “segredos pessoais do passado que agora vêm à tona”. Em algum momento, até podemos pensar que toda essa parte poderia ser mais bem desenvolvida na história; no entanto, é preciso considerar que, se assim fosse, o foco no crime seria em parte perdido, e a trama seria conduzida a um lado talvez mais emocional do que devesse ser. Enfim, com essa breve reflexão concluo que a trama é dosada de forma ideal em cada um dos seus aspectos. Apesar das pitadinhas de emoção, a história é bastante racional e, neste caso, é isso que a faz ser devorada avidamente pelo leitor (que busca respostas racionais e coerentes aos fatos ali apresentados).

Não sei se deveria fazer o comentário a seguir, já que o achei demasiado pessoal, mas resolvi fazê-lo mesmo assim. Acho que acabei tão envolvida com a história que, não sei explicar o porquê, o final não superou minhas expectativas – apenas atendeu-as. Mas adianto: acredito que o problema foi totalmente comigo. Sinceramente, se me perguntarem, não sei explicar por quê, ou mesmo o que eu mudaria no final. Simplesmente não sei. Criei expectativas imensas (mesmo!) no decorrer da história, talvez tenha sido esse o motivo. O livro é muito bom e o final foi coerente e revelador. Apenas, ao terminar a leitura, não me vi boquiaberta e pensando no final durante um bom tempo, como achei que ficaria.

Colocando todos os comentários e reflexões na balança, finalizo dizendo que Os Relógios é um ótimo livro e recomendo-o fortemente. Até hoje, nunca li nada da Agatha Christie que não valesse a pena ter lido, e este livro não foge à regra!

Título: Os Relógios
Autor(a): Agatha Christie
Publicação original: 1963

22 de abril de 2010

SINOPSE: Feios - Scott Westerfeld


"Em um mundo de extrema perfeição, ser normal é feio."

Originalmente lançado em 2005, Feios (o primeiro livro da série), foi lançado este ano no Brasil pela editora Galera Record. Eu não conhecia nada sobre o livro, apenas me chamou a atenção o lugar de destaque que tem ocupado nas livrarias recentemente. O título despertou minha curiosidade e me levou a ler a sinopse e a dar uma breve vasculhada nas páginas. Estou bem interessada em lê-lo, mas confesso que também estou com um leve receio de me decepcionar. Mas é só um receio; não devo (e não vou) fazer julgamentos precipitados.

Em Vila Feia, no aniversário de 16 anos, os adolescentes passam por uma operação plástica como nunca vista antes na história da humanidade, deixando-os perfeitos. Tally Youngblood mal pode esperar pelo seu aniversário. Depois da operação, vai finalmente deixar Vila Feia e se mudar para Nova Perfeição, onde os perfeitos vivem e se divertem o tempo todo.
Então, ela conhece Shay, uma feia que não está nem um pouco ansiosa para completar 16 anos. Shay pretende fugir dos limites da cidade e se juntar a um grupo de foras-da-lei que sobrevive retirando seu sustento da natureza. Mas, quando Shay desaparece, Tally irá conhecer um lado totalmente diferente desse mundo perfeito.

Sobre o autor:
Nascido no Texas, Scott Westerfeld é autor de diversos romances aclamados para adultos e jovens, entre eles Tão Ontem, Os Primeiros Dias, e a série Feios, best seller do New York Times.

Saiba mais:
Site da série Feios
Página do livro no Skoob

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